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Blogay

A contribuição dos gays, lésbicas e travestis para o mundo

Perfil Blogay é editado pelo jornalista e roteirista Vitor Angelo

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A homofobia nossa de cada dia

A data de 17 de maio, considerado o Dia Internacional de Combate à Homofobia, ganha importância maior em nosso país em tempos que a Comissão dos Direitos Humanos e Minoria da Câmara quer aprovar um projeto de lei de “cura gay”.  Exatamente há 23 anos, a Organização Mundial de Saúde retirou a homossexualidade de seu catálogo de doenças.

O projeto do deputado João Campos (PSDB-GO), líder da bancada fundamentalista no Congresso Nacional, quer permitir que psicólogos voltem a fazer tratamentos reversivos em pacientes homossexuais.

A farsa é clara, os interessados querem arrancar mais dinheiro de pessoas que sofrem com os ataques homofóbicos incentivados por estes mesmos que dizem quererem curá-las. Mas a sabedoria popular que pergunta: “Você já viu cabeça de bacalhau, enterro de anão e ex-gay?” é a resposta a tanto obscurantismo. Algo no próprio senso comum percebe o engodo. Homossexuais bem resolvidos não precisam de tratamento, precisam apenas que tenham direitos iguais aos dos héteros, nem mais nem menos.

Protesto contra a homofobia e a transfobia convocado pela Comunidade Athos em frente ao Congresso Nacional (Divulgação/Facebook)

Sim, no dia de combate à homofobia – e não só nele – temos que perceber a homofobia institucionalizada no nosso Congresso ao propor que um projeto deste porte tramite com vigor pela casa. Mas não só o Legislativo transborda intolerâncias, talvez tão perigoso quanto é o silêncio nada inocente do Executivo. Dilma Rousseff, presa política, torturada e que teve apoio dos defensores dos direitos humanos, agora se cala. Os avanços dos direitos LGBT parecem só encontrar eco no Judiciário com a aprovação recente de que todos os cartórios devem realizar o casamento igualitário.

Mas esta briga entre os poderes mostra com clareza o Brasil que vivemos hoje. Um país que faz estudantes – de todas as orientações sexuais – vestirem saia em apoio ao colega que recebeu ofensas de cunho homofóbico e machista em rede social e os que enxergam nestes estudantes os desocupados. Este é o retrato de um país que balança entre o solidário e o mais mesquinho, que vomita picuinhas reacionárias. O Brasil que grita ‘viado’ como ofensa e o que fala ‘ô viado’ para o amigo como camaradagem.

É um momento delicado, os LGBTs não têm muito o que comemorar, mas sabemos que estamos no centro e no desenho do que no futuro poderá ser os cidadãos deste país.

Enquanto isso, na ONU:

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Depois do casamento igualitário no Brasil

Com a decisão do CNJ (Conselho Nacional de Justiça), nesta terça-feira, 14, de exigir que todos os cartórios do país não neguem mais o direito aos casais do mesmo sexo de se casarem e que suas uniões estáveis se transformem automaticamente em casamento, o Brasil – de forma sui generis – entra no rol dos países civilizados que o direito dado aos LGBTs são os mesmo que aos heterossexuais.

Mapa com os países que o casamento igualitário está aprovado (Arte/Uol)

Digo sui generis porque o Brasil continua sendo o país do jeitinho. Se em quase todos os outros países (com exceções da África do Sul e do Canadá, como apontaram leitores do blog) que legalizaram o casamento igualitário foi o Legislativo com o empenho enorme do Executivo que protagonizaram esta conquista, no nosso país este papel está sendo feito pelo Judiciário.

Além disso, foi um movimento que também teve a participação ativa de (poucos) partidos políticos, entidades da sociedade civil e militantes dos direitos humanos. Em dezembro do ano passado,  o Instituto Brasileiro de Direito da Família (Ibdfam), com sede em Belo Horizonte, pediu o regulamento em âmbito nacional do casamento civil entre pessoas do mesmo sexo. No dia 6 de abril deste ano,  o Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) e a Associação dos Registradores de Pessoas Naturais do Rio de Janeiro (Aspen) protocolaram no Conselho Nacional de Justiça (CNJ) o mesmo pedido.

Mas a luta é bem mais antiga como conta o cyber-ativista Benjamin Bee em relato ao Blogay.

