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A contribuição dos gays, lésbicas e travestis para o mundo

Perfil Blogay é editado pelo jornalista e roteirista Vitor Angelo

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Eu, João Henrique Custódio, gay, vítima de racismo

Por Vitor Angelo
17/10/14 17:00

Recentemente, conversava com um amigo jurista e comentávamos que preconceito é sempre preconceito, mas quanto mais visível o objeto da intolerância, mais vulnerável é a vítima. No caso dos negros existe muito pouca escapatória. A questão da cor se mostra evidente, está literalmente na pele, muito mais do que ódios contra certas religiões ou contra orientação sexual. Iguala-se somente à questão de gênero, no quesito visibilidade. Mesmo estampado nas nossas caras, o racismo ainda é dissimulado por alguns como “brincadeirinha”, liberdade de expressão ou o motivo da violência ser sempre outro. No final da semana passada, o estudante de Ciências Sociais, João Henrique Custódio, 29, alegou ter sido agredido por seguranças da festa Cervejada do Peru, organizada pelo Centro Acadêmico 11 de Agosto, no Largo São Francisco, no centro de São Paulo. Para ele, que é abertamente gay, foram proferidas palavras racistas e a violência que o massacrou (diferente da dada aos amigos que estavam com eles, todos brancos) também passou por esta chave.

Ele descreve em sua página do Facebook: “Caminhamos poucas quadras e ao chegarmos (numa festa que tinha música e banda de metal) havia grades fechando a passagem nas calçadas e na rua, com um único local de passagem aberto para pedestre [...] Entrei e, então, me virei e vi um dos meus amigos com o braço levantado e com uma pulseira verde sinalizando que eu devia voltar, provavelmente para pegar a pulseira imaginei. Caminhei poucos passos, por trás levei uma chave de braço, tentei me soltar e comecei a levar vários socos próximos da minha bacia e nas costelas, e chutes nas pernas. [...] Lembrei dos skinheads e imaginei que poderiam ser eles, pois sou gay, tenho parceiro, ele estava ali tentando me ajudar. Eu ouvia várias vozes de pessoas, e não conseguia identificar. ‘Não bata nele!’ ‘Largue o menino!’ Fui arrastado e golpeado várias vezes até a grade que dividia a rua. Largaram-me lá, ergui meu corpo para ver meus algozes, vi o rosto deles mesmo sem óculos e, eles não eram skinheads, eram três seguranças, três homens grandes, muito grandes comparados aos meus 58 quilos”.

Ele e os amigos então ligaram para a polícia. “Meus amigos conversaram com várias pessoas e elas os alertavam sobre o risco de chamar a polícia, pois um dos meus agressores era um policial fazendo ‘um extra’, como segurança da festa. Os meus amigos se dividiram diante da ameaça, eu vi nos olhos deles o medo, eu me perguntava por que eles estão com medo? Eu não posso ter medo! Quanto mais a policia demorava a chegar mais meus amigos se desesperavam, o agressor ‘policial’ procurou meus amigos e ameaçou-os dizendo: ‘se chamar a polícia coisas graves acontecerão’”.

Quando a polícia finalmente chegou, o segurança, que as pessoas diziam se tratar de um policial, começou as ofensas racistas: “Ele tentou me intimidar diante do policial me chamando de ‘neguinho você é um merda’, outros policiais surgiram e ele se escondeu atrás da grade”.

João fez B.O., mas não conseguiu incluir racismo. Também fez exame de corpo delito e deve abrir um processo. Para o estudante, os amigos que estava com ele, todos brancos, foram tratados de forma agressiva pelos seguranças, mas sem violência física desproporcional, e ele foi o único que apanhou, o que o fez crer que isto aconteceu devido à sua cor de pele.

Outro lado

O Blogay tentou contato telefônico e por e-mail com o Centro Acadêmico 11 de Agosto e não obteve nenhuma resposta, muito menos informaram a empresa que fez a segurança na festa. Entretanto, eles publicaram, na rede social, uma nota de esclarecimento que diz que João queria entrar na festa sem pagar. “A organização (diretoria do 11) explicou calmamente a ele que o espaço público era da prefeitura e que ela havia nos dado permissão de uso, inclusive mostrando o alvará que nos autorizava a realizar o evento. Quando ele viu o alvará, tentou rasgá-lo, alegando que aquilo não o convencia. Devido à recusa ao diálogo, pedimos gentilmente que ele se retirasse pela última vez. Negado por ele a sua própria retirada, pedimos que os seguranças o acompanhassem para fora da cervejada. Quando os seguranças encostaram as mãos em seus ombros, partiu para a agressão física aos funcionários, que reagiram adequadamente imobilizando-o e nunca batendo-no”.

