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A contribuição dos gays, lésbicas e travestis para o mundo

Perfil Blogay é editado pelo jornalista e roteirista Vitor Angelo

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Levy Fidelix, a liberdade de expressão e o discurso de ódio

Por Vitor Angelo
30/09/14 14:30

Estava no voo de Londres para Zurique, estava de férias, estava lendo o “The Guardian”, um importante jornal inglês, quando, o Brasil, que raramente aparece no noticiário, é citado com a manchete que diz: “Brazil presidential candidate airs homophobic rant during TV debate” (algo como em uma tradução livre: “Candidato à presidência do Brasil faz discurso homofóbico durante debate de TV”). Fiquei bastante perplexo, como o nosso 7 a 1 (que é motivo de risadas e piadinhas aqui na Europa, pensei se não era novamente mais uma goleada contra nós mesmos, ou uma reafirmação de um país que não consegue ser sério nunca). E, apesar de todo o escapismo, parece que fui fortemente tragado à confusão, desonestidade e intolerância que exatamente estava fugindo neste período do ano, com as eleições e suas paixões medonhas. Atordoado, vejo as declarações do político do PRTB (Partido Renovador Trabalhista Brasileiro), nos portais nacionais, e me deparo com algo que custo acreditar: ele incita a perseguição aos gays. Neste momento, o Blogay, que estava de férias, voltou, pois não existe férias quando o assunto grita por racionalidade, cidadania e civilidade.

De todo o discurso infeliz de Fidelix, pode-se tirar o trecho final como o mais hediondo: “É… Vai para a [avenida] Paulista e anda lá e vê [os gays]. É feio o negócio, né? Então, gente, vamos ter coragem somos maioria. Vamos enfrentar essa minoria. Vamos enfrentá-los, não ter medo. Dizer que sou pai, mamãe, vovô. E o mais importante é que esses que têm esses problemas realmente seja atendidos no plano psicológico e afetivo, mas bem longe da gente. Bem longe, mesmo, porque aqui não dá”.

Nele existe a incitação de enfrentamento e banimento, o mesmo discurso usado pelo apartheid na África do Sul contra os negros e pelos nazistas alemães contra os judeus. Enfrentar e extirpar, agora, a bola da vez: os gays. Apesar das correlações óbvias com o autoritarismo mais radical, muita gente comentou que era liberdade de expressão, que ele estava dando “apenas” sua opinião.

Se pensarmos como o linguista americano Noam Chomsky, podemos até considerar que é liberdade de expressão. Ele mesmo levou a fundo a frase do filósofo iluminista francês Voltaire: “Posso não concordar com o que você diz, mas defenderei até a morte o seu direito de dizê-lo”. Assim, nos anos 80, ele, que criticou o nazismo de forma contundente, fez o prefácio de um livro do historiador francês Robert Faurisson que defendia a negação do Holocausto. Mas, seguindo este caminho, percebemos que a tal liberdade de expressão é uma rua de mão dupla, existe um interlocutor, uma resposta, o outro que também tem a liberdade de responder, principalmente se sentiu na tal “opinião” um sentimento de ofensa, como os judeus, no caso de Chomsky, ou os gays, no caso de Fidelix. Pois bem, tanto a reputação de Faurisson como, principalmente, a de Chomsky foram intelectualmente desmoralizadas depois deste ato por boa parte da inteligência francesa, que também emitiu sua opinião sobre a opinião deles. Até porque aí entra uma outra definição de liberdade de expressão que diz que ela termina onde começa a do outro.

O que é importante notar que a liberdade de expressão não é um bem em si, por exemplo, não existe nenhum ato de bravura ou nobreza em dizer: “eu te odeio e vou te matar”, ou “a maioria irá esmagar a minoria e baní-la para bem longe”. Exatamente por isto, também é tolo quem acredita que Fidelix foi corajoso. Ele fez o discurso da exaltação de uma “maioria” contra um grupo, como fizeram e fazem os piores ditadores, e os risinhos da plateia presente no debate não o negam. Discurso corajoso é jogador de futebol declarar-se transexual, galã de novela assumir-se gay, Daniela Mercury afirmar que ama outra mulher. A coragem de sair do consenso! A fala de Fidelix é de fundo covarde e mesquinha.

Outra agravante da chamada liberdade de expressão na democracia é o seu próprio paradoxo. É o único sistema que o discurso contra a própria democracia ou a própria liberdade de expressão podem ser feitos sem acarretar opressões pesadas como nos regimes totalitários. Usa-se a liberdade de expressão para ir contra a sua própria essência, estimulando fobias e preconceitos como no caso da fala de Fidelix. Por isto é vital ter a vigília pelo que chamamos de liberdade de expressão, para que seus excessos usados de forma leviana como fez Levy, em última instância, não acabem exterminando-a.