“Em 2001, Portugal aprovava as Uniões de Facto [o nome dado ao projeto de uniões estáveis em terras portuguesas]. O Brasil em seguida pegou fogo de desejo de aprovar a Parceria Civil da Marta Suplicy. Nunca o MLGBT brasileiro esteve tão unido, tanto que atraiu a atenção do estrangeiro que também participou de uma campanha fenomenal para que o Congresso aprovasse o projeto de lei. Chegamos a enviar tantos e-mails para as caixas postais dos deputados que o sistema da Câmara chegou a travar. Os deputados reclamaram, Rita Camata pediu que não mandássemos mais e-mails. Mas o que fazer? Eles chegavam, tínhamos que encaminhar. Aí, pra aliviar a barra, o grupo que administrava a campanha resolveu mandar por pacote. Bom, ao final Roberto Jefferson e Aécio Neves ‘decidiram’ que o projeto não iria à votação. Aquela desculpa de sempre que existe até hoje. Vocês sabem como o Congresso é com nossos assuntos, em particular com o casamento [igualitário].

Dez anos depois, o STF (Supremo Tribunal Federal) nos brinda com a união estável e, mais dois anos, o CNJ (Conselho Nacional de Justiça), com o casamento. Uma luta que na verdade começou há mais de 12 anos.

Fui à rua, fui comprar pão e não me saía da cabeça que agora vivo num país onde dois homens e duas mulheres podem se casar. Como se um ciclo tivesse se fechado. Mesmo assim, a ficha ainda não caiu.

Há uns três anos, entrei no Orkut e me inscrevi num grupo que apoiava o casamento gay, o ‘Eu apoio casamento gay’. Ali conheci vários que hoje estão aqui e entre eles justamente o Walter Silva. Foram meses lindos, até que o STF resolveu que ia julgar a ADIN e a ADPF. Ninguém acreditava que seria possível. Eu não só acreditei como fui o único que acreditou em decisão unânime dos Ministros. Claro que me acharam maluco. Teve gente que falou que algum deles pediria vistas do processo e eu disse que seria aprovado sem pedido de vistas. E não deu outra. Saiu rapidinho.

E eu dizia que sendo admitida a união estável, a conversão em casamento deveria ser automática. Waltinho não botava fé. E eu ainda dizia que depois da conversão automática, também deveria ser automático o casamento direto. Quer dizer a igualdade plena.

O STF foi além da união estável e declarou a família homoparental legítima. Agora é só uma questão pró forma.. O Código Civil vai ser modificado e a situação regularizada na lei. Não há como fugir disso. É questão praticamente encerrada faltando agora só a burocracia parlamentar.

Isso não vai dar fim à homofobia, nem vai aliviar. Porque são tão poucos os casais homoafetivos que eles desaparecerão na sociedade. O fim da homofobia, que é sim a liberdade a ser alcançada, só virá com a equiparação da homofobia ao racismo. Equiparação, não basta criminalizar. É fundamental que as pessoas LGBTs recebam o mesmo respeito que os afrodescendentes, os étnicos, judeus…

Chegou a hora do partido do governo, e do Executivo fazerem a sua parte. Dilma prometeu não interferir no casamento mas prometeu acabar com a homofobia. Agora é com o Senador Paulo Paim”.

Em um certo momento, nos últimos dois anos, a militância dividiu prioridades, alguns lutavam com mais empenho pelo casamento igualitário e outros pela criminalização da homofobia. Com o processo de um quase se encerrando, o foco agora é tentar equiparar os crimes homofóbicos aos de racismo e contra mulher. O PLC 122 – projeto de lei que crimanliza a homofobia -  está nas mãos do senador Paulo Paim (PT-RS), por isto apelo de Bee. Ainda há muita história para ser feita.

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Beijo gay do ‘Porta dos Fundos’ gera polêmica

O vídeo publicado no Youtube, na segunda-feira, 6,  pelo grupo “Porta dos Fundos” teve até este momento quase 1,8 milhão de acessos e mais de 17 mil comentários. O número de “views” esta dentro da média que o grupo faz por cada vídeo lançado, mas o número de comentários é muito superior. A razão: tem um beijo entre dois homens. E as postagens se tornaram um palco de embate entre  os defensores e os detratores da cena.

Dois comentaristas de futebol discutem a relação enquanto narra-se um jogo. Indiretas são dadas e o final a explosão sexual vem à tona.

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O beijo incomodou alguns moralistas e criou-se um debate. Em entrevista para o jornal “O Globo”,  um dos criadores do grupo e protagonista disse: “O final é um beijo porque é mais engraçado assim. Se um abraço fosse mais divertido, teríamos optado pelo abraço. A intenção não era fazer barulho, mas fazer uma boa piada. Mas fiquei feliz de ver que o vídeo gerou uma discussão em torno do tema. Eu, particularmente, defendendo a causa gay”.

Seu parceiro no vídeo e no grupo, Gregório Duvivier, disse claramente: “Nós todos [do Porta dos Fundos] abraçamos a causa gay, então foi bacana ver o vídeo sendo compartilhado nas redes por quem apoia o movimento”.