João contesta e diz que “tem testemunhas que existem de carne e osso, e não são forjadas: Felipe Policisse, Thiago Clemente do Amaral, Maira Gebs e Guilherme Zambelli”. Depois questionou: “eu tendo 1m77 e repito 58 quilos, sem experiência em artes marciais, como pude conseguir agredir várias pessoas – seguranças e possivelmente a comissão de organização? Já que no texto não está claro quais foram os agredidos”. E conclui: “Faz parte da lógica do racismo brasileiro fazer exatamente o que essa nota (do centro acadêmico) faz, culpar à vitima de racismo pelo abusos e agressões que sofrera, a vitima se torna culpada, para exorcizar os sentimentos de repulsa e a discriminação naquele que perturba, que polui a nossa democracia racial”.

Levy Fidelix, a liberdade de expressão e o discurso de ódio

Por Vitor Angelo
30/09/14 14:30

Estava no voo de Londres para Zurique, estava de férias, estava lendo o “The Guardian”, um importante jornal inglês, quando, o Brasil, que raramente aparece no noticiário, é citado com a manchete que diz: “Brazil presidential candidate airs homophobic rant during TV debate” (algo como em uma tradução livre: “Candidato à presidência do Brasil faz discurso homofóbico durante debate de TV”). Fiquei bastante perplexo, como o nosso 7 a 1 (que é motivo de risadas e piadinhas aqui na Europa, pensei se não era novamente mais uma goleada contra nós mesmos, ou uma reafirmação de um país que não consegue ser sério nunca). E, apesar de todo o escapismo, parece que fui fortemente tragado à confusão, desonestidade e intolerância que exatamente estava fugindo neste período do ano, com as eleições e suas paixões medonhas. Atordoado, vejo as declarações do político do PRTB (Partido Renovador Trabalhista Brasileiro), nos portais nacionais, e me deparo com algo que custo acreditar: ele incita a perseguição aos gays. Neste momento, o Blogay, que estava de férias, voltou, pois não existe férias quando o assunto grita por racionalidade, cidadania e civilidade.

De todo o discurso infeliz de Fidelix, pode-se tirar o trecho final como o mais hediondo: “É… Vai para a [avenida] Paulista e anda lá e vê [os gays]. É feio o negócio, né? Então, gente, vamos ter coragem somos maioria. Vamos enfrentar essa minoria. Vamos enfrentá-los, não ter medo. Dizer que sou pai, mamãe, vovô. E o mais importante é que esses que têm esses problemas realmente seja atendidos no plano psicológico e afetivo, mas bem longe da gente. Bem longe, mesmo, porque aqui não dá”.

Nele existe a incitação de enfrentamento e banimento, o mesmo discurso usado pelo apartheid na África do Sul contra os negros e pelos nazistas alemães contra os judeus. Enfrentar e extirpar, agora, a bola da vez: os gays. Apesar das correlações óbvias com o autoritarismo mais radical, muita gente comentou que era liberdade de expressão, que ele estava dando “apenas” sua opinião.

Se pensarmos como o linguista americano Noam Chomsky, podemos até considerar que é liberdade de expressão. Ele mesmo levou a fundo a frase do filósofo iluminista francês Voltaire: “Posso não concordar com o que você diz, mas defenderei até a morte o seu direito de dizê-lo”. Assim, nos anos 80, ele, que criticou o nazismo de forma contundente, fez o prefácio de um livro do historiador francês Robert Faurisson que defendia a negação do Holocausto. Mas, seguindo este caminho, percebemos que a tal liberdade de expressão é uma rua de mão dupla, existe um interlocutor, uma resposta, o outro que também tem a liberdade de responder, principalmente se sentiu na tal “opinião” um sentimento de ofensa, como os judeus, no caso de Chomsky, ou os gays, no caso de Fidelix. Pois bem, tanto a reputação de Faurisson como, principalmente, a de Chomsky foram intelectualmente desmoralizadas depois deste ato por boa parte da inteligência francesa, que também emitiu sua opinião sobre a opinião deles. Até porque aí entra uma outra definição de liberdade de expressão que diz que ela termina onde começa a do outro.

O que é importante notar que a liberdade de expressão não é um bem em si, por exemplo, não existe nenhum ato de bravura ou nobreza em dizer: “eu te odeio e vou te matar”, ou “a maioria irá esmagar a minoria e baní-la para bem longe”. Exatamente por isto, também é tolo quem acredita que Fidelix foi corajoso. Ele fez o discurso da exaltação de uma “maioria” contra um grupo, como fizeram e fazem os piores ditadores, e os risinhos da plateia presente no debate não o negam. Discurso corajoso é jogador de futebol declarar-se transexual, galã de novela assumir-se gay, Daniela Mercury afirmar que ama outra mulher. A coragem de sair do consenso! A fala de Fidelix é de fundo covarde e mesquinha.

