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A contribuição dos gays, lésbicas e travestis para o mundo

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Deus é gay

Por Vitor Angelo
25/04/12 19:30

No final dessa semana, uma pichação causou comoção, em Santa Helena, interior do Paraná. Foram três frases como “Deus é Gay”, “Pequenas Igrejas, Grandes Negócios” e “Fuck the religion”. Os autores foram detidos e o assunto foi tratado como um ato de intolerância religiosa.

Veja o vídeo sobre o caso clicando aqui.

As duas últimas frases são claramente agressivas – independente de você acreditar ou não em alguma religião ou ter suspeitas que certas igrejas são corruptas – mas “Deus é gay” só é ofensiva de um certo ponto de vista cultural: a que considera ser gay algo ofensivo e/ou a que não crê que Deus criou todas as coisas.

Muitos dizem que Deus é mais, é tudo, é amor ou como São Tomás de Aquino disse em sua “Suma Teológica”: “Deus est in omnibus rebus”, isto é, Deus está em todas as coisas existentes.

“De duas maneiras se diz que Deus está em uma coisa: Primeiro, como causa eficiente, e nesse sentido ele está em tudo que criou. Segundo, como objeto de uma operação que está naquele que opera, o que é próprio das operações da alma, em que o objeto conhecido está no sujeito que o conhece, e o objeto desejado naquele que o deseja. Por esta segunda modalidade, Deus está de modo especial na criatura racional, que O conhece e que O ama, em ato ou por habitus”, escreveu o filósofo cristão ao aproximar através da razão aristotelismo e cristianismo.

Ora se os gays fazem parte do mundo criado por Deus, para aqueles que acreditam que Deus criou tudo no mundo, como no caso da Igreja Católica, ela não pode se dizer ofendida, pois se tudo que Deus criou, ele lá está, o mesmo deve ocorrer com os homossexuais, pois – segundo as crenças da própria igreja- Deus criou tudo que existe.

Em suma: Deus também é gay.

Deus est in omnibus rebus (Brisa Issa / Arquivo Pessoal)

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131 comentários feitos no blog

  1. Luis comentou em 26/04/12 at 14:50

    A constituição corre perigo! Por favor divulguem e protestem!

    Cristãos e a busca desmedida pelo poder na política

    A sede por poder parece nunca terminar quando se trata das bancadas cristãs na política atual. A última novidade desagradável foi nessa quarta-feira, 25, a aprovação na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) de uma Proposta de Emenda Constitucioanal (PEC) que permite ao Congresso vetar decisões do Judiciário.

    O projeto foi aprovado por unanimidade numa união política entre deputados evangélicos e católicos logo após ter se tornado prioridade depois da descriminalização do aborto de fetos anencéfalos aprovada pelo Superior Tribunal Federal – as decisões do STF não podem ser contestadas – pelo menos não antes dessa PEC ser analisada por uma comissão especial para depois ser votada em dois turnos com a aprovação de 308 deputados para finalmente ser encaminhada ao senado.

    Vale lembrar que essa onda progressista se deve às decisões do STF e vem justamente por conta da ineficiência do Poder Legislativo em relação à aprovação de Leis que vão contra ao pensamento cristão e a favor de minorias como os gays e mulheres grávidas de fetos sem cérebro.

    Estamos vivendo um momento muito perigoso no Brasil. Estamos correndo o perigo de nos tornarmos um Regime Teocrático, como o Irã. Estamos voltando a uma nova Idade Média. E como na Idade Média o massacre social se deu por uma razão bastante simples: DINHEIRO E PODER.

    Você já viu aquela propaganda de partido que diz que Homem + Mulher + Filhos = FAMÍLIA? Estão querendo nos fazer engolir valores religiosos que vão contra a constituição e a dignidade da pessoa humana.

    Se Homem + Mulher + Filhos = FAMÍLIA, logo podemos dizer que:

    Mulher + Filhos ≠ família

    Homem + Filhos ≠ família

    Homem + Mulher – Filhos ≠ família

    Mulher + Mulher + Filhos ≠ família

    Homem + Homem + Filhos ≠ família

    Mulher + Mulher ≠ família

    Homem + Homem ≠ família

    Pensamentos religioso nada inclusivo, concorda? O Brasil é feito somente para os cristãos? NÃO. Somos pessoas inferiores aos cristãos heterossexuais como nos querem fazer acreditar? OBVIAMENTE NÃO.

    O que acontece:

    1 – quanto mais cristãos nas igrejas maior é a arrecadação de dízimos livres de impostos.

    2 – quanto mais dinheiro livre de impostos, mais dinheiro disponível para a construção de mais igrejas pra conseguir mais cristãos e mais dinheiro livre de impostos.

