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A contribuição dos gays, lésbicas e travestis para o mundo

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Blogay é editado pelo jornalista e roteirista Vitor Angelo

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Ser LGBT na República Dominicana – parte 1

Por Vitor Angelo

A República Dominicana está no meio de campo dos direitos LGBT no Caribe e no mundo e isto faz espelho e reflexo com o Brasil na mesma questão. É um país que vive o paradoxo de reconhecer a existência de gays e, ao mesmo tempo, nega-lhes igualdade. Eles não punem a homossexualidade nem a população de transgêneros por serem o que são, como fazem seus vizinhos Jamaica e Barbados, por exemplo. Incentivam o chamado turismo LGBT em suas províncias, tem programas de ONGs voltadas para cuidar desta população em estado de vulnerabilidade e realizam uma famosa Parada do Orgulho Gay na capital, Santo Domingo. Entretanto, a ideia de matrimônio igualitário está longe de ser uma conquista e, agora, em janeiro deste ano, o governo disse que não reconheceria um casamento de pessoas do mesmo sexo, realizado na embaixada do Reino Unido. O país sofre pressões de grupos religiosos, como católicos e evangélicos, que impedem que conquistas dos homossexuais e trans avancem, além da histórica carga de machismo que permeia toda a América Latina.

Paraíso, ops, República Dominicana (Vitor Angelo)
Paraíso, ops, República Dominicana (Vitor Angelo)

Blogay esteve no país. conversou com militantes, visitou ONGs, projetos de incentivo ao turismo LGBT e conheceu um pouco como é ser LGBT na República Dominicana e, espante-se, não é muito diferente do Brasil: LGBT de todo o mundo (ou da América Latina), uni-vos!

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Santo Domingo, a capital do país, é bafo. Além da carga histórica e dramática de ser a primeira cidade das Américas e terra de todo o clã Colombo que ali governou, ela é o epicentro da vida LGBT do país. Tem inúmeros bares, boates com shows de drags e transformistas, localizados, a maior parte deles na chamada Zona Colonial. É neste mesmo distrito que está um espaço de convivência público muito semelhante com o Largo do Arouche, na região central de São Paulo, chamado de Parque Duarte, onde nos fins de semana as monas põem a cara no sol mesmo.

Parque Duarte: babado "xóvem" forte (Vitor Angelo)
Parque Duarte: babado “xóvem” forte (Vitor Angelo)

“Aqui é um lugar de confraternização, encontro com meus amigos para depois irmos para algum bar ou ficarmos aqui mesmo , de papo, paquerando, é um lugar que podemos estar protegidos do preconceito”, diz Manuel Sánchez, 19, para a Folha, explicando, sem saber, o verdadeiro conceito da palavra gueto.

E é no “gueto” que se organiza, semanas antes da parada LGBT, festas com drags engraçadíssimas para arrecadar fundos para o evento. A 8ª Caravana do Orgulho Gay é uma espécie de carreata que aconteceu em Santo Domingo, no dia 5 de julho, com a presença de milhares de LGBT e simpatizantes nas ruas saudando os carros com a já tradicional bandeira do arco-íris.

Com uma cena tão diversa e ‘friendly”, um povo cheio de musicalidade e super hospitaleiro, além de belas praias e paisagens, a República Dominicana acaba por atrair um grande número de turistas LGBT. A percepção dessa demanda é sentida pela rede hoteleira. A rede Marriott, por exemplo, tem uma campanha mundial, mas também muito centrada no país , chamada #lovetravels. É quase um convite para casais homossexuais e trans (ou solteiros mesmos) se sentirem confortáveis nas instalações da rede hoteleira.

Tantos os hotéis Marriott como os Renaissance apoiam projetos como os da ONG Coin (Centro de Orientação e Investigação Integrada) e ProActividad para que seja implantado um turismo com tolerância pela diversidade.

Sede da clínica da ONG Coin, em Santo Domingo (Vitor Angelo)
Sede da clínica da ONG Coin, em Santo Domingo (Vitor Angelo)

Aliás, o Coin é uma interessante experiência, sua clínica fica localizada em um dos bairros mais pobres de Santo Domingo, Villas Agrícolas. Lá, eles cuidam de pessoas com HIV, agem contra o preconceitos aos LGBT, lutam pela despatologização da transexualidade, a questão das drogas, e muitas outras questões que envolvem os direitos humanos.

“A República Dominicana tem muitas violações dos direitos humanos. Temos situações como a prostituição que aqui é nebulosa, não é legal, nem ilegal, depende da polícia e se eles querem ou não reprimir. Temos muitos crimes de ódio contra transgêneros. Este é o grupo mais vulnerável. Entretanto, o nosso objetivo é ajudar que estes grupos vulneráveis possam se organizar e exigir seus direitos. Temos um trabalho de empoderamento para com eles”, declara para o blog o diretor do Coin Santo Rosario.

Empoderar para conseguir direitos parece ser A boa ideia para os LGBT tanto na República Dominicana como aqui.

Leia a segunda parte da matéria clicando aqui.

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