Outra agravante da chamada liberdade de expressão na democracia é o seu próprio paradoxo. É o único sistema que o discurso contra a própria democracia ou a própria liberdade de expressão podem ser feitos sem acarretar opressões pesadas como nos regimes totalitários. Usa-se a liberdade de expressão para ir contra a sua própria essência, estimulando fobias e preconceitos como no caso da fala de Fidelix. Por isto é vital ter a vigília pelo que chamamos de liberdade de expressão, para que seus excessos usados de forma leviana como fez Levy, em última instância, não acabem exterminando-a.

Enfim, tudo isto porque usa-se a liberdade de expressão para esconder algo tenebroso: o discurso de ódio. Fingindo-se ser libertário, você aniquila, prende e persegue uma minoria como diz o próprio Fidelix: “gente, vamos ter coragem somos maioria. Vamos enfrentar essa minoria. Vamos enfrentá-los, não ter medo”. Ele incita o pior no ser humano, o ódio ao outro. Um ódio em pacto com uma plateia complacente, moderadores despreparados e os outros candidatos silenciosos diante tanta barbárie. A sorte que contra a barbárie, existe a civilização e ela está se mobilizando, em forma de protestos, processos e denúncias contra Fidelix, o homem que trouxe as trevas ao debate político.

Literatura gay em três livros

Por Vitor Angelo
31/08/14 23:45

Existe uma grande discussão se existe ou não literatura gay ou queer. Precisamente, ela nasce junto com o movimento dos direitos dos homossexuais no final da década de 1960.  Claro que a abordagem da homossexualidade já está na literatura desde as poesias de Safo, assim como no “Banquete” de Platão, na Grécia antiga. Entretanto, para alguns pesquisadores, ela se faz de forma consciente e abertamente militante a partir do evento de Stonewall, em Nova York, em 1969 (talvez tenhamos a exceção de André Gide e seu  “Corydon”, de 1924). Há outras vozes que são contra esta nomenclatura (literatura gay) e, para esses, existe apenas literatura boa e literatura ruim, por isto o debate colocado na primeira sentença deste parágrafo.

Porém, editores que acreditam na literatura gay tentaram este ano através de abaixo-assinado colocar o tema na Flip (Festa Literária Internacional de Paraty) mas a atitude foi em vão, o evento literário está em consonância, ao que parece, com a ideia de boa e má literatura e não na fragmentação da literatura em seções como feminina ou gay.

O que é mais complicado quando partimos da existência de uma literatura gay é achar um corpo sólido estético para ela. Todos os gêneros e formas são permitidas. Talvez este seja o trabalho mais difícil para quando nos debruçamos sobre esta tal literatura. Darei o exemplo de três livros que podem sim estar na chamada literatura gay mas são muito díspares entre si.

O primeiro é “Águas Turvas”, de Helder Caldeira (Editora Faces). O romance é a história de amor entre o médico brasileiro Gabriel Campos que se muda para os Estados Unidos depois de sofrer um abuso sexual e se apaixona pelo financista Justin Thompson. O livro acaba sendo também sobre a saga da família Thompson.  Escrito de forma ágil, apesar da história às vezes ficar um pouco açucarada. Tem o grande mérito do autor ter um excelente domínio da narrativa.

“Ascenção”, de Silvano Tolentino Leite (ABR Editora), são contos que expõem ora de forma raivosa ora de forma poética a homofobia e o preconceito (incluindo o preconceito contra os infectados por HIV). Silvano trabalha, através de cada conto, uma forma de expor a homofobia e, de forma pioneira, também retrata o fundamentalismo religioso. O trabalho é interessante pois ele consegue, sem escorregar, ficar na linha tênue que divide a literatura e a militância.

Por fim, “Digerindo Penas”, de Flávio Aquistapace (Editora Patuá), vai para a linha mais experimental. Ele tem polivozes, mas a principal tem o nome de Bruno Mantegão, um gay de 33 anos que imagina um reencontro com sua mãe. O livro mixa diversas formas literárias. A fragmentação do personagem é sintetizada da forma que o romance também é construído: em fragmentos. É inspirador um romance de estreia se propor a tantos desafios e conseguir ótimos resultados.

Os três livros podem ser considerados literatura gay, pois a homossexualidade tem uma voz preponderante em cada um deles e, apesar de extremamente distintos entre si, trazem em seu cerne a palavra chave contra a intolerância: diversidade.

"O Banquete de Platão" (1874), de Anselm Feuerbach

“O Banquete de Platão” (1874), de Anselm Feuerbach

Comissão aplica multa de R$ 20 mil para cada um dos agressores de homossexual

Por Vitor Angelo
30/08/14 18:00

Agosto teve uma excelente notícia para os direitos gays e, na mesma moeda, uma péssima para os homofóbicos. Lembram do caso do estudante de direito André Cardoso Gomes Baliera que foi agredido, em 2012, na esquina da rua Teodoro Sampaio com a Henrique Schaumann, em São Paulo, pelo personal trainer Diego Mosca e pelo empresário Bruno Portieri? Pois bem, a Comissão Processante Especial da Secretaria da Justiça e da Defesa da Cidadania do Governo do Estado aplicou, agora, em agosto de 2014, uma multa de 1.000 UFESP (aproximadamente 20 mil reais) a cada um dos agressores. Os réus ainda podem recorrer.