Mas além da postura pró direitos LGTB, Duvivier foi mais fundo em relação aos que se incomodaram com o vídeo: “A gente não liga para o público conservador. É importante empurrar as barreiras para quebrar os preconceitos. Se não fizermos isso, vamos cair no erro da TV aberta, que se preocupa demais com o que o tal ‘grande público’ quer ver. Não queremos ser escravos do público”. Com certeza, um ato de coragem.

Desde que surgiu, Porta dos Fundos tem se mostrado um diferencial aos chamados humoristas playboys – nome criado pelas jornalistas Nina Lemos e Cynara Menezes – para uma turma de jovens cômicos que fazem stand up e adoram apavorar as minorias com piadas cruéis e se borram de medo de fazer humor com a mesma mordacidade com os poderosos. O grupo Porta dos Fundos é mais sagaz, mais crítico e com posições políticas claras e não por isto menos humorados.

Além do mais, eles entendem a missão do fazer cultural e artístico: quebrar barreiras, mostrar o que não parece visível, afrontar o establishment. Enfim, o Porta dos Fundos entende a raiz  do humor. Eles têm aquilo que falta em quase todos humoristas playboys: coragem.

No belíssimo livro de Flávio Di Giorgi, “Sentimentos Humanos: Origens e Sentidos”, o professor explica o que coragem significa. “Indica disposição para fazer aquilo que se julga devido, em dada situação, por impulso do coração. Presta-se à realização de grandes ideais, benefícios para as pessoas de determinados grupos de amigos ou afeiçoados, tendendo a se estender, no limite extremo, a toda a humanidade”. O Porta dos Fundos são nossos amigos corajosos!

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Sair do armário é uma questão social ou individual? Jason Collins e a Parada LGBT

Nesta semana fomos surpreendidos pela saída do armário do jogador da NBA Jason Collins. Ele assumiu a homossexualidade em artigo publicado pela revista “Sports Illustrated”. Como o primeiro jogador ainda na ativa e dentro de uma das  mais importantes ligas de esporte dos Estados Unidos é claro que sua declaração tem um peso social muito grande.

Jason Collins durante jogo do Washington Wizards contra o Chicago Bulls; pivô se tornou o primeiro jogador da NBA a declarar que é gay.(Tannen Maury-17.abr.2013/Efe)

Ele abre caminhos, assim como Daniela Mercury fez aqui no Brasil ao assumir namorar a jornalista Malu Verçosa, para desmistificar e tirar de um gueto distante os homossexuais. É a saída de armário de muitos que faz com que cada vez mais se entenda a homossexualidade com naturalidade. O fato de ter algum amigo ou mesmo parente, isto é, algum gay ou alguma lésbica por perto, fez com que as famílias americanas encarassem o casamento igualitário com menos preconceito e a população dos Estados Unidos em sua maioria apoiassem, segundo pesquisas , o relacionamento entre pessoas do mesmo sexo.

Isto mostra que a questão sair do armário traz uma questão social importante, mas em seu núcleo a atitude é meramente individual. Daniela Mercury ao declarar seu amor disse: “Sou apaixonada por Malu, pelo Brasil, pelas liberdades individuais. Eu acho que conquistas a gente não pode esquecer”.

Nesta frase, ela diz o ponto central de assumir sua sexualidade, as tais liberdades individuais. É uma questão do indivíduo, é ele quem deve decidir o momento certo, de abrir aos outros algo que ele é de seu íntimo, que é ligado ao seu desejo e só ao desejo dele e de mais ninguém.

Não existe nada mais desrespeitoso do que forçar alguém a sair do armário. Durante um passado não tão distante, uma parte da militância teve um péssimo hábito, bem mal educado de retirar a força famosos do armário. Nada mais rude.

Com o tempo, percebeu-se a agressão e políticas deste tipo escassearam. E é também com o tempo que assumir ser gay vai cada vez mais estar no seu lugar correto, o das questões individuais.

A 17ª Parada do Orgulho LGBT de São Paulo traz a questão para ser o tema de seu evento. Com o nome “Para o Armário, Nunca Mais!”, a recolocação da questão no sentido social parece ser algo necessário, urgente. No campo individual, sabemos que quando se faz o chamado “outing”, não tem mais volta, não há como retornar ao armário.  No campo social – onde sair do armário cada vez vai ter menos impacto -, pode ser uma metáfora para políticas conservadoras contra os LGBTs.