Enfim, tudo isto porque usa-se a liberdade de expressão para esconder algo tenebroso: o discurso de ódio. Fingindo-se ser libertário, você aniquila, prende e persegue uma minoria como diz o próprio Fidelix: “gente, vamos ter coragem somos maioria. Vamos enfrentar essa minoria. Vamos enfrentá-los, não ter medo”. Ele incita o pior no ser humano, o ódio ao outro. Um ódio em pacto com uma plateia complacente, moderadores despreparados e os outros candidatos silenciosos diante tanta barbárie. A sorte que contra a barbárie, existe a civilização e ela está se mobilizando, em forma de protestos, processos e denúncias contra Fidelix, o homem que trouxe as trevas ao debate político.

Literatura gay em três livros

Por Vitor Angelo
31/08/14 23:45

Existe uma grande discussão se existe ou não literatura gay ou queer. Precisamente, ela nasce junto com o movimento dos direitos dos homossexuais no final da década de 1960.  Claro que a abordagem da homossexualidade já está na literatura desde as poesias de Safo, assim como no “Banquete” de Platão, na Grécia antiga. Entretanto, para alguns pesquisadores, ela se faz de forma consciente e abertamente militante a partir do evento de Stonewall, em Nova York, em 1969 (talvez tenhamos a exceção de André Gide e seu  “Corydon”, de 1924). Há outras vozes que são contra esta nomenclatura (literatura gay) e, para esses, existe apenas literatura boa e literatura ruim, por isto o debate colocado na primeira sentença deste parágrafo.

Porém, editores que acreditam na literatura gay tentaram este ano através de abaixo-assinado colocar o tema na Flip (Festa Literária Internacional de Paraty) mas a atitude foi em vão, o evento literário está em consonância, ao que parece, com a ideia de boa e má literatura e não na fragmentação da literatura em seções como feminina ou gay.

O que é mais complicado quando partimos da existência de uma literatura gay é achar um corpo sólido estético para ela. Todos os gêneros e formas são permitidas. Talvez este seja o trabalho mais difícil para quando nos debruçamos sobre esta tal literatura. Darei o exemplo de três livros que podem sim estar na chamada literatura gay mas são muito díspares entre si.

O primeiro é “Águas Turvas”, de Helder Caldeira (Editora Faces). O romance é a história de amor entre o médico brasileiro Gabriel Campos que se muda para os Estados Unidos depois de sofrer um abuso sexual e se apaixona pelo financista Justin Thompson. O livro acaba sendo também sobre a saga da família Thompson.  Escrito de forma ágil, apesar da história às vezes ficar um pouco açucarada. Tem o grande mérito do autor ter um excelente domínio da narrativa.

“Ascenção”, de Silvano Tolentino Leite (ABR Editora), são contos que expõem ora de forma raivosa ora de forma poética a homofobia e o preconceito (incluindo o preconceito contra os infectados por HIV). Silvano trabalha, através de cada conto, uma forma de expor a homofobia e, de forma pioneira, também retrata o fundamentalismo religioso. O trabalho é interessante pois ele consegue, sem escorregar, ficar na linha tênue que divide a literatura e a militância.

Por fim, “Digerindo Penas”, de Flávio Aquistapace (Editora Patuá), vai para a linha mais experimental. Ele tem polivozes, mas a principal tem o nome de Bruno Mantegão, um gay de 33 anos que imagina um reencontro com sua mãe. O livro mixa diversas formas literárias. A fragmentação do personagem é sintetizada da forma que o romance também é construído: em fragmentos. É inspirador um romance de estreia se propor a tantos desafios e conseguir ótimos resultados.

Os três livros podem ser considerados literatura gay, pois a homossexualidade tem uma voz preponderante em cada um deles e, apesar de extremamente distintos entre si, trazem em seu cerne a palavra chave contra a intolerância: diversidade.

"O Banquete de Platão" (1874), de Anselm Feuerbach

“O Banquete de Platão” (1874), de Anselm Feuerbach

Comissão aplica multa de R$ 20 mil para cada um dos agressores de homossexual

Por Vitor Angelo
30/08/14 18:00

Agosto teve uma excelente notícia para os direitos gays e, na mesma moeda, uma péssima para os homofóbicos. Lembram do caso do estudante de direito André Cardoso Gomes Baliera que foi agredido, em 2012, na esquina da rua Teodoro Sampaio com a Henrique Schaumann, em São Paulo, pelo personal trainer Diego Mosca e pelo empresário Bruno Portieri? Pois bem, a Comissão Processante Especial da Secretaria da Justiça e da Defesa da Cidadania do Governo do Estado aplicou, agora, em agosto de 2014, uma multa de 1.000 UFESP (aproximadamente 20 mil reais) a cada um dos agressores. Os réus ainda podem recorrer.