Quem explica melhor é o advogado de Baliera, Paulo Iotti: “Eles ainda podem recorrer, mas creio ser altamente improvável que a Secretaria da Justiça reforme a decisão. Mesmo a multa, pois, como bem dito pela decisão, ‘a sanção [punição] a ser aplicada deve considerar a gravidade da conduta e a postura dos agressores, sendo certo que uma pena de advertência não surtirá efeito pedagógico no caso em tela e não impedirá a reincidência dos denunciados’”.

Os agressores vieram com a versão que era apenas uma briga de trânsito e que não eram homofóbicos pois tinham amigos gays. Paulo Iotti diz: “Sobre essa história de levarem ‘testemunhas de caráter’ dizendo que a pessoa tem amigos homossexuais, fico feliz de mais uma vez a Comissão ter citado uma fala minha do processo, no sentido de que ‘não é preciso ser ontologicamente homofóbico para ser passível de punição por homofobia, pois basta a prática de atos homofóbicos concretos para que haja punição por homofobia’”.

Blogay conversou com André Baliera sobre o resultado: “Eu acredito (ou quero acreditar) que essa decisão pode representar um incremento no exercício genuíno da nossa liberdade como LGBTs. O caso ganhou grande repercussão e muita gente ainda desconhece a 10.948 [lei anti-homofobia estadual] que é uma arma importantíssima pra vivermos de forma plena, sem medos (embora ainda seja pouco), espero que a lei ganhe maior notoriedade com essa vitória e que todos aprendam que, embora não seja criminalizada, a homofobia pode ser combatida na seara administrativa. De repente, se aquele restaurante japonês tivesse conhecimento da 10.948 tivesse treinado melhor seus funcionários e nada teria acontecido àquele casal (diz se referindo ao caso no Sukiya).

Existe ainda os processos penal e cível em andamento, mas André está satisfeito com o resultado: “Das possibilidades processuais que surgiram a partir do ocorrido, essa (a da Comissão de Justiça e Cidadania) era a que eu julgava mais importante porque diz respeito à comunidade LGBT pela qual a gente luta. O processo cível traz uma resposta individual. Se eu vencer, levo uma indenização que tem por condão reparar a minha dor e sofrimento. No outro extremo, o processo penal dá uma resposta à sociedade como um todo, inclusive porque não se está julgando homofobia ali, mas o crime tentado de homicídio. Em âmbito administrativo, a resposta destina-se à comunidade LGBT, protegida pela lei. É uma vitória de cada lésbica, gay, bi, travesti e transexual. E se você me deixar queria agradecer muito a atuação do Dr. Paulo Iotti, advogado e amigo por quem eu devo cada vitória colhida nessa história toda”.

O estudante de direito André Cardoso Gomes Baliera que foi vítima de ataque homofóbico

O estudante de direito André Cardoso Gomes Baliera que foi vítima de ataque homofóbico, em dezembro de 2012

Contra a invisibilidade, lésbicas fazem evento em São Paulo

Por Vitor Angelo
29/08/14 14:00

Pense em algo invisível e, logo, chegará à lesbianidade. A começar por serem mulheres e as mulheres são mais invisíveis que os homens em nossa sociedade, isto é, questões referentes ao feminino são, quando possível, postas de escanteio e/ou banalizadas e reduzidas (pense a discussão sobre o aborto, por exemplo). Dentro deste quadro, quando mulheres transam e/ou amam outras mulheres, muitas vezes, elas apenas são permitidas porque estão dentro do fetiche do homem hétero (o problema não está no fetiche e sim no apenas). Contra este quadro que pouco mudou, foi criado há 18 anos e entra em sua maioridade este ano, nesta sexta-feira, 29, o Dia Nacional da Visibilidade Lésbica. Em São Paulo, as comemorações se estenderão até sábado, 30, no Largo do Arouche.

“Não é fácil construir vidas que ‘escapam’ das regras e imposições da heteronormatividade, e reconhecemos os desafios que enfrentamos nas nossas vidas privadas e coletivas. Seguimos fortalecendo nossas propostas coletivas e horizontais e reforçamos o significado do mês da visibilidade lésbica e bissexual como uma oportunidade para desconstruir a categoria de ‘minoria’, de lutar contra a ‘guetização’ dos nossos espaços e a segregação das nossas vidas, e de mostrar nossa produção cultural e militante”, diz o texto do convite ao festival postado no Facebook.

O evento pretende reunir escritoras, poetas, músicas, cantoras, e contará com oficinas de rua, como stencil, cartazes e batucada feminista. O horário é das 14h às 18h e é gratuito.