    3 – quanto mais igrejas e mais dinheiro, sobra verba para bancar campanhas de políticos representantes dessas igrejas.

    4 – quanto mais políticos ligados às igrejas, maior a pressão para calar as minorias e favorecer os ideais cristãos.

    5 – quanto maior repressão política em cima das minorias, maior o poder, maior influência na sociedade.

    6 – quanto maior a influência na sociedade, maior é a quantidade de pessoas procurando igrejas e dando seu dinheiro livre de impostos pra sustentar toda essa cadeia.

    Querer ter o poder de barrar uma decisão do Poder Judiciário é uma atitude muito baixa, independente de qualquer texto político usado pra defender essa postura. Tenho medo do futuro da liberdade nesse país. Já existe um plano de lançar a candidatura de um presidente com apoio financeiro de igreja. Nossa presidenta não faz nenhuma pressão política pra aprovar a Lei Anti-Homofobia porque quer os votos dessa parcela da população. Enquanto isso gays são tratados como cidadãos se segunda categoria, que não podem casar, não podem adotar e não podem sequer sair na rua sem o perigo de serem brutalmente assassinados só pelo fato de serem homossexuais ou transgêneros.

    Se você está tão indignado como eu, por favor espalhe esse texto, essas ideias e toda sua insatisfação com todos seus amigos. Espalhe sempre essas notícias absurdas pra quem você puder. As pessoas precisam se indignar pra tomar uma atitude, o brasileiro é muito pouco combativo. Precisamos estimular o conhecimento no Brasil. Se você acha que não pode fazer nada saiba que você pode sim, espalhe a notícia pra todos, conscientize.

    SÓ O CONHECIMENTO LIBERTA.

    http://mixbrasil.uol.com.br/blogs/franciscohurtz/2012/04/26/cristaos-e-a-busca-desmedida-pelo-poder-na-politica.html

    • Ernesto comentou em 26/04/12 at 15:44

      É isso aí, camarada. E tem gente que, diante destas vitórias do obscurantismo, ainda se preocupa em provar que os gays também são “criaturas de deus”. Oh, minha gente! Vamos deixar estas asneiras de lado e olhar para o que interessa! Abrir a possibilidade de veto ao STJ pelo legislativo desequilibra a relação entre os três poderes e equivale, na minha cartilha, à anti-sala de uma “ditadura do legislativo”. Já imaginaram esse nosso congresso “de primeira linha” mandando e desmandando no nosso país?

      • Luis comentou em 26/04/12 at 16:18

        É quase um golpe de estado! Onde já se viu o STJ ficar a merce dessa gente? Que absurdo é esse ? Mas nem durante a ditadura tivemos uma aberração dessas.

  2. Ernesto comentou em 26/04/12 at 15:37

    Essa discussão a respeito de deus ser gay ou de os gays também serem filhos de deus é uma bobagem e em nada ajuda a avançar a nossa causa. Em vez de nos esforçarmos para convencer que somos “filhos de deus” também, ou seja, de mendigar uma integração à comunidade dos crentes, perdendo de vista o que realmente importa (a integração à cidadania, à comunidade dos direitos), mais vale enfatizar que deus é uma invencionice, um conto da carochinha que habita o mesmo universo ficcional que o coelhinho da Páscoa, o Papai Noel e outras fantasias infantis. A religião é um dos maiores entraves ao progresso da humanidade (não apenas dos gays); é preciso desmascará-la, expô-la no seu ridículo e na sua infantilidade. Não é tentando convencer que fazemos parte desta comunidade de crédulos que vamos conseguir isso. O negócio é o seguinte: ninguém é filho de deus porque ninguém é filho de uma ilusão delirante.

    • Luis comentou em 26/04/12 at 16:20

      Exatamente! Não sou filho desse deus ! Isso nada tem a ver comigo! Não me interessa! Essa assunto é coisa de krenty! Isso só nos prejudica e não acrescenta absolutamente nada!

      • Jonas comentou em 27/04/12 at 11:32

        Outra coisa: se você pegar ódio da bíblia porque acha que ela vai contra sua felicidade, você novamente perderá a guerra contra os homofóbicos. É preciso saber valorizar o que cada religião pode ensinar ou agregar à humanidade, em vez de reforçar esse maniqueísmo “homo x hetero” e repetir os mesmos erros dos crentes bitolados. A bíblia não é totalmente 100% ruim só porque fala em metáforas que as pessoas entendem como fatos concretos, ou só porque prega vários preceitos morais ultrapassados. Todo tipo de literatura está sujeita a isso, religiosa ou não, o que não significa que temos que sair queimando livros por aí como a própria Igreja já fez.