Quem explica melhor é o advogado de Baliera, Paulo Iotti: “Eles ainda podem recorrer, mas creio ser altamente improvável que a Secretaria da Justiça reforme a decisão. Mesmo a multa, pois, como bem dito pela decisão, ‘a sanção [punição] a ser aplicada deve considerar a gravidade da conduta e a postura dos agressores, sendo certo que uma pena de advertência não surtirá efeito pedagógico no caso em tela e não impedirá a reincidência dos denunciados’”.

Os agressores vieram com a versão que era apenas uma briga de trânsito e que não eram homofóbicos pois tinham amigos gays. Paulo Iotti diz: “Sobre essa história de levarem ‘testemunhas de caráter’ dizendo que a pessoa tem amigos homossexuais, fico feliz de mais uma vez a Comissão ter citado uma fala minha do processo, no sentido de que ‘não é preciso ser ontologicamente homofóbico para ser passível de punição por homofobia, pois basta a prática de atos homofóbicos concretos para que haja punição por homofobia’”.

Blogay conversou com André Baliera sobre o resultado: “Eu acredito (ou quero acreditar) que essa decisão pode representar um incremento no exercício genuíno da nossa liberdade como LGBTs. O caso ganhou grande repercussão e muita gente ainda desconhece a 10.948 [lei anti-homofobia estadual] que é uma arma importantíssima pra vivermos de forma plena, sem medos (embora ainda seja pouco), espero que a lei ganhe maior notoriedade com essa vitória e que todos aprendam que, embora não seja criminalizada, a homofobia pode ser combatida na seara administrativa. De repente, se aquele restaurante japonês tivesse conhecimento da 10.948 tivesse treinado melhor seus funcionários e nada teria acontecido àquele casal (diz se referindo ao caso no Sukiya).

Existe ainda os processos penal e cível em andamento, mas André está satisfeito com o resultado: “Das possibilidades processuais que surgiram a partir do ocorrido, essa (a da Comissão de Justiça e Cidadania) era a que eu julgava mais importante porque diz respeito à comunidade LGBT pela qual a gente luta. O processo cível traz uma resposta individual. Se eu vencer, levo uma indenização que tem por condão reparar a minha dor e sofrimento. No outro extremo, o processo penal dá uma resposta à sociedade como um todo, inclusive porque não se está julgando homofobia ali, mas o crime tentado de homicídio. Em âmbito administrativo, a resposta destina-se à comunidade LGBT, protegida pela lei. É uma vitória de cada lésbica, gay, bi, travesti e transexual. E se você me deixar queria agradecer muito a atuação do Dr. Paulo Iotti, advogado e amigo por quem eu devo cada vitória colhida nessa história toda”.

O estudante de direito André Cardoso Gomes Baliera que foi vítima de ataque homofóbico

O estudante de direito André Cardoso Gomes Baliera que foi vítima de ataque homofóbico, em dezembro de 2012

Contra a invisibilidade, lésbicas fazem evento em São Paulo

Por Vitor Angelo
29/08/14 14:00

Pense em algo invisível e, logo, chegará à lesbianidade. A começar por serem mulheres e as mulheres são mais invisíveis que os homens em nossa sociedade, isto é, questões referentes ao feminino são, quando possível, postas de escanteio e/ou banalizadas e reduzidas (pense a discussão sobre o aborto, por exemplo). Dentro deste quadro, quando mulheres transam e/ou amam outras mulheres, muitas vezes, elas apenas são permitidas porque estão dentro do fetiche do homem hétero (o problema não está no fetiche e sim no apenas). Contra este quadro que pouco mudou, foi criado há 18 anos e entra em sua maioridade este ano, nesta sexta-feira, 29, o Dia Nacional da Visibilidade Lésbica. Em São Paulo, as comemorações se estenderão até sábado, 30, no Largo do Arouche.

“Não é fácil construir vidas que ‘escapam’ das regras e imposições da heteronormatividade, e reconhecemos os desafios que enfrentamos nas nossas vidas privadas e coletivas. Seguimos fortalecendo nossas propostas coletivas e horizontais e reforçamos o significado do mês da visibilidade lésbica e bissexual como uma oportunidade para desconstruir a categoria de ‘minoria’, de lutar contra a ‘guetização’ dos nossos espaços e a segregação das nossas vidas, e de mostrar nossa produção cultural e militante”, diz o texto do convite ao festival postado no Facebook.

O evento pretende reunir escritoras, poetas, músicas, cantoras, e contará com oficinas de rua, como stencil, cartazes e batucada feminista. O horário é das 14h às 18h e é gratuito.

Ao negar a visibilidade das lésbicas (transformando-as em fetiche de fantasias do homem hétero), a chamada heteronormatividade nega o ser lésbica e com isto, sua existência. É como se o amor lésbico fosse apenas uma brincadeira um entretenimento um passatempo, algo lúdico. Se algo não existe, não pode ter voz, nem direitos. É uma situação muito maior que de negação, pois nega-se o que existe, e para muitos elas nem a isto têm direito. Por isto a questão da visibilidade para as lésbicas é central e muito mais urgente do que para os homossexuais masculinos.