Ao negar a visibilidade das lésbicas (transformando-as em fetiche de fantasias do homem hétero), a chamada heteronormatividade nega o ser lésbica e com isto, sua existência. É como se o amor lésbico fosse apenas uma brincadeira um entretenimento um passatempo, algo lúdico. Se algo não existe, não pode ter voz, nem direitos. É uma situação muito maior que de negação, pois nega-se o que existe, e para muitos elas nem a isto têm direito. Por isto a questão da visibilidade para as lésbicas é central e muito mais urgente do que para os homossexuais masculinos.

A questão da lesbianidade não encontra só problemas em seu enfrentamento com a chamada heteronormatividade. Ela enfrenta o machismo encrustado dentro dos GBTs. É comum (mas não é regra), muitos gays desprezarem as lésbicas, as acharem tacanhas e não conseguir fazer pontes de identificação. Tentar construir pontes de identificação entre gays e lésbicas se faz necessário a todo instante, pois o objetivo é o mesmo, questionar o machismo e reivindicar a diversidade, não endossar um e contrariar o outro.

Por fim, exatamente por ser totalmente fluida a transição das mulheres entre as orientações sexuais (mulheres hétero e bi que tiveram uma relação sexual com outra mulher é muito mais comum de serem assumidas do que entre transas entre homens), elas têm que ser éticas e honestas. Explico, a fluidez é algo interessante e rico na sexualidade, mas no caso das mulheres ela é permitida exatamente pelo fetiche masculino citado acima. Então, quanto menos negação a esta fluidez melhor, mas assumir o amor por outras mulheres, mesmo que depois o objeto (no caso das bi e das curiosas) volte a ser o homem. Isto é vital para tirar a invisibilidade da lesbianidade. Tornar visível, este é um papel polítco da lésbicas e de quem as apoia.

{Divulgação)

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Casal gay acusa funcionário de restaurante de agressão homofóbica

Por Vitor Angelo
04/08/14 14:00

O que era pra ser um simples jantar de dois namorados em um restaurante em uma rua conhecida pela alta frequência de LGBTs, acabou na delegacia com sangue e boletim de ocorrência.  O ator Gabriel Cruz postou em sua página no Facebook, neste domingo, 3, o relato da agressão que seu namorado Jonathan Favari sofreu depois que os dois deram um selinho no restaurante Sukiya, na rua Augusta, em São Paulo. Na web, já está circulando um convite para uma manifestação (mais especificamente um beijaço, ato que casais do mesmo sexo se beijam em protesto contra a homofobia) em repúdio ao acontecido. O evento está marcado para a quinta-feira, 7, às 20h, e tem o nome de “Sukiya: engula sua homotransfobia! Prato principal: língua de boy”.

Gabriel conta:  “Ontem à noite, depois de sair de um barzinho na Augusta (sim, na Augusta, um dos maiores points gays que eu conheço), eu e meu namorado fomos comer no Sukiya, um restaurante localizado no número 974. Pedimos nossa comida, sentamos e jantamos. Depois de terminarmos, meu namorado foi ao banheiro e me deu um selinho de ‘até logo’. Assim que me vi sozinho na mesa, dois homens me abordaram, um de cada lado, me acuando. Um garçom e outro rapaz que depois identifiquei como o segurança do local, reprimindo, recriminando, e me hostilizando sobre a atitude singela que acabara de cometer. Usando o tipo de argumentação mais vazia e nojenta (argumentação nada, usando desculpas das mais cruéis e covardes), esses sujeitos bradavam: ‘Não tenho nada contra, mas esse é um restaurante de família; temos que prezar pelo respeito nesse ambiente; tem uma criança na mesa ao lado; vocês têm que procurar um lugar adequado pra fazer isso, aqui não é balada’, e um absurdo ‘desculpa o inconveniente’”.

É curioso notar que sempre em nome da defesa da família que os homofóbicos armam seus discursos. Porém, o ator não se fez de rogado: “Quando meu namorado voltou do banheiro, contei do ocorrido. Fui até a mesa da família que supostamente estaria ofendidíssima com nosso gesto, e perguntei se aquilo os incomodava. O pai disse que de maneira nenhuma, que ele não se incomodou em nada. As crianças, supostas vítimas do imensurável indecoro, continuavam comendo suas refeições, indiferentes a quaisquer uns que viessem a se beijar no campo de visão deles. Meu namorado e eu nos beijamos de novo”.

Bastou o gesto para despertar a violência do funcionário: “Foi o suficiente para o garçom usar de desproporcional força física para tentar nos tirar dali. Com um tranco, me separei do meu namorado, e, em meio àquela confusão surreal que acabara de se instaurar, vi o garçom desferindo socos na cara do meu namorado. Socos. Meu namorado fez o possível para se defender, enquanto eu e o pai da família, que viera de sobressalto desde sua mesa no fim do salão, tentávamos apartar o brutamonte. Sangue pingava do nariz do meu namorado, sangue no rosto, nas mãos, nas roupas, no chão”.