Mas será que em tempo de ataques diretos de intolerantes e conservadores, seria tempo de metáforas? Com projetos de “cura gay” na Câmara, uma PLC122/06 – a lei anti-homofobia – tendo pouca visibilidade e tramitando pelo Legislativo,  assassinatos homofóbicos aumentando em escala desproporcional e a questão do casamento igualitário em debate pelo país e pelo mundo, a Parada, ela mesmo acabou metaforicamente entrando no armário e acanhando-se de discutir temas verdadeiramente relevantes hoje para os LGBTs de forma mais direta.

O outro lado

O Blogay procurou a APOGLBT (Associação da Parada do Orgulho GLBT de São Paulo) e perguntou por que a escolha do tema.

“Com o tema do 17º Mês do Orgulho LGBT de São Paulo, a APOGLBT pretende dar uma resposta ao recrudescimento do conservadorismo, observado no atual cenário político do Brasil. Após o reconhecimento da visibilidade e a algumas conquistas, a população LGBT passou a ser abertamente perseguida por setores fundamentalistas e intolerantes que visam tolher a igualdade plena, o respeito às diversidades e a laicidade do Estado. Ao afirmar “Para o armário, nunca mais!”, a Parada convoca os LGBTs para o enfrentamento, diz que a luta pela isonomia de direitos e nega as tentativas retrógradas desses setores em levar @s LGBT de volta para o gueto, a marginalidade e a clandestinidade. A sociedade brasileira já não abre mão da concretização da cidadania, por isso, precisa se manter unida e consciente para que novos avanços sejam garantidos, sem que haja retrocessos”.

Cartaz da 17ª Parada do Orgulho LGBT de São Paulo (Divulgação)

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Roupa como divisão de gênero: Estudante cola grau de salto alto na Bahia

O papel das roupas, além de cobrir o corpo, é também deixar claro o limite entre gêneros., separar masculino de feminino com bastante precisão. Claro que isto nunca foi algo estanque. Por exemplo, os bravos guerreiros romanos usavam saiote, que hoje é um elemento ligado à feminilidade. Na corte absolutista de Luis 15, homens se maquiavam e usavam salto alto e isto era o código da época. Hoje, o salto alto comumente pertence às mulheres, mas muito tem se questionado a roupa como divisão de gênero, então por que esta indumentária – o salto alto – tão ligada desde o século 19 ao feminino não pode ser usada por pessoas do sexo masculino?

Foi que fez o estudante baiano Manasses Pessoa que em sua colação de grau, na terça-feira , 23, resolveu ir de beca e… salto alto. Ele se formou em Artes e Gestão Cultural na Universidade Federal da Bahia.

Manasses Pessoa usa salto em sua colação de grau (Reprodução/Facebook)

Em seu Facebook, ele explicou o porquê: “Foi assim… No começo foi tudo como manda o figurino. Entrei de mão dadas com minha madrinha, tirei fotos com amigos e familiares. Quando sentamos, percebemos que estávamos no momento de dizer: ‘Esse é meu momento e eu lutei por isso’. Acho que em meio a tantos brilhantes alunos, existiam várias personalidades artísticas para também ser orador da turma. Mas já que fui eu, então não poderia deixar passar assim tão barato, tão comum e tão tradicional. Alguns espectadores ficaram sem entender, outros acharam que foi um espetáculo artístico, já que a formatura era de Artes, mas o fato é que minha atitude foi uma EXPRESSÃO POLÍTICA, um ato político para dizer que luto por uma minoria que sofre diariamente com a opressão, o desrespeito e a descriminação. Eu colei grau, eu cursei uma universidade, mas poderia estar à margem disso tudo se não tivesse o apoio da família e o respeito e carinho dos amigos. Mas quantos de nós não temos a mesma oportunidade por estar fora dos padrões sociais? Não podemos deixar que uma norma social e religiosa determine o futuro dos outros. Reflitam”.

Na mesma semana, a cantora Celine Dion fez uma revelação no programa de entrevistas Katie Show, da jornalista Katie Couric, na emissora CBS. “Um dos meus filhos, Nelson, que tem dois anos e meio, anda melhor de saltos do que eu. Eu não sei como ele faz isso, mas eu não sou a única na família que ama sapatos”, disse rindo.

Nelson, filho da cantora Celine Dion, usando salto (Reprodução/Vídeo)

Sei que para alguns isto é sinal dos fins dos tempos, mas tirando o conservadorismo da frase, é realmente o final de uma era que as roupas ainda precisam indicar se eram pra homem ou para mulher, ela agora é para o indivíduo e sua liberdade de escolha.

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Comissão Extraordinária dos Direitos Humanos e Minorias: a praça é do povo

Quando as Diretas Já, nos anos 1980, não foram aprovadas, eu lembro que chorei. Era madrugada e eu ali chorando. Uma amiga muito sábia me disse na época: “a democracia não é algo dado, é algo conquistado”. Anos mais tarde, grande parte dos deputados que votaram contra as eleições diretas não conseguiu se reeleger.