A questão da lesbianidade não encontra só problemas em seu enfrentamento com a chamada heteronormatividade. Ela enfrenta o machismo encrustado dentro dos GBTs. É comum (mas não é regra), muitos gays desprezarem as lésbicas, as acharem tacanhas e não conseguir fazer pontes de identificação. Tentar construir pontes de identificação entre gays e lésbicas se faz necessário a todo instante, pois o objetivo é o mesmo, questionar o machismo e reivindicar a diversidade, não endossar um e contrariar o outro.

Por fim, exatamente por ser totalmente fluida a transição das mulheres entre as orientações sexuais (mulheres hétero e bi que tiveram uma relação sexual com outra mulher é muito mais comum de serem assumidas do que entre transas entre homens), elas têm que ser éticas e honestas. Explico, a fluidez é algo interessante e rico na sexualidade, mas no caso das mulheres ela é permitida exatamente pelo fetiche masculino citado acima. Então, quanto menos negação a esta fluidez melhor, mas assumir o amor por outras mulheres, mesmo que depois o objeto (no caso das bi e das curiosas) volte a ser o homem. Isto é vital para tirar a invisibilidade da lesbianidade. Tornar visível, este é um papel polítco da lésbicas e de quem as apoia.

{Divulgação)

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Casal gay acusa funcionário de restaurante de agressão homofóbica

Por Vitor Angelo
04/08/14 14:00

O que era pra ser um simples jantar de dois namorados em um restaurante em uma rua conhecida pela alta frequência de LGBTs, acabou na delegacia com sangue e boletim de ocorrência.  O ator Gabriel Cruz postou em sua página no Facebook, neste domingo, 3, o relato da agressão que seu namorado Jonathan Favari sofreu depois que os dois deram um selinho no restaurante Sukiya, na rua Augusta, em São Paulo. Na web, já está circulando um convite para uma manifestação (mais especificamente um beijaço, ato que casais do mesmo sexo se beijam em protesto contra a homofobia) em repúdio ao acontecido. O evento está marcado para a quinta-feira, 7, às 20h, e tem o nome de “Sukiya: engula sua homotransfobia! Prato principal: língua de boy”.

Gabriel conta:  “Ontem à noite, depois de sair de um barzinho na Augusta (sim, na Augusta, um dos maiores points gays que eu conheço), eu e meu namorado fomos comer no Sukiya, um restaurante localizado no número 974. Pedimos nossa comida, sentamos e jantamos. Depois de terminarmos, meu namorado foi ao banheiro e me deu um selinho de ‘até logo’. Assim que me vi sozinho na mesa, dois homens me abordaram, um de cada lado, me acuando. Um garçom e outro rapaz que depois identifiquei como o segurança do local, reprimindo, recriminando, e me hostilizando sobre a atitude singela que acabara de cometer. Usando o tipo de argumentação mais vazia e nojenta (argumentação nada, usando desculpas das mais cruéis e covardes), esses sujeitos bradavam: ‘Não tenho nada contra, mas esse é um restaurante de família; temos que prezar pelo respeito nesse ambiente; tem uma criança na mesa ao lado; vocês têm que procurar um lugar adequado pra fazer isso, aqui não é balada’, e um absurdo ‘desculpa o inconveniente’”.

É curioso notar que sempre em nome da defesa da família que os homofóbicos armam seus discursos. Porém, o ator não se fez de rogado: “Quando meu namorado voltou do banheiro, contei do ocorrido. Fui até a mesa da família que supostamente estaria ofendidíssima com nosso gesto, e perguntei se aquilo os incomodava. O pai disse que de maneira nenhuma, que ele não se incomodou em nada. As crianças, supostas vítimas do imensurável indecoro, continuavam comendo suas refeições, indiferentes a quaisquer uns que viessem a se beijar no campo de visão deles. Meu namorado e eu nos beijamos de novo”.

Bastou o gesto para despertar a violência do funcionário: “Foi o suficiente para o garçom usar de desproporcional força física para tentar nos tirar dali. Com um tranco, me separei do meu namorado, e, em meio àquela confusão surreal que acabara de se instaurar, vi o garçom desferindo socos na cara do meu namorado. Socos. Meu namorado fez o possível para se defender, enquanto eu e o pai da família, que viera de sobressalto desde sua mesa no fim do salão, tentávamos apartar o brutamonte. Sangue pingava do nariz do meu namorado, sangue no rosto, nas mãos, nas roupas, no chão”.