        • Luis comentou em 27/04/12 at 13:27

          Eu não tenho ódio da bíblia! Seria como ter ódio do livro da Branca de Neve e os sete anões… Para mim é apenas um livro cheio de historias absurdas. Se alguém resolve acreditar que Branca de Neve e os sete anões existe e começa a adorá-los não posso criticar o livro mas as pessoas que seja pela sua ignorância ou pq é obtusa. Ate ai td bem. O problema é quando me forçam a seguir Branca de Neve e os sete anões que é o que ocorre. Esse terrorismo religioso já passou de todos os limites, os religiosos se valem da liberdade de religião mas esquecem que temos tb o direito em não crer em nada.

    • Jonas comentou em 27/04/12 at 11:24

      Também não acredito em Deus e concordo que não adianta ficar mendigando integração em religiões ultrapassadas. Não adianta tentar jogar um jogo cujas regras nos condenam desde o princípio a perder. Melhor mudar as regras.

      Porém começo a achar que é perda de tempo tentar convencer a pessoa de que Deus não existe, ou qualquer coisa assim. Não só acho perda de tempo, como acho perigoso o risco de reforçar essa associação antiga entre homossexualidade e heresia. Não adianta caminhar contra a procissão, tudo o que você vai conseguir é levar umas porradas.
      O que nós queremos é tolerância, então temos que ser tolerantes com essa necessidade da IMENSA maioria dos seres humanos de acreditar em seres invisíveis e improváveis. Até porque, se for pensar, a ideia de um Deus não exclui a homossexualidade. Isso é uma herança histórica, dessas que mudam com o tempo.

      *Lembrando que a maioria dos homossexuais acreditam em Deus!*

      • Luis comentou em 27/04/12 at 13:30

        Religião é uma armadilha usada pra nos diminuir. Não sou obrigado a seguir uma religião pra agradar gente ignorante e mal caráter.

        • filho do Deus vivo comentou em 27/04/12 at 18:51

          Luis era exatamente assim q pensavam os habtantes de sodoma e gomorra. Vcs merecem o mesmo fim. eu posso ter os meus pecados meus erros, mas jamais duvidarei de Deus, vcs nao sao ateus vcs apenas ignoram a Deus e ficam irados contra Ele porque ele os deixou de fora dos seu planos. vcs Gays devem sempre lembrar que nunca serao iguais, ate porque vcs foram gerados por um homem e por uma mulher, e nao por dois homens, nem por duas mulheres, me respondam… quanto tempo duraria o mundo se todo ser humano fosse gay. assim como vcs gostariam que fosse? se liga vcs sairam foi por uma vagina e nao por um anus.

          • Luis comentou em 27/04/12 at 21:41

            Eu irado com deus? Como ficar irado com algo que não existe? E não foi deus que me deixou de fora ! Sou eu que deixei um fantasma fora de minha vida! Eu respondo a sua pergunta assim, nos sempre estivemos aqui e estaremos aqui qdo ninguém mais se lembrar de sua religião assim como tantas que ja existiram. Eu que te pergunto, como será o mundo se vc seguir a bíblia e ter dezenas de filhos? vcs vão comer e beber o que se o mundo tiver 50 bilhões de habitantes? Só se vcs cristãos se tornarem canibais ne…

          • Luis comentou em 27/04/12 at 21:54

            “Não que acreditemos que deus exista, mas pensamos que o problema não é o de sua existência; é preciso que o homem se reencontre e se convença de que nada pode salvá-lo dele próprio, nem mesmo uma prova válida da existência de Deus. Nesse sentido, o existencialismo é um otimismo, uma doutrina de ação e, só por má fé é que os cristãos, confundindo o seu próprio desespero com o nosso, podem chamar-nos desesperados.”

            Sartre, Jean-Paul. O existencialismo é um humanismo. 1970.

  3. Bruno da Silva comentou em 26/04/12 at 17:11

    Na Filosofia de Espinosa, a expressão “Deus é Gay” faz muito sentido. Para Espinosa, deus com minúscula nâo é essa criatura espiritual que criou o mundo. Muito pelo contrário: deus é Natureza, ou seja, é massa, energia, átomos, moléculas, vida, pensamento, pessoas, sociedade, galáxias, etc. Segundo Espinosa, o conceito de deus só tem sentido se for ligado à Naturesa. Na filosofia espinosiana, não existe nada FORA DA NATUREzA, inclusive visões espirituais ou outros fenômenos que não entendemos. E se eles existem, ele fazem parte da Natureza, porque TUDO é Natureza. O Homem, a Mulher, O Gay, A Lésbica, o Cachorro, a sua Galinha, o seu Peixe no Aquário, Todos são deus porque todos fazem parte da Natureza, está ligado á Natureza. Deus faz parte da Natureza e não pode estar fora dela. Logo, faz sentido, deus é Gay.