Aqui entra um importante dado que cada vez mais se torna, ainda bem, habitual, nas agressões homofóbicas, a denúncia. Gabriel conta: “Liguei para a polícia imediatamente. Tão imediatamente quanto o garçom foi ocultado para o interior do estabelecimento. Tão imediatamente quanto o segurança nos puxou pra um canto e começou a nos ameaçar. ‘Você vai querer falar de preconceito aqui? Eu vou quebrar a sua cara’, ele me disse. ‘Quer que eu tire mais sangue de você?’, disse ao meu namorado.

Agora outro dado, o despreparo da polícia: “A viatura chegou e fomos para a delegacia, meu namorado como vítima, eu como testemunha e o garçom como agressor-tentando-se-passar-por-vítima. Já não bastasse a indignação e a raiva, nos deparamos com um aparato policial despreparado, machista e desrespeitoso, o que aumenta ainda mais a sensação de impotência. Já na delegacia, durante as cinco horas em que esperamos e esperamos, os policiais e escrivão tentavam insistentemente nos dissuadir da ideia de requerer um inquérito. ‘É mais fácil vocês chegarem a um acordo com o cara, tem dois flagrantes na frente e vocês só vão sair daqui amanhã à noite. Então é mais fácil vocês fazerem um acordo e voltarem pra curtir a noite, ainda dá tempo…’. Apesar do menosprezo com a dor alheia (não, seu policial, não é uma questão de hombridade ferida. É um dever cívico enquanto homem gay agredido levar essa história até as últimas consequências), insistimos. Só sairíamos de lá com um B.O. em mãos e um inquérito instaurado”.

E completou: “Com o B.O. e o corpo de delito em mãos, devemos voltar à delegacia para requerer a abertura de inquérito por lesão corporal leve. Mas, além disso, vamos procurar uma delegacia especializada para levar essa história adiante”.

É uma história exemplar na atitude tanto de Cruz como de Favari e que se repete (recentemente ocorreu algo semelhante no restaurante Capim Santo). Onde um selinho pode ser tão indecoroso? Não há respostas, mas a resposta para o discurso desta irracionalidade está no que o ator escreveu nesta segunfa-feira, 04, no Facebook. “Escolhi não virar estatística, escolhi não ser um número, mas uma voz contra essa luta. A homofobia não é um fantasma impalpável que paira pela sociedade. Ela tem nome, rosto e endereço. Ela tem corpo, tem punhos e tem cara. Ela acontece”.

Outro lado

O Blogay falou por telefone com o assessor de imprensa da rede Sukiya, Lincoln Ohnuma, 64, que em nome da empresa lamentou o episódio e disse que “não faz parte da política da casa atitudes homofóbicas. Foi um total despreparo de nosso funcionário. Nosso posicionamento é claro contra qualquer preconceito aos homossexuais, temos inúmeros funcionários gays, e sabemos que o restaurante na Augusta tem uma grande frequência de homossexuais. O Sukiya está tomando providências a respeito do caso”. Ele também disse que, em nome da empresa, lamenta o ocorrido e pede desculpas ao cliente.

Restaurante Sukiya, na Rua Augusta, em São Paulo, onde ocorreu uma agressão homofóbica (Divulgação)

Restaurante Sukiya, na Rua Augusta, em São Paulo, onde ocorreu uma agressão homofóbica (Divulgação)

Polêmica na eleição do Conselho LGBT de São Paulo. Militantes dizem que existe proposta de eleições indiretas; coordenador nega e enxerga má fé

Por Vitor Angelo
24/07/14 14:00

Há mais de uma semana, as redes sociais e a militância LGBT de São Paulo estão em polvorosa. Foi divulgada que a Coordenação de Políticas LGBT do município estaria pensando em mudar as eleições do Conselho que são feitas de forma direta, com militantes independentes e muitas vezes sem vínculos partidários, para a forma indireta através de indicações de ONGs. Uma reunião está marcada nesta quinta-feira, 24, na Secretaria de Direitos Humanos e Cidadania. A Folha entrou em contato com Felipe Oliva, 30, servidor público, membro do Conselho e eleito por forma direta em 2012 e com coordenador de Políticas LGBT municipal Alessandro Melchior. Este último desmente que exista a proposta de voto indireto e enxerga má fé.

Felipe Oliva explica em depoimento para o Blogay: “Diferentemente de outros conselhos, que chegam a definir o destino de recursos públicos, o Conselho LGBT de São Paulo foi criado para fiscalizar a política LGBT da cidade, planejada principalmente pela órgão ligado à Secretaria de Direitos Humanos. Hoje, o Conselho é composto de representantes do governo e da sociedade civil, estes eleitos diretamente pela população, e se reúne mensalmente para discutir medidas que afetem as LGBT.