Aqui entra um importante dado que cada vez mais se torna, ainda bem, habitual, nas agressões homofóbicas, a denúncia. Gabriel conta: “Liguei para a polícia imediatamente. Tão imediatamente quanto o garçom foi ocultado para o interior do estabelecimento. Tão imediatamente quanto o segurança nos puxou pra um canto e começou a nos ameaçar. ‘Você vai querer falar de preconceito aqui? Eu vou quebrar a sua cara’, ele me disse. ‘Quer que eu tire mais sangue de você?’, disse ao meu namorado.

Agora outro dado, o despreparo da polícia: “A viatura chegou e fomos para a delegacia, meu namorado como vítima, eu como testemunha e o garçom como agressor-tentando-se-passar-por-vítima. Já não bastasse a indignação e a raiva, nos deparamos com um aparato policial despreparado, machista e desrespeitoso, o que aumenta ainda mais a sensação de impotência. Já na delegacia, durante as cinco horas em que esperamos e esperamos, os policiais e escrivão tentavam insistentemente nos dissuadir da ideia de requerer um inquérito. ‘É mais fácil vocês chegarem a um acordo com o cara, tem dois flagrantes na frente e vocês só vão sair daqui amanhã à noite. Então é mais fácil vocês fazerem um acordo e voltarem pra curtir a noite, ainda dá tempo…’. Apesar do menosprezo com a dor alheia (não, seu policial, não é uma questão de hombridade ferida. É um dever cívico enquanto homem gay agredido levar essa história até as últimas consequências), insistimos. Só sairíamos de lá com um B.O. em mãos e um inquérito instaurado”.

E completou: “Com o B.O. e o corpo de delito em mãos, devemos voltar à delegacia para requerer a abertura de inquérito por lesão corporal leve. Mas, além disso, vamos procurar uma delegacia especializada para levar essa história adiante”.

É uma história exemplar na atitude tanto de Cruz como de Favari e que se repete (recentemente ocorreu algo semelhante no restaurante Capim Santo). Onde um selinho pode ser tão indecoroso? Não há respostas, mas a resposta para o discurso desta irracionalidade está no que o ator escreveu nesta segunfa-feira, 04, no Facebook. “Escolhi não virar estatística, escolhi não ser um número, mas uma voz contra essa luta. A homofobia não é um fantasma impalpável que paira pela sociedade. Ela tem nome, rosto e endereço. Ela tem corpo, tem punhos e tem cara. Ela acontece”.

Outro lado

O Blogay falou por telefone com o assessor de imprensa da rede Sukiya, Lincoln Ohnuma, 64, que em nome da empresa lamentou o episódio e disse que “não faz parte da política da casa atitudes homofóbicas. Foi um total despreparo de nosso funcionário. Nosso posicionamento é claro contra qualquer preconceito aos homossexuais, temos inúmeros funcionários gays, e sabemos que o restaurante na Augusta tem uma grande frequência de homossexuais. O Sukiya está tomando providências a respeito do caso”. Ele também disse que, em nome da empresa, lamenta o ocorrido e pede desculpas ao cliente.

Restaurante Sukiya, na Rua Augusta, em São Paulo, onde ocorreu uma agressão homofóbica (Divulgação)

Restaurante Sukiya, na Rua Augusta, em São Paulo, onde ocorreu uma agressão homofóbica (Divulgação)

Polêmica na eleição do Conselho LGBT de São Paulo. Militantes dizem que existe proposta de eleições indiretas; coordenador nega e enxerga má fé

Por Vitor Angelo
24/07/14 14:00

Há mais de uma semana, as redes sociais e a militância LGBT de São Paulo estão em polvorosa. Foi divulgada que a Coordenação de Políticas LGBT do município estaria pensando em mudar as eleições do Conselho que são feitas de forma direta, com militantes independentes e muitas vezes sem vínculos partidários, para a forma indireta através de indicações de ONGs. Uma reunião está marcada nesta quinta-feira, 24, na Secretaria de Direitos Humanos e Cidadania. A Folha entrou em contato com Felipe Oliva, 30, servidor público, membro do Conselho e eleito por forma direta em 2012 e com coordenador de Políticas LGBT municipal Alessandro Melchior. Este último desmente que exista a proposta de voto indireto e enxerga má fé.

Felipe Oliva explica em depoimento para o Blogay: “Diferentemente de outros conselhos, que chegam a definir o destino de recursos públicos, o Conselho LGBT de São Paulo foi criado para fiscalizar a política LGBT da cidade, planejada principalmente pela órgão ligado à Secretaria de Direitos Humanos. Hoje, o Conselho é composto de representantes do governo e da sociedade civil, estes eleitos diretamente pela população, e se reúne mensalmente para discutir medidas que afetem as LGBT.