  4. Loner Segundo comentou em 27/04/12 at 9:24

    Ontem eu não consegui dormir pensando em algumas verdades que ouvi numa palestra ontem.

    Não sei se outros já ouviram, mas existe uma agencia Canadense que angaria profissionais especializados (com no mínimo nível superior e 2 anos de atuação na profissão) para trabalhar em algumas cidades, principalmente das províncias de Quebec e Manesota. Ontem fui a uma palestra e depois de uma longa explanação sobre o lugar, as possibilidades de emprego (e claro o longo e dificil processo para se conseguir o visto permanente) abriram a sessão de perguntas.

    Eu, como 99,9% dos gays Brasileiros, que ainda possui um alto índice de homofobia internalizada e foi acostumado (ou mesmo doutrinado) a sentir vergonha da propria natureza, esperei todos perguntarem e ao final, sem mais ninguém na sala me dirigi ao palestrante, um senhor canadense (diria até um senhor do mundo, pois já havia residido ao menos em uns 8 países) de aproximadamente uns 60 anos e disse assim:

    ” Pierre (nome do senhor) eu tenho quase certeza da resposta, mas perguntar não ofende então vou falar assim mesmo. Eu tenho um companheiro a quase 5 anos, sendo que ele tem 48 anos e ainda não concluiu o ensino superior, haveria alguma chance de eu conseguir o visto juntamente com ele?”

    Resposta: ”Por que será que eu já sabia a pergunta que você iria fazer? Em Porto Alegre foi a mesma coisa. Olha, estive em 6 países diferentes nos últimos 10 anos, e posso te garantir que o Brasil é de longe o mais preconceituoso deles, aqui é o único lugar onde para se autoafirmar heterossexual os homens precisam ficar fazendo gozação com os gays. No Canadá, uma união homossexual é tão legítima e válida como uma união hetero, basta que você comprove, já que aqui não há o reconhecimento do casamento civil, através de amigos e parentes que vocês estão a mais de um ano juntos.”

    Eu complemento: ”Mas mesmo ele não se encaixando nos parâmetros exigidos?”

    Resp: ”Rapaz, para lhe ser sincero eu sendo homossexual eu jamais viveria no Brasil, a não ser que houvessem vínculos muito fortes os quais dependessem exclusivamente de mim. É engraçado como vocês estão tão acostumados a serem tratados com discriminação que até as perguntas denotam isso. Eu não falei na palestra que em muitos casos, os maridos e esposas não conseguem atingir a pontuação do companheiro ou companheira, mas mesmo assim por ser companheiro eles ganham o visto também? Voce e seu companheiro são uma família e serão vistos assim por todos lá, Quebec é extremamente gayfriendly e todos os direitos são assegurados a vocês como instituição familiar. Deixa eu te fazer uma pergunta: a quantos meses você está aqui nessa cidade?”

    Eu: 9 meses

    Resp: ” Você conheceu muitas pessoas nesse tempo?”

    Eu: ”Sim”

    Resp: ” E quantas delas sabem que você é gay e sabem que você vive com um companheiro?”

    Eu: ”Somente 2”

    Resp: ”Pois é, lá te garanto que nesse tempo todas as pessoas já te conheceriam como gay, e te tratariam como qualquer outra pessoa. Aqui eu vejo que boa parte dos heterossexuais não querem ter muito contato com homossexuais por medo de que as pessoas passem a duvidar da sexualidade dele, se o homossexual adota uma criança, os pais delas tem receio de deixar o filho ir brincar com seu filho adotivo, lá nada disso existe, aqui se você diz ”fulano é gay” as pessoas correm e fazem uma rodinha para mostrar sua incredulidade naquele fato, lá se alguém diz ” Cicrano é gay” as pessoas respodem, ”a tá, e o que tem demais nisso?” e finalizou dizendo ” Te garanto que lá você terá uma vida muito melhor em todos os aspectos, o Brasil está melhorando, mas creio que você não estará mais vivo quando as pessoas aqui tiverem o mesmo senso de humanidade e cidadania que o de lá.”

    Eu tinha ido na reunião por puro ”desencargo de consciencia” afinal sou concursado e tenho uma vida relativamente estavel aqui no Brasil, mas confesso que passei a noite em claro remoendo essas mensagens, e to até agora com elas na cabeça…se não fosse meu companheiro, acho que eu começaria hoje mesmo o processo, mas creio que ele teria uma resistencia muito grande, então vou bolar uma estratégia, mas de fato estou me sentindo muito estimulado a tentar isso!

    É triste ver que, além de estarmos a anos luz em quesitos como Educação, Saúde e Infraestrutura, em relação a direitos humanos e cidadania também estamos enterrados.