Foi também nesta mesma época que a Folha fez uma capa histórica com uma foto do comício pró democracia na Praça da Sé, em São Paulo.  Nesta quinta-feira, 25, o jornal volta a fazer uma página histórica. Os cartunistas da casa se uniram e fizeram um grande beijaço em protesto ao estado – lamentável – que se encontra a Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara. O beijaço, iniciado por artistas que se engajaram na causa, é um dos símbolos dos que não concordam com o que está acontecendo e é também um sinal de amor contra o ódio velado que reina hoje nesta Comissão.

Cartuns em beijaço (Reprodução)

À noite, o cartunista Laerte, o deputado federal Jean Wyllys (PSOL-RJ) e líderes de movimentos negros, LGBT e sociais se reuniram na praça Roosevelt para uma sessão extraordinária de como deveria funcionar uma legítima comissão dos direitos humanos. Já que atualmente o Congresso não é do povo, a praça sempre será, como afirmou o poeta Castro Alves.

Comissão Extraordinária de Direitos Humanos e Minorias na praça Roosevelt, em São Paulo (Reprodução /Instagram)

- Eu sou negro…

- Eu sou idosa…

- Eu sou mulher, feminista…

- Eu sou gay e do candomblé…

- Eu  sou artista de rua…

Comissão Extraordinária de Direitos Humanos e Minorias na praça Roosevelt, em São Paulo (Marlene Bergamo/Folhapress)

Muitas vozes se levantaram, as que estão mudas hoje no planalto central do país foram ouvidas no planalto de São Paulo. Todas muito tocantes e necessárias, mas teve uma que pessoalmente me chamou atenção.

- Eu sou um cidadão comum e eu venho aqui como cidadão comum, não faço parte de nenhum partido nem de nenhum movimento social. Mas eu vim aqui porque entendi que o cidadão comum também pode ajudar a mudar as coisas, que ele deve e pode protestar e se levantar contra o estado das coisas.

Neste momento veio à mente minha amiga: “a cidadania não é algo dado, é algo conquistado”.

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MTV lança vinhetas contra homofobia e anuncia documentário sobre o tema

A MTV sempre tomou posições em relação à temas espinhosos como sua campanha para a prevenção da Aids, em uma época que a doença era vista por grande parte da população mundial como “peste gay” no meado dos anos 1990. Neste mês, eles lançaram vinhetas contra a homofobia com depoimentos de famosos do mundo da música e das artes se posicionando contra a violência em relação aos LGBTs ou aqueles que parecem ser gays. Para o dia 17 de maio, Dia Mundial da Luta contra a Homofobia, eles terão uma programação toda voltada ao tema e lançarão um documentário sobre o assunto.

Laerte no Voz MTV (Reprodução/Vídeo)

Philip Rossetto, responsável pela criação das vinhetas batizadas de Voz MTV e co-autor junto com o cineasta Dácio Pinheiro do documentário contra a homofobias, conversou com o Blogay sobre o projeto.

Blogay – Como foi pensada a lista de entrevistados?

Philip Rossetto - O Voz MTV foi pensado então para falar com pessoas do universo do nosso publico – ou seja, pessoas ligadas à música e seus respectivos nichos (hip-hop, rock, punk, MPB, etc), cultura pop (moda, literatura) , representantes da atual geração que estão de alguma forma engajados nessa mudança social, e o único historiador – embora seja mais escritor que historiador – que tem uma pesquisa séria sobre a homossexualidade no Brasil que é o João Silvério Trevisan (uma pessoa que não faz parte diretamente de nenhum movimento militante, mas que conhece a história de todos e tem discernimento para analisar a situação hoje e num passado próximo).

Entendo que hoje há uma discussão mundial voltada à homossexualidade. É até aceitável que a conquista de direitos seja questionada nos campos politico, judiciário e até religioso. Mas o preconceito e a violência são inquestionavelmente condenáveis. Acreditamos que o preconceito é fruto de ignorância e ignorância se combate com informação. Nossa missão focou-se na questão social. Trabalhamos com a realidade. Nenhum político ou atuante do movimento LGBT foi chamado por isso: porque estamos trabalhando em uma outra esfera da questão. No entanto, temas ligados a essas questões são inevitáveis, pois, segundo nossos entrevistados, o surto de homofobia que vivemos é resultado da resistência à equiparação de direitos.

Não tem nenhum homofóbico (nos depoimentos) porque, felizmente, não há nenhum artista ou intelectual que defenda a violência como direito legítimo.