As pessoas que atualmente compõem o conselho foram eleitas em fins de 2012 e puderam acompanhar desde o começo a política LGBT de Haddad. Apesar de ter lançado ideias interessantes, como o plano de saúde integral LGBT e o Transcidadania (nenhum dos dois implementado), o governo Haddad foi responsável por graves retrocessos, especialmente o fechamento do Autorama [local de encontro gay no estacionamento do Parque Ibirapuera] (nem o Serra e o Kassab tinham conseguido a façanha) e o encerramento do Programa Operação Trabalho, que garantia um benefício para algumas LGBT em situação de vulnerabilidade, a maioria transexuais e travestis. Houve também omissões graves, como quando o ex-coordenador Julian Rodrigues não fez nada para impedir o fechamento do Lar Somando Forças, dedicado a travestis e transexuais com HIV, e intromissões indevidas, como a realizada na parada deste ano.

O Conselho LGBT tem criticado esses abusos e desmandos da Coordenação e certamente essas críticas não são bem vindas pelo governo do PT, partido que, embora tenha ligação histórica com as LGBT, há mais de uma década não atende nossas reivindicações – antes, vai frontalmente contra elas. Haddad, o ex-ministro da Educação responsável pela não distribuição do kit escola sem homofobia, tem uma dívida com as LGBT, e apenas a aprofundou nesse último ano e meio.

Este ano haverá nova eleição de representantes da sociedade civil para o Conselho. Acredito que, para evitar que o Conselho continue a ser crítico, a prefeitura tenha tirado do baú uma promessa vagamente descrita no programa de governo de Haddad de eleger os representantes da sociedade civil indiretamente.

Assim, em vez de a população afetada eleger seus representantes por voto direto, o próprio governo cuidaria de eleger os representantes da sociedade civil. Mas quais critérios informariam essa escolha? O pluralismo político ou a identidade de ideias? Não tenho dúvidas de que a prefeitura preferiria os representantes de grupos e ONGs com os quais partilhasse afinidades, em detrimento daqueles mais críticos.

A justificativa formal do governo para as eleições indiretas tem sido “qualificar” as discussões, como se as pessoas eleitas diretamente não contribuíssem da sua própria forma, com suas diferentes origens. Se eleição direta não é uma boa fórmula, por que o governo Haddad a adotou para todos os conselhos participativos criados recentemente? O que torna o Conselho LGBT tão diferente dos demais?

De fato, hoje o Conselho tem reuniões bastante esvaziadas, com ausência de muitos representantes da sociedade civil (não menos do que representantes do governo). Mas acredito que esse esvaziamento não seja consequência da falta de qualidade dos representantes da sociedade civil, mas principalmente da forma como o governo vem desprestigiando o Conselho, seja com vários representantes do governo faltando, seja com a Coordenação apresentando as políticas apenas depois de desenhá-las, ou então fazendo consultas com pouca antecedência e divulgação.

De qualquer forma, nada impede que as pessoas que compõem ONGs, coletivos e as famílias LGBT se organizem e elejam seus representantes diretamente. Nada impede tampouco que especialistas sejam trazidos para dar sua opinião sobre sua área de atuação – cabendo o voto aos representantes eleitos diretamente pela população afetada.

Enfim, entendo que a eleição indireta dos representantes da sociedade civil do Conselho apenas mascare uma tentativa de castrar o conselho de seu potencial crítico, enchendo-o de pessoas próximas e afins do próprio governo. Essa proposta, além de destoar do restante da política de conselhos participativos de Haddad, representará mais um retrocesso dentre os vários de que este governo é responsável”.

O outro lado

Alessandro, em contato por e-mail com o Blogay, desmente qualquer iniciativa de mudança de status do voto direto para o indireto. “Na verdade, há uma grande desinformação e má fé em relação ao processo de reestruturação do Conselho. Má fé motivada por disputas eleitorais. Não defendemos eleição indireta, muito menos indicação pelo Governo dos membros da sociedade civil, como tem sido divulgado levianamente. Envio anexo um texto de explicação que fizemos sobre o processo, apontando exatamente as mudanças sugeridas pela Comissão indicada pelo conselho com esse fim, Comissão que tem ainda maioria da sociedade civil na sua composição”.

No texto, enviado para o blog, aparece em negrito: “A eleição direta permanece! Cada eleitor votará em 1 candidata (o) de cada um dos segmentos que serão eleitos ( 1 conselho de classe, 1 coletivo, 1 representante do segmento LGBT e 1 entidade)”

O primeiro casamento gay da TV brasileira: a ficção segue a realidade

Por Vitor Angelo
17/07/14 11:30

A TV Globo sempre teve como postura imagética, muito mais do que lançar novidades (o cinema ainda continua com este papel), de acompanhar de perto os últimos acontecimentos sociais e comportamentais. Não existe nenhuma aleatoriedade no fato do mais importante noticiário da emissora, o “Jornal Nacional”, vir antes de sua principal atração no campo da ficção, a novela das 21h (antiga “novela das 8”).