    • Jonas comentou em 27/04/12 at 11:01

      Interessante seu relato. Mas, a não ser que você realmente não goste do Brasil, acho que tem algo de derrotismo em mudar-se pra outro país por causa da homofobia. É o que eles querem: “homossexualidade pode existir, mas longe de mim”, ou “as minorias que se mudem” – mas sabemos que não é assim que funciona, certo? Mais pessoas vão nascer e se descobrir homossexuais, não importa o que aconteça. Tem algo de heróico em ficar aqui no meio dessa guerra. Claro que você tem todo o direito de optar pela sua satisfação pessoal, mas quem ama o Brasil e não quer sair daqui por nada (como eu) vai sentir falta do apoio de quem for embora.

      • Loner Segundo comentou em 27/04/12 at 11:30

        Jonas, de fato vc tem razão, meu companheiro pensa como você, por isso acho dificil mesmo eu ir pois não vou conseguir convence-lo. Entretanto é como eu falava ontem a noite pra ele. Me dá uma certa tristeza, saber que eu sempre vou ser uma espécie de sombra. Eu tenho uma séria dificuldade de lidar com conflitos interpessoais principalmente no ambiente de trabalho, por isso apesar de ser muito bem resolvido e ter o apoio das pessoas mais importantes da minha familia que me apoia, eu detesto ter que estar brigando e discutindo ou tendo que ter uma postura dura e hostil, e se você se assume publicamente aqui você tem que estar disposto a enfrentar muitos conflitos pois as pessoas vão sim falar de vc pelas costas, fazer piadinhas, perguntas incovenientes e julgamentos a respeito da sua vida. Então por isso eu tenho sempre que estar mentindo e inventando histórias, dizendo que meu companheiro é meu colega que divide as despesas, dizendo que sou solteiro, ao andar com ele não poder apresentá-lo oficialmente, enfim é como se eu tivesse duas vidas, a real que eu e poucas pessoas sabem, e a social que é um espelho do que a sociedade entende como aceitável.

        Por isso ao abrir essa possibilidade de ter apenas ”uma vida” no Canadá, eu me sinto muito balançado, é muito boa e tentadora a proposta. Poder ser tratado como qualquer outro é muito importante, só quem é discriminado sabe, uma pena sermos intrusos no próprio país.

        • Jonas comentou em 27/04/12 at 11:43

          Entendo… Se você ficar deprimido demais com isso tudo, talvez nem valha mesmo a pena ficar, né? Estou te falando isso tudo, mas falando pra mim mesmo também, porque muitas vezes dá vontade de simplesmente “cair fora e ser feliz”. Andar na rua de mãos dadas com o namorado, não sentir-se diferente em grupos, ter direitos iguais, etc… Parece o paraíso… Dá mesmo muita tristeza e revolta ter que lidar com discriminação diariamente.

        • Luis comentou em 27/04/12 at 12:39

          Muitas vezes somos mais uteis la fora que aqui! O seu simples relato aqui já ajudou a muitos a ver como é a vida de um gay em um pais justo e civilizado. Isso que nos enfiam na cabeça que somos um lixo, um pecador é um idiotice, temos que ter orgulho do que somos! Temos que levantar a cabeça e andar com ela erguida!

          • Loner Segundo comentou em 27/04/12 at 13:54

            Pois é, na hora eu fiquei tão sem ação que nem falei nada. Olha até pelo desenvolvimento que o Canadá apresenta não se eu seria mais útil aqui do que lá, acho que aqui eu seria mais bem aproveitado dentro do meu ramo, mas é como o colega falou, é um daqueles momentos que vc quer sumir, desaparecer, acordar e achar que tudo não passou de uma piada sem graça.

            Cada comentário que vejo aqui do tipo ”ha os gays não querem ser criticados…” eu fico tentando colocar na cabeça que aquela pessoa está agindo de má fé, por que se ela tiver falando sério demonstra que só explodindo e começando do zero é que teriamos um país mais humano e civilizado.

            Com relação a ”se expor” eu concordo que é um ato político importante, valorizo e admiro bastante as pessoas que apesar de todos os perigos corridos, se dispõe a andar de maos dadas e beijar em público, o problema é que no meu caso eu não tenho estrutura psicológica para lidar com os conflitos que surgirão a partir dessa atitude.

            Sei que parece algo ”Medroso” da minha parte, mas cada um sabe o fardo que suporta. No meu emprego anterior que também era público e via concurso eu pedi exoneração por não conseguir lidar com os conflitos que estavam sendo gerados, e olha que nem eram tão intensos quanto os que eu teria caso assumisse públicamente minha homossexualidade.