Como foram as entrevistas?

As entrevistas foram espontâneas e longas, uma vez que já tínhamos a ideia do documentário em mente. Foi um tom mais de conversa, ligado ao universo que aquela pessoa vive e representa. A Flora Matos contou como é vista a homossexualidade dentro do movimento hip-hop, a “mercenária” Rosália Munhoz mostra sua visão vinda do punk, assim como o Clemente, o Herchcovitch falou como a privação de direitos afeta sua vida pessoal, assim como o Laerte, o Lobão do ponto de vista filosófico dele e assim por diante. Os temas que apareceram foram, claro, a violência, em primeiro lugar, mas também questões como a PL122 (lei em trânsito no Congresso que criminaliza a homofobia), a educação e os efeitos que a privação de direitos gera na vida dos 20 milhões de homossexuais brasileiros. Tentamos ser abrangentes nas vinhetas que estão no ar e no Youtube e dissecamos tudo no documentário que vai ao ar dia 17 de maio, Dia Mundial da Luta contra a Homofobia.

Campanhas de prevenção à AIDS foi um passo para o posicionamento contra a homofobia?

Eu posso te dizer o ponto de partida criativo da campanha. De fato, a MTV sempre foi referência nas campanhas de Aids e uso da camisinha. E a camisinha sempre foi condenada por extremistas. E você nunca viu uma campanha de use camisinha com um “A Instituição/igreja adverte: fazer sexo antes do casamento é pecado, prime pela abstinência”. Seria de muito mau gosto com pessoas que já sofrem com essa situação e não é essa a função de uma TV como a nossa. No caso da homofobia é a mesma coisa: não se pode confundir  “liberdade de expressão”  com incitação à violência. Colocar a vida de pessoas em risco, ou pra ser mais exato, privar pessoas da liberdade de serem o que são é uma irresponsabilidade. E quando falamos em homofobia, é isso que estamos falando: respeito X violência. Uma violência que atinge 20 milhões de brasileiros diretamente, sem contar suas famílias.  Então não, a gente não apoia a violência e o preconceito, de nenhum tipo. Não há imparcialidade alguma nisso, é uma questão de bom senso. E até um fundamentalista da vida, por mais que pratique violências constantes e inconscientes, não é capaz de defender a violência como meio correto de agir. Não há argumento que comprove a sua eficácia, ainda mais se o fim para essa eficácia é passível de discussão. Apesar da resistência na equiparação de direitos, espancar, estuprar e matar não são a melhor maneira de se opor.

Um ponto importante é que a homofobia acaba afetando também héteros como o caso do pai e filho em São João da Boa Vista (SP) que foram espancados porque estavam abraçados e os homofóbicos acharam que eles eram gays. É importante uma emissora se posicionar?

Uma pessoa é espancada sem motivo na esquina da sua casa. Faça ela parte do nosso círculo ou não, o que se há de ser imparcial nisso? O Laerte respondeu muito bem a esta questão: “mas ele não estava desmunhecando?”. E isso lá é motivo para agredir alguém? Lamento, mas não há como ser imparcial em uma situação como essa.

O trabalho de uma emissora de TV utiliza uma concessão pública. Por isso, o que ela faz  precisa  promover o bem para todos os envolvidos nessa cadeia: telespectadores, seu entorno e a própria emissora.

Todos se beneficiam com o respeito e a tolerância.

Agora, sobre o posicionamento moderno… veja bem, enquanto ainda se discute o beijo gay na TV, o nosso, o primeiro beijo gay da TV brasileira (que foi na MTV) já tem mais de uma década. As novas gerações lidam com essa questão com uma naturalidade muito maior do que gerações anteriores. Como falamos de igual pra igual, a naturalidade também transparece nesse sentido. A verdade da vida das pessoas é muito mais simples do que nos comentários anônimos da internet.

O André Baliera, espancado no meio da Henrique Schaumann diz que o caso dele (que levou pontos no hospital) não foi o pior que já viu. Contou no nosso documentário de uma mãe que pagou para que a própria filha fosse estuprada para “deixar de ser lésbica”. Então onde estamos colocando o preconceito na nossa ordem de prioridade social? Acima do respeito, da compaixão, e até do amor? Será que é esse o lugar que ele merece, o de principal regente da nossa sociedade? Essa reflexão é o que tentamos promover com esta campanha.

Veja as vinhetas clicando aqui.