E sempre foi assim:  a novela “Dancin’ Days” veio na rasteira da febre da disco music internacional. O seriado “Malu Mulher”, de 1979, veio no encalço do divórcio, que tinha sido aprovado no país em 1977. E não foi diferente com as cenas do casamento de Clara (Giovanna Antonelli) e Marina (Tainá Müller), na novela “Em Família”, que foi ao ar nesta quarta-feira, 16.  Elas seguem a conquista dos homossexuais pelo direito de se casarem que começou, em 2011, com o reconhecimento da união homoafetiva pelo STF (Supremo Tribunal Federal).

Com esta decisão, foi abrindo juridicamente espaços para o chamado casamento gay. Desde então, o Jornal Nacional já fez várias matérias tanto sobre cerimônias de união entre homossexuais como sobre a vida de casais do mesmo sexo. Até que foi noticiado o casamento de Daniela Mercury e Malu Verçosa, em 2013. A representação do casamento de Clara e Marina, com certeza, foi inspirada nas fotos da união da cantora baiana com a jornalista: as duas com vestidos parecidos, o modo como entraram juntas na cerimônia e a aprovação da família e amigos.

As cenas, muito bem delicadas e em tom afirmativo, com apoio de familiares, inclusive do filho de Clara, demonstram ali que está sendo feita uma projeção de uma realidade possível e já noticiada (é claro que existem outras situações em que  a reação aos casais homoafetivos podem fazer a homofobia gritar mais alto, mas hoje já não é a única nem a mais importante, como sinaliza a novela e também as matérias jornalísticas que a antecederam)

“Se todos tem os mesmo deveres porque não ter o mesmo direitos”, diz Helena (Julia Lemmertz) explicando porque na sociedade laica, os gays também podem se casar. O tapa na cara dos fundamentalistas vem com a frase da juíza: “A partir de agora, vocês formam uma família legítima perante à nossa sociedade e à nossa lei civil”.

Família legítima… Neste momento, a ficção explica melhor o que os noticiários não conseguem e os fundamentalistas querem negar.

E o beijo entre Clara e Marina, hein? Mais apaixonado e de longa duração. Mais avanços... (Reprodução/TV Globo)

E o beijo entre Clara e Marina, hein? Mais apaixonado e de longa duração. Mais avanços… (Reprodução/TV Globo)

A atitude de Daniela Mercury não existiria sem Vange Leonel

Por Vitor Angelo
14/07/14 23:45

Vange Leonel morreu, aos 51 anos de idade, na tarde desta segunda-feira, 14,  vítima de câncer nos ovários. A cantora e escritora ficou nacionalmente conhecida pelo hit “Noite Preta” , que era simplesmente a trilha da abertura de uma novela de grande sucesso, “Vamp”, em 1991, na TV Globo.

Além de cantora e escritora, Leonel era feminista e ativista LGBT. Escreveu durante nove anos, na Folha, quinzenalmente na “Revista da Folha”, a coluna GLS.  Seu papel na história dos direitos gays passa pelo de sua vida. Quando seu grande sucesso comercial “Noite Preta” ainda ecoava nos ouvidos de muitos, ela, diferente de boa parte das cantoras de MPB (lésbicas) que se escondem em armários ou em discursos que a sexualidade pouco importa, resolveu escancarar e assumir sua lesbianidade, em 1995. E com ela, o grande amor de sua vida, a jornalista Cilmara Bedaque, que esteve junto da cantora até os últimos instantes de sua vida.

Se Angela Ro Ro foi pioneira ao assumir-se lésbica de forma orgânica, maravilhosamente escandalosa, em um ambiente tão auto-repressor como o vivido por algumas cantoras brasileiras, Vange veio dar um segundo passo, ao declarar-se que também amava as mulheres (ou melhor, a mulher Cilmara), agora mais consciente, militante, mas não menos apaixonada. A atitude de Daniela Mercury de assumir seu amor por outra mulher parte, dentro de uma perspectiva histórica, de um caminho aberto por Vange.

Seu corpo será cremado no  Horto da Paz, das 10h as 14h em Itapecerica da Serra, São Paulo.  E esta coluna encerra com um antigo texto de Vange, na coluna GLS, que cabe muito para este momento: “Não gosto de despedidas. Ainda que me alivie pensar que os ciclos se fecham, e realmente desejo e espero que seja assim, despedidas formais me deixam constrangida. Adoraria escrever um texto de encerramento como se fosse uma simples coluna de meio de temporada. Mas é impossível: tenho que fechar o ciclo”. Pensemos a vida como um ciclo!

Vange Leonel (1963-2014) (Divulgação)

Vange Leonel (1963-2014) (Divulgação)

Denunciar sempre: o caso do supermercado Extra e o de Curitiba

Por Vitor Angelo
11/07/14 21:00

Assim como os gays e a homofobia saíram do armário, a denúncia também tem que mostrar sua cara. Dois exemplos recentes: o grupo que gravou um funcionário da supermercado Extra em um ato homofóbico e um casal em Curitiba que foram ameaçados à faca e deram queixa na delegacia.