As pessoas que atualmente compõem o conselho foram eleitas em fins de 2012 e puderam acompanhar desde o começo a política LGBT de Haddad. Apesar de ter lançado ideias interessantes, como o plano de saúde integral LGBT e o Transcidadania (nenhum dos dois implementado), o governo Haddad foi responsável por graves retrocessos, especialmente o fechamento do Autorama [local de encontro gay no estacionamento do Parque Ibirapuera] (nem o Serra e o Kassab tinham conseguido a façanha) e o encerramento do Programa Operação Trabalho, que garantia um benefício para algumas LGBT em situação de vulnerabilidade, a maioria transexuais e travestis. Houve também omissões graves, como quando o ex-coordenador Julian Rodrigues não fez nada para impedir o fechamento do Lar Somando Forças, dedicado a travestis e transexuais com HIV, e intromissões indevidas, como a realizada na parada deste ano.

O Conselho LGBT tem criticado esses abusos e desmandos da Coordenação e certamente essas críticas não são bem vindas pelo governo do PT, partido que, embora tenha ligação histórica com as LGBT, há mais de uma década não atende nossas reivindicações – antes, vai frontalmente contra elas. Haddad, o ex-ministro da Educação responsável pela não distribuição do kit escola sem homofobia, tem uma dívida com as LGBT, e apenas a aprofundou nesse último ano e meio.

Este ano haverá nova eleição de representantes da sociedade civil para o Conselho. Acredito que, para evitar que o Conselho continue a ser crítico, a prefeitura tenha tirado do baú uma promessa vagamente descrita no programa de governo de Haddad de eleger os representantes da sociedade civil indiretamente.

Assim, em vez de a população afetada eleger seus representantes por voto direto, o próprio governo cuidaria de eleger os representantes da sociedade civil. Mas quais critérios informariam essa escolha? O pluralismo político ou a identidade de ideias? Não tenho dúvidas de que a prefeitura preferiria os representantes de grupos e ONGs com os quais partilhasse afinidades, em detrimento daqueles mais críticos.

A justificativa formal do governo para as eleições indiretas tem sido “qualificar” as discussões, como se as pessoas eleitas diretamente não contribuíssem da sua própria forma, com suas diferentes origens. Se eleição direta não é uma boa fórmula, por que o governo Haddad a adotou para todos os conselhos participativos criados recentemente? O que torna o Conselho LGBT tão diferente dos demais?

De fato, hoje o Conselho tem reuniões bastante esvaziadas, com ausência de muitos representantes da sociedade civil (não menos do que representantes do governo). Mas acredito que esse esvaziamento não seja consequência da falta de qualidade dos representantes da sociedade civil, mas principalmente da forma como o governo vem desprestigiando o Conselho, seja com vários representantes do governo faltando, seja com a Coordenação apresentando as políticas apenas depois de desenhá-las, ou então fazendo consultas com pouca antecedência e divulgação.

De qualquer forma, nada impede que as pessoas que compõem ONGs, coletivos e as famílias LGBT se organizem e elejam seus representantes diretamente. Nada impede tampouco que especialistas sejam trazidos para dar sua opinião sobre sua área de atuação – cabendo o voto aos representantes eleitos diretamente pela população afetada.

Enfim, entendo que a eleição indireta dos representantes da sociedade civil do Conselho apenas mascare uma tentativa de castrar o conselho de seu potencial crítico, enchendo-o de pessoas próximas e afins do próprio governo. Essa proposta, além de destoar do restante da política de conselhos participativos de Haddad, representará mais um retrocesso dentre os vários de que este governo é responsável”.

O outro lado

Alessandro, em contato por e-mail com o Blogay, desmente qualquer iniciativa de mudança de status do voto direto para o indireto. “Na verdade, há uma grande desinformação e má fé em relação ao processo de reestruturação do Conselho. Má fé motivada por disputas eleitorais. Não defendemos eleição indireta, muito menos indicação pelo Governo dos membros da sociedade civil, como tem sido divulgado levianamente. Envio anexo um texto de explicação que fizemos sobre o processo, apontando exatamente as mudanças sugeridas pela Comissão indicada pelo conselho com esse fim, Comissão que tem ainda maioria da sociedade civil na sua composição”.

No texto, enviado para o blog, aparece em negrito: “A eleição direta permanece! Cada eleitor votará em 1 candidata (o) de cada um dos segmentos que serão eleitos ( 1 conselho de classe, 1 coletivo, 1 representante do segmento LGBT e 1 entidade)”

O primeiro casamento gay da TV brasileira: a ficção segue a realidade

Por Vitor Angelo
17/07/14 11:30

A TV Globo sempre teve como postura imagética, muito mais do que lançar novidades (o cinema ainda continua com este papel), de acompanhar de perto os últimos acontecimentos sociais e comportamentais. Não existe nenhuma aleatoriedade no fato do mais importante noticiário da emissora, o “Jornal Nacional”, vir antes de sua principal atração no campo da ficção, a novela das 21h (antiga “novela das 8”).