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Enquanto fundamentalistas protestam à vontade, militantes gays e negros são barrados no Congresso Nacional

O Congresso Nacional é conhecida como a casa do povo, assim deveria ser, mas no fundo não passa do mais fiel retrato do nosso país, um lugar que segrega e que, no fundo, tem medo do própria população que deveria representar.  Claro que a lógica reacionária chama os protestos de baderna, é a antiga cantilena de demonizar o inimigo, de tirar a voz daqueles que ousam se pronunciar, e sim, no grito, pois muita coisa está engasgada para o brasileiro. É preciso gritar, pois eles – nossos congressistas, em sua maioria – estão surdos na arrogância da soberba do poder. Ontem, os índios conseguiram “invadir” a barbárie que estava acontecendo no silêncio do plenário quando os políticos queriam tirar do Executivo o poder de demarcar as terras indígenas e assim facilitar a bancada ruralista – mancomunada com os fundamentalistas religiosos – de diminuir as áreas das terras indígenas. Foram chamados de baderneiros. Mas, nesta quarta-feira, 17, eles foram barrados, mas não só eles, o movimento negro e LGBT também ficou de fora a princípio da tal “casa do povo”.

Para o Blogay, o militante Todd Tomorrow, um dos responsáveis pelas passeatas em São Paulo contra Marco Feliciano e o fundamentalismo religioso relatou: “Os índios que estavam no Congresso foram expulsos. Chegamos de ônibus com o pessoal da Educafro. Já na entrada do anexo 3, também fomos barrados! A policia legislativa disse que estava muita bagunça e que não deixaria ninguém entrar. Olha só, a casa do povo, tomada pelo poder econômico e pelos obscurantistas. Índios, negros, LGBTs, tudo jogado na calçada”.

E continua: “Depois de muito debate com a polícia, conseguimos com que algumas pessoas dos movimentos sociais entrassem. Então começamos a pressionar de dentro e de fora: ‘Deixa o povo entrar! Deixa o povo entrar!” Foi só então que alguns parlamentares foram até a porta e fizeram alguma coisa, como pressionar o Henrique Alves (PMDB- RN) que ontem saiu correndo dos índios depois de tentar vender suas terras para bancada ruralista. La dentro, encontramos um cenário desolador. Os manifestantes pró-Feliciano já estavam lá, acomodados e tomando suquinho. Tudo pronto pra mostrar para imprensa que o pastor-deputado tinha amplo apoio. Os poucos manifestantes LGBTs que tinham conseguido entrar até então, estavam exauridos. Quando viram o movimento negro chegando, se encheram de esperança e encontraram forças pro embate dessa guerra cultural instalada no Brasil. Foi lindo! E o Feliciano, ficou chocado! Pois viu que o movimento negro agora tá na fita”.

Movimento negro protesta contra o fundamentalismo religioso no Congresso Nacional, nesta quarta-feira, 17 (Reprodução/Facebook)

O resultado deste embate foi que “no final, a Frente Parlamentar Pelos Direitos Humanos quis falar com a gente e conseguimos cavar uma audiência pública para daqui algumas semanas”, como conta Todd.

Movimento social e LGBT protestam contra o fundamentalismo no Congresso Nacional (Reprodução/Facebook)

Agora, fica mais claro a rua de mão única que se desenha no Congresso. Grupos religiosos ligados aos fundamentalistas foram à Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania da Câmara dos Deputados e pediram pelo saída  dos deputados José Genoino (PT-SP) e João Paulo Cunha (PT-SP). Oras, a sessão continuou aberta, e mesmo com o falatório e placas dos fundamentlsitas religiosos, eles não apanharam da polícia legislativa como os diversos relatos contados por militantes LGBTs inclusive em vídeo do Uol e puderam exercer seu protesto. Isto se chama democracia. Da mesma forma que estes políticos escutarem os protestos, Feliciano também deveria ser democrático e escutar o que as pessoas têm a dizer a ele, e não se prender em uma masmorra de marfim.  Ou o fato de ser fundamentalista te torna menos baderneiro que os outros? Isto não seria privilégio ou ditadura do fundamentalismo religioso?

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O casamento igualitário no Uruguai e no Brasil

O Uruguai se tornou o segundo país latino-americano (o primeiro foi a Argentina, em 2010) a legalizar o matrimônio igualitário ou, como midiaticamente ficou conhecido, casamento gay. Quarta-feira, 10, a Câmara dos Deputados daquele país aprovou por 71 votos contra 21 a lei que dá isonomia às relações entre pessoas do mesmo sexo e de sexo distintos.

O vídeo abaixo é de arrepiar (de alegria para os defensores dos direitos humanos e de horror para os fundamentalistas). Aos gritos de “liberdade”,  o Uruguai tornou-se um país ainda mais livre.

