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Maquiadora é confundida com homem e sofre homotransfobia

Por Vitor Angelo

Jake Falchi é uma dessas mulheres lindas que tem uma beleza igual a de meninas andróginas como Jean Seberg e Twiggy. Jake é maquiadora, e eu sei de sua beleza pelas fotos de seu Facebook e de amigos me contarem que ela é realmente bonita, como uma Jane Birkin no clássico “Je T’Aime… Moi Non Plus” (1976). Porém, ao invés dela conseguir um bofe escândalo como Joe D’Alessandro no filme de Serge Gainsbourg, ela conseguiu um não e uma ofensa. Em um momento no país que é tudo preto no branco, ou você é vermelho ou azul, ou homem ou mulher, não há muito espaço para as áreas cinzas, as nuances, a poesia. Blogay entrou em contato com ela que confirmou que foi impedida de fazer uma depilação por ser confundida com um homem e não teve conversa. Isso tudo aconteceu na quarta-feira, 28, na clínica Millanea, em São Paulo.

Jake Falchi, bela e andrógina (Reprodução/Facebook)
Jake Falchi, bela e andrógina (Reprodução/Facebook)

A maquiadora relata: “A gente nunca espera ser confrontado com todo o machismo e homofobia da sociedade, mas a vida dá um jeito de esfregar isso na nossa cara em algum momento. Ontem, por volta das 18h, tentei fazer depilação no Millanea, lugar que eu já havia feito algumas vezes meses atrás. Assim que cheguei, fui barrada na porta, não quiseram me deixar entrar alegando que eu era homem, com muita calma tentei explicar que era mulher (todos aqui sabem que eu sempre sou confundida e que lido com muita graça com o tema, aproveitando sempre para levantar a discussão sobre gênero, etc). Depois da minha tentativa frustrada em provar que eu era mulher, continuaram afirmando que era proibida a entrada de homens no local e pra fechar com chave de ouro, o grande absurdo, a mulher finalizou dizendo que homossexuais também não eram permitidos.”

E completou: “Completamente transtornada com tamanha agressão, gritei que aquilo, além de um grande equívoco, era crime e que não pisaria lá novamente. Saí chorando e quando cheguei em casa me arrependi de não ter chamado a policia e feito um escândalo ainda maior. Isso não pode ficar assim e isso não vai ficar assim. Me comove saber que essa é a realidade vivida por tantas outras pessoas, preconceito de gênero, homofobia e transfobia…”

Para a Folha, ela afirmou: “Eu vou em frente com o processo judicial já na semana que vem e fiquei muito feliz em compartilhar esse assunto tão delicado e que ele tenha tido tanta repercussão”.

Estabelecimentos comerciais discriminarem pessoas por sua orientação sexual ou identidade de gênero é considerado crime no Estado de São Paulo pela lei estadual nº 10.948/2001. O Blogay acionou a coordenadora do CADS (Coordenadoria da Diversidade Sexual), Soninha Francine, mas não obteve resposta até o fechamento deste post.

O outro lado

O blog procurou a Millanea, foi atendido por Isabel que não deu sobrenome nem idade e disse que só comentaria o caso “depois que a matéria fosse publicada.”

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