          • Luis comentou em 27/04/12 at 14:29

            Assumir ser homossexual em um pais como o Brasil é antes de mais nada um ato de coragem. Dependendo do ramo que vc trabalha certamente será discriminado, provavelmente deixará de ser promovido, seus amigos héteros se sentiram traídos e acharam que vc sempre quis ficar com eles. Nosso povo é ignorante e não respeita. Certamente se vc for e gostar nunca mais retornará, afinal ninguém quer andar para traz, entre respeito e direitos e ignorância e cidadão de segunda categoria não preciso nem dizer entre qual escolher. O problema é que muitas vzs como vc disse estamos tão acostumados a ser achincalhados e desrespeitados que quando somos respeitados achamos estranho e anormal.

          • Luis comentou em 27/04/12 at 14:33

            Lembre-se que quem vem aqui e diz que os gays não gostam de criticas. Essa pessoa é quem critica e não aceita outra opinião que não seja a dele. Claro que a pessoa esta agindo de má fé! Não é que é cidadão de segunda categoria, não é ele que é assassinado e agredido, não é ele que tem direitos negados e alem de td isso ainda tem que aguentar discriminação e preconceito.

    • Luis comentou em 27/04/12 at 11:09

      Não existe vergonha em admitir que nosso pais é podre e injusto, homofóbico, intolerante e extremamente preconceituoso. Então se vc tem a chance de mudar de vida então mude! Não há nada de heroico em dar murro em ponta de faca, não ha nada de heroico em ser agredido, humilhado e assassinado em um pais que não nos merece! SOMOS BONS DEMAIS PARA ESSE PAIS!

      • Jonas comentou em 27/04/12 at 11:17

        Brasil tem muitas coisas ruins, até piores que homofobia. Mas não penso que é “dar murro em ponta de faca” ficar aqui. A prova disso é que antigamente a homofobia no Brasil era muito pior. Em parte isso é consequencia do espelhamento dos brasileiros nos europeus e norte-americanos, mas com certeza grande parte do crédito se deve a quem permaneceu aqui lutando por direitos. Imagina o que teria sido da ditadura militar, por exemplo, se todos os que eram contra tivessem saído do país?

        • Luis comentou em 27/04/12 at 11:49

          O pouco que foi conseguido a duras penas esta ameaçado por grupelhos religiosos. Sozinhos não vamos conseguir nada, muitas vzs vale mais a pena nos irma para fora e ver que existem outros mundos possíveis e qdo vc volta ve como somos humilhados. Somente assim para termos 2 visões do mundo e não apenas essa. As coisas aqui não vão mudar tão cedo, não me refiro somente a leis, o povo aqui é ignorante mesmo que as leis mudem a cabeça do povo levara décadas para isso ocorrer e sinceramente não temos tanto tempo assim. Qdo vc ve a noticia de um gay estripado e nada acontece e a policia prende um 3 moleque que picharam um igreja, sinceramente esse pais não nos merece mesmo. Como disse somos bons demais para esse pais.

    • Bruno da Silva comentou em 27/04/12 at 15:49

      Leonor, deixar o Brasil por que se é gay ou não, não faz sentido. Isso é muito pouco. Não é qualquer pessoa que é capaz de viver no exterior. Você terá muitos obstáculos, a começar pela apredizagem da língua, Inglês e Françês, dependendo do lugar em você pretenderia morar. Você tem que ter uma fortaleza de caráter que você não tem, longe disso. Aprenda primeiro a lidar com conflitos, etc, já seria uma grande coisa. Eu dexei o Brasil já faz 20 anos( e nunca voltei )porque queria explorar o mundo, queria ser um vagabundo em Paris, queria estudar numa Universidade estrangeira, queria aprender línguas, quer estar “on the road” porque li Kerouak e fiquei muito influenciado. E me estabeleci na Suíça e nunca mais voltei. Agora você quer se estabelecer no Canadá só para andar de mãos dadas e beijar em público, ou seja, assumir a sua Homossexualidade em plena luz do dia? É isso memos ou estou enganado? Você tem todo o direito e penso que é importante, se isso vai te dar uma estabilidade emocional, psicológica, etc, mais isso é muito vago. Eu morava em REcife, começei a trabalhar com 15 anos e já pagava curso de Inglês e Françês para mim. No meu trabalho, eu dava a bunda para meus colegas de trabalho numa boa no chuveiro, tomávamos banhos juntos e chupei quase todos, transei com quase todos os colegas de trabalho, até o meu chefe pessoal me comia várias vezes no carro e eu gritando, e dava a bunda para os clientes também e os chupava também e tudo isso era no final dos anos 70 em Recife. Eu andava de mãos dadas a noite com meus namorados, beijava-os também para escândalo dos caretas. Saía das boates bêbados, paquerando os taxistas, os predreiros e os cafuçus, os jogadores me comia na mata, e fazia tudo isso sem pensar em “assumir” a minha homossexualidade. Tudo era natural porque em Recife, os homens adoram comer cu. Eles ficam loucos procurando um Cu para comer.E agora podemos casar e você quer deixar o Brasil porque é veado? Me poupe. Outra coisa: que estória é essa de assumir a homossexualidade no trabalho? Você ganha um salário como concursado e vai para o escritório para trabalhar e produzir algo de valor e justificar o teu salário. Falar do teu amigo, com quem tu moras, ou com quem tu divides o apartamento e as despesas, ninguém tem nada a ver com isso. Aprenda a separar o que É Privado do que é Público. Privado é privado. Você tem necessidade de privatizar a sua vida revelando a sua homossexualidade no trabalho? Então, prepare-se para as consequências, e segundo o seu relato, você não está preparado lidar com conflitos. As pessoas sempre vão falar de você por trás, se você é veado ou não. Se fores um bom profissional, os invejosos incompetentes vão te criticar. Se tens um carro novo, eles vão te criticar também. Então, esqueça isso, enquanto houver gente com boca para falar, haverá críticas sobre tudo. Aprenda a desprezar certos comentários, aprenda a ignorar as pessoas, aprenda a discenir o que é bom na vida, concentrece no que você gosta, você tem um namorado de 48 que não é mais jovem, não sei a tua idade, mais acho que a idade de imigrar is over no teu caso. Tu tens um trabalho fixo. Deixar tudo isso? Você é louco. Tu vais quebrar a cara no exterior, e voltar humilhado sem eira nem beira. Você está idealizando muito o Canadá e se baseando como prova no relato de uma só pessoa. Tá errado isso. Devemos colher informações e jugar por nossos próprios meios intelectuais, sem precisar de amuleto.Tu precisas procurar um psicólogo gay aí no Brasil para te analisar porque penso que, no teu caso, o problema é outro, o buraco é mais embaixo…