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Enquanto isso, no Brasil…

No mesmo período, o advogado Paulo Iotti, autor do livro Manual da Homoafetividade, elaborou em nome do PSOL (Partido Socialismo e Liberdade) e da ARPEN-RJ (Associação dos Registradores Naturais do Estado do Rio de Janeiro), a pedido do mandato do deputado federal Jean Wyllys (PSOL-RJ), requerendo ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) que elabore ato regulamentar que determine a todos os cartórios de registro civil do país a aceitarem pedidos de conversão de união estável homoafetiva em casamento civil e de casamento civil homoafetivo direto, sem necessidade de prévia união estável.

Paulo explica: “Em síntese, a tese é a seguinte, considerando que a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que reconheceu o direito de casais homoafetivos à união estável tem ‘força de lei’ (efeito vinculante e eficácia ‘erga omnes’) e que uma das consequências lógicas desta decisão é a possibilidade de conversão de união estável homoafetiva em casamento civil (pois, na parte vinculante, determinou-se que a esta sejam garantidas as mesmas “consequências” da união estável heteroafetiva e uma de tais consequências é a possibilidade de conversão em casamento civil), o reconhecimento da possibilidade da conversão torna-se obrigatório e, portanto, pode ser regulamentado na esfera administrativa (e não “legislativa”, no sentido estrito do termo).

E conclui: “Assim, sendo obrigatório reconhecer o direito à conversão da união estável homoafetiva em casamento civil, tem-se por igualmente obrigatório reconhecer o direito ao casamento civil homoafetivo direto, sem necessidade de prévia conversão, por ser absolutamente incompreensível e inexplicável juridicamente o casal poder se casar via conversão e não poder se casar de forma direta (pois isso, na prática, geraria uma exigência de uma espécie de “estágio probatório” da união homoafetiva para ela poder ser ‘merecedora’ do casamento civil, algo que não se exige de uniões heteroafetivas, o que afronta o princípio da igualdade, pela arbitrariedade de tal diferenciação, bem como o princípio da dignidade da pessoa humana, por claramente denotar que a homoafetiva só seria ‘digna’ do casamento civil se previamente identificada como união estável, passando por estágio probatório’ que não se exige da heteroafetiva).

Enfim, o casamento igualitário no país, com grandes dificuldades de discussão e aprovação em um Congresso com fortes bases conservadoras, encontrou no Judiciário seu mais forte aliado.

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Por favor, não chamem aquela bancada de evangélica

Queria fazer um pedido para os amigos jornalistas e militantes: não chamem aqueles políticos reacionários do Congresso Nacional de bancada evangélica. É injusto com a totalidade dos evangélicos. Sim, generalizamos, é preciso em certos momentos por recursos da língua e do discurso, mas muito melhor seria chamar aquele punhado de deputados de fundamentalistas. Muitos evangélicos não são intolerantes, racistas ou homofóbicos.

O exemplo que mais me tocou foi o que me aconteceu na sexta-feira, 5.  A copeira do meu trabalho me chamou de lado e disse: “Eu gosto muito de você e sei que você gosta muito de mim. Não concordo com as palavras daquele homem (referia-se ao Marco Feliciano). Vocês (os gays) são muito gente boa e eu oro todo dia para  que você seja feliz da forma que você quiser”. Cosma Herculana é nordestina,  retirante, semianalfabeta – se esforça todos os dias em exercícios de português ou palavras cruzadas para poder escrever as coisas de forma correta – e evangélica. Ela não merece estar no mesmo saco da bancada dos fundamentalistas.

O mesmo podemos falar de Ricardo Gondim, pastor e teólogo , que em entrevista para O Estado de São Paulo disse: “O Supremo foi de uma felicidade extrema quando olhou para a questão homossexual de forma isenta, livre de qualquer pressão, tanto da Igreja Católica como de grupos protestantes e evangélicos. Numa sociedade que se pretende laica, é assim que deve ser. O (historiador e sociólogo) Sérgio Buarque de Holanda já disse que o Estado não é um desdobramento maior da família ou de grupos de interesses. O Estado tem que se distinguir, tem que legislar à parte, porque não se trata de uma família grande. Se não for dessa maneira, o Brasil cai no patriarcalismo, fica sob o controle de oligarquias patriarcais, que irão legislar a partir de seus interesses, para que eles prevaleçam sobre todos”. Gondim não deve estar associado aquilo que chamamos de bancada evangélica.

Eu mesmo tenho amigos evangélicos e não acreditam em “cura gay” ou “africanos amaldiçoados por Noé”.  São defensores da liberdade individual e não entram em radicalismos em nome de uma suposta leitura da Bíblia. Então eu peço, aquela bancada não é evangélica, ela é fundamentalista acima de tudo.

Veja vídeo de Jussara Oliveira, evangélica, colocando alguns pontos nos is:

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