E sempre foi assim:  a novela “Dancin’ Days” veio na rasteira da febre da disco music internacional. O seriado “Malu Mulher”, de 1979, veio no encalço do divórcio, que tinha sido aprovado no país em 1977. E não foi diferente com as cenas do casamento de Clara (Giovanna Antonelli) e Marina (Tainá Müller), na novela “Em Família”, que foi ao ar nesta quarta-feira, 16.  Elas seguem a conquista dos homossexuais pelo direito de se casarem que começou, em 2011, com o reconhecimento da união homoafetiva pelo STF (Supremo Tribunal Federal).

Com esta decisão, foi abrindo juridicamente espaços para o chamado casamento gay. Desde então, o Jornal Nacional já fez várias matérias tanto sobre cerimônias de união entre homossexuais como sobre a vida de casais do mesmo sexo. Até que foi noticiado o casamento de Daniela Mercury e Malu Verçosa, em 2013. A representação do casamento de Clara e Marina, com certeza, foi inspirada nas fotos da união da cantora baiana com a jornalista: as duas com vestidos parecidos, o modo como entraram juntas na cerimônia e a aprovação da família e amigos.

As cenas, muito bem delicadas e em tom afirmativo, com apoio de familiares, inclusive do filho de Clara, demonstram ali que está sendo feita uma projeção de uma realidade possível e já noticiada (é claro que existem outras situações em que  a reação aos casais homoafetivos podem fazer a homofobia gritar mais alto, mas hoje já não é a única nem a mais importante, como sinaliza a novela e também as matérias jornalísticas que a antecederam)

“Se todos tem os mesmo deveres porque não ter o mesmo direitos”, diz Helena (Julia Lemmertz) explicando porque na sociedade laica, os gays também podem se casar. O tapa na cara dos fundamentalistas vem com a frase da juíza: “A partir de agora, vocês formam uma família legítima perante à nossa sociedade e à nossa lei civil”.

Família legítima… Neste momento, a ficção explica melhor o que os noticiários não conseguem e os fundamentalistas querem negar.

E o beijo entre Clara e Marina, hein? Mais apaixonado e de longa duração. Mais avanços... (Reprodução/TV Globo)

E o beijo entre Clara e Marina, hein? Mais apaixonado e de longa duração. Mais avanços… (Reprodução/TV Globo)

A atitude de Daniela Mercury não existiria sem Vange Leonel

Por Vitor Angelo
14/07/14 23:45

Vange Leonel morreu, aos 51 anos de idade, na tarde desta segunda-feira, 14,  vítima de câncer nos ovários. A cantora e escritora ficou nacionalmente conhecida pelo hit “Noite Preta” , que era simplesmente a trilha da abertura de uma novela de grande sucesso, “Vamp”, em 1991, na TV Globo.

Além de cantora e escritora, Leonel era feminista e ativista LGBT. Escreveu durante nove anos, na Folha, quinzenalmente na “Revista da Folha”, a coluna GLS.  Seu papel na história dos direitos gays passa pelo de sua vida. Quando seu grande sucesso comercial “Noite Preta” ainda ecoava nos ouvidos de muitos, ela, diferente de boa parte das cantoras de MPB (lésbicas) que se escondem em armários ou em discursos que a sexualidade pouco importa, resolveu escancarar e assumir sua lesbianidade, em 1995. E com ela, o grande amor de sua vida, a jornalista Cilmara Bedaque, que esteve junto da cantora até os últimos instantes de sua vida.

Se Angela Ro Ro foi pioneira ao assumir-se lésbica de forma orgânica, maravilhosamente escandalosa, em um ambiente tão auto-repressor como o vivido por algumas cantoras brasileiras, Vange veio dar um segundo passo, ao declarar-se que também amava as mulheres (ou melhor, a mulher Cilmara), agora mais consciente, militante, mas não menos apaixonada. A atitude de Daniela Mercury de assumir seu amor por outra mulher parte, dentro de uma perspectiva histórica, de um caminho aberto por Vange.

Seu corpo será cremado no  Horto da Paz, das 10h as 14h em Itapecerica da Serra, São Paulo.  E esta coluna encerra com um antigo texto de Vange, na coluna GLS, que cabe muito para este momento: “Não gosto de despedidas. Ainda que me alivie pensar que os ciclos se fecham, e realmente desejo e espero que seja assim, despedidas formais me deixam constrangida. Adoraria escrever um texto de encerramento como se fosse uma simples coluna de meio de temporada. Mas é impossível: tenho que fechar o ciclo”. Pensemos a vida como um ciclo!

Vange Leonel (1963-2014) (Divulgação)

Vange Leonel (1963-2014) (Divulgação)

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