      • Loner Segundo comentou em 27/04/12 at 16:48

        Bruno, deixa eu te explicar algumas coisas, talvez me faça entender melhor.

        Cada pessoa tem uma parametro diferente em relação a valores essenciais.

        Para minha pessoa, dinheiro é importante, mas a tranquilidade é algo ainda mais importante, e ser verdadeiro mais ainda, eu sou o tipo de pessoa que por mais que tente, a linguagem corporal me denuncia facilmente quando estou mentindo.

        Eu não quero chegar no trabalho e sair gritando ”eu sou gay, eu sou gay” , entretanto é impossivel você passar 8h em um ambiente com um monte de pessoas sem que algumas perguntas sejam sucitadas como por exemplo:

        Você é casado?

        Você tem namorada?

        Você mora com quem?

        Você não sai a noite para paquerar as gatinhas?

        Então se eu for responder com um : ”Isso não é da sua conta”, em 2 meses a repartição inteira vai estar agindo com antipatia a minha pessoa e com razão, afinal em que empresa ou repartição você não sabe se seu chefe é casado, ou se a secretária tem namorado? Isso é normal, não é nada absurdo nem de esfera extremamente intima que não possa ser respondido. O sexo e seus detalhes de fato são algo que faz parte da intimidade, mas a sexualidade não, é algo social, tanto que todos oficializam sua namorada em casa e com seus amigos, todos fazem festas de noivado e casamento, tudo isso é algo público e amplamente divulgado, nunca vi um hetero escondendo namorada ou casando na surdina. O problema é que a homossexualidade é vista no Brasil como algo sujo e imoral, então como todas as coisas sujas e imorais devem ser omitidas, escondidas, fazem parte de sua intimidade, de sua esfera privada e ninguém tem nada a ver com isso, é como se fosse um ”fetiche louco” daqueles que todo mundo tem mas ninguém tem coragem de contar.

        Sobre o Canadá, se tem uma coisa que o palestrante transparecia era a sinceridade. Ele falou que o processo não é fácil, que exige no minimo 1 ano de preparação para quem já é Anglófono ou Francófono e que ele já chegou a passar 4 anos com uma pessoa até encaminha-la para entrevista por notar que antes disso ela ainda n tinha as condicionantes e não estava preparada pra imigrar. Então eu não vejo por que ele iria criar uma situação inexistente, descrevendo algo que não acontece só para me incentivar a ir, até por que nem precisa, nós vemos todos os dias nas notícias que as políticas públicas para os homossexuais no Canadá são infinitamente mais avançadas que aqui, a capital de Manetuba, Winnipeg, já tinha um prefeito gay na década passada, fora que o casamento civil é legalizado, a adoção também, e vários outros direitos que aqui nós nem sonhamos em ter. Isso não quer dizer que não exista homofóbicos lá, mas é diferente, um homofóbico lá certamente será reprimido, como um neonazista é aqui no Brasil, já no nosso país eles são incentivados, estão nas camadas mais altas de poder e tem uma influencia grande o suficiente para moldar as leis a favor da homofobia.