O primeiro ato aconteceu no dia do fatídico jogo do Brasil contra a Alemanha, na terça-feira, 8, na supermercado Extra do Shopping Aricanduva, em São Paulo, e foi todo gravado em vídeo. Segundo um dos que participou do evento, Tiago Freire Galharde, 27, contou para o Blogay por telefone: “era um grupo de umas 15 pessoas, uns entraram para comprar cerveja para uma outra festa e outros ficaram esperando. Um casal de amigos se abraçou e deu um selinho, quando o funcionário que aparece no vídeo veio e falou: ‘vocês podem ficar aqui, só não podem fazer baixaria’”.

Todos entenderam que a baixaria era ser homossexual e dar um selinho.  Tiago disse que eles não estavam fazendo nenhuma baixaria. O funcionário falou que um casal hétero poderia se beijar, mas um casal gay não. Como pode ser conferido no vídeo que foi compartilhado nas redes sociais.

Tiago contou que recebeu, depois do vídeo, recados de um homossexual e um casal de lésbicas que já foram acuados pelo mesmo funcionário. Eles mesmo ficaram apreensivos pois  ele disse que funcionário ameaçou que, “depois de bater o cartão, ia dar sua opinião do lado de fora”. Além do funcionário, no vídeo aparece também um senhor de azul que disseram para o grupo que era gerente e que, no final, eles chamaram os seguranças para encerrar a discussão.

O grupo vai se reunir na noite desta sexta-feira, 11, para decidir o que fazere como proceder em relação ao ocorrido e já receberam apoio de advogados e ativistas LGBTs para denunciarem o ato no Decradi, a Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância,  dentro da lei estadual anti-homofobia 10.948/01, que pode gerar multa, e até cassação da licença de funcionamento.

A assessoria de imprensa do grupo Pão de Açúcar, ao qual pertence o Extra, mandou comunicado condenando a atitude do funcionário ao Blogay (leia no final da matéria).

Já em Curitiba, no dia 22 de junho, o repórter do Uol, James Cimino, 38, e seu namorado Vinicius Ribeiro, 25, estudante, estavam andando de mãos dadas pelo centro da cidade quando sofreram agressões verbais, revidaram e foram ameaçados à faca.

O próprio Cimino conta: “Estávamos eu e meu namorado andando de mãos dadas pelo centro. Fomos até a praça Tiradentes para que mostrar pra ele a Catedral e o Marco Zero quando um cara bêbado, com cerca de 40 anos (ou mais) começou a gritar que era muita coragem nossa passar ali. Em seguida começou a gritar perguntando quem era o homem e quem era a mulher. Retrucamos perguntando se ele queria apanhar de dois caras, aí veio um amigo dele, outro desses velhotes de cabelo grisalho de raiz amarelada, com dentes igualmente amarelados de cigarro e café e puxou um canivete pra gente. ‘Deixa vir!’, disse ele. Aí eu gritei pela polícia”.

E  prosseguiu: “Como estamos em Copa, o policiamento na região está ostensivo. Imediatamente se apresentaram cerca de dez policiais, que nos trataram como todo policial deveria tratar todo mundo todos os dias do ano: com educação e respeito. Recomendaram que fôssemos prestar queixa e fomos. Os caras foram pegos, mas entre eu gritar pela polícia e eles os pegarem, eles já tinham se livrado do canivete. Provavelmente passou para algum comparsa que estava ali, porque antes de ser pego, ele se escondeu na banquinha de jornal do local, onde também guardava suas coisas. Os caras provavelmente o acobertaram. Como ia demorar muito para conseguirmos dar depoimento, e nosso ônibus era por volta de meia-noite, deixamos nossas fichas de identificação e assinamos que decidiríamos posteriormente o que faríamos a respeito. Os dois caras foram fichados e um deles ficou nos provocando o tempo todo dentro da delegacia, mesmo perante os policiais, que uma hora mandaram ele calar a boca”.

De qualquer forma, mesmo com eles sendo soltos depois, os dois homofóbicos tiveram um certo trabalho e ficaram numa situação desagradável, foram fichados e pensarão duas vezes na próxima vez se querem ter sua tarde interrompida pelo direito de ostentar sua homofobia. Por isto, denunciar sempre.

Outro lado

A assessoria do supermercado extra enviou ao Blogay o seguinte comunicado: “O Extra esclarece que repudia qualquer ato discriminatório e pauta suas ações no respeito à diversidade. A rede ressalta que qualquer ação contrária a essa política, se realizada, está em total desacordo com o Código de Conduta da Companhia, documento que orienta o padrão de comportamento dos colaboradores da rede. A empresa informa que o assunto está sendo avaliado com todo cuidado para que sejam tomadas as medidas devidas e até que se apurem as responsabilidades, o funcionário será mantido afastado”.

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