        Claro que existem dificuldades, afinal outro país é outra cultura (apesar de eu não achar que a cultura canadense esteja tão distante de nós, se fosse um país mulçumano, ou mesmo a Índia e a China, acho que seria pior) entretanto não é dificil notar que num país de pessoas humanas e civilizadas, as pessoas não agiriam com fofocas e intrigas, muito menos com ridicularizações como fazem aqui, certamente pode haver conflitos, um erro numa equipe de trabalho que comprometa o mesmo, um documento não entregue, esse tipo de coisa, mas é algo bem mais leve e mais suave, do que ser mal visto, mal falado e discriminado 8h por dia no lugar onde vc passa a maior parte de sua vida.

        No mais eu tenho 26 anos (para Quebec a idade máxima é 43, para Manetuba 49) por isso que questionei o Pierre sobre meu companheiro, pois daqui a 2 anos ele terá 50 e estará fora da faixa, mas como ele mesmo falou ele é parte da minha família, assim como meus pais, mesmo que tivesse 70 anos iriam comigo caso eu quisesse, e eu sei que tenho limitações de cunho psicológico e vou voltar pra terapia, que já me ajudou muito, e que poderá me ajudar ainda mais, mas não tem terapia que faça a homofobia diminuir aqui no Brasil.

        Andar de mãos dadas, beijar seu marido, apresentá-lo no trabalho são apenas consequencia, o tratamento igualitário é o mais importante e o que proporciona todas essas ações, e isso aqui no Brasil amigo, eu não estarei vivo para aproveitar.

        • Bruno da Silva comentou em 27/04/12 at 17:27

          Leonor Segundo, suas reivindicações são absolutamente justas, você quer ser uma pessoa inteira, um gay inteiro, uma vida homossexual inteira com o amor da sua vida e junto da sua família, vivendo uma vida tranquila sem medo de violência, de sair na rua e ser observado e criticado, etc. Quem é que pode criticar isso e ser contra o seu desejo de expressão pessoal e individualidade absoluta, meu deus? Niguém na face da terra. Quero me restringir apenas ao tema: MORAR NO EXTERIOR. Aí é um terreno muito movediço. Ser gay, tudo bem. Ser gay e morar num país estrangeiro, nada é certo. Para morar no estrangeiro, uma pessoa precisa ter certos traços de carácter, precisa ter um objetivo(ou vários) certo e preciso, procurar o que quer e achar, entendeu?, achar mesmo o que está procurando. E os obstáculos que você vai encontrar, você vai superar TODOS porque você, suponho, tem uma idéia CLARA DO QUE VOCÊ QUER NA VIDA. Dependendo de cada um, tudo pode ser maravilhoso, lindo, enriquecedor, motivante, intelectualmente interessante e rico,”ai meus deus, estou livre agora, posso tudo”, etc. Mas para outros, pode ser uma miséria. Você nem precisa se preparar com conselhos para saber o que você quer fazer. Repito, com certos traços de carácter ou personalidade, tudo pode ser fácil. Muita gente vive aqui de maneira miserável com saudades ou nostalgia do Brasil, sem conseguir se integrar através do aprendizado da língua e sem conseguir trabalhar. Vivem pendurados em telefones ou Skypes falando com parentes que buscam dinheiro fácil pensando que a Europa é um paraíso, pensando que o Fulano aqui vive uma vida de Príncipe. Tudo isso é falso. Seria muito bom se você, um jovenzito de 26 anos, pudesse ir sozinho e ficar sozinho durante 3 meses, dar uma pausa no teu trabalho aí, e depois, voltar numa boa se não der certo. E não perder nada, nesse caso. Nem o seu trabalho e nem o seu amor, espero.
          Você está fazendo tudo através de um representante do Governo do Canadá, então penso que tudo isso é uma maravilha, você terá uma casa onde morar, uma certa renda durante algum tempo, eles vão te dar um trabalho depois de você aprender a língua, etc. Comigo, não tinha nada disso. Era ou dá ou racha, só não trabalhei em cemitério, mas fiz tudo em Paris, e agora trabalho num dos maiores bancos do mundo em Zürich. Valeu a pena.

        • Bruno da Silva comentou em 27/04/12 at 17:59

          Leonor, agora quero falar sobre a cultura do teu ambiente de trabalho. Eu estou PASSADO, de boca mesmo aberta do que você escreveu. Eu não sabia que a Socialização da Sexualidade ou seja, a EXpressão da sua Individualidade Sexual no Brasil se tournou tão gritante e exigente assim. Aqui isso é IM-PEN-SÁ-VEL. Ninguém pergunta se você é casado, solteiro, viúvo, veado ou emancebado. Tudo isso é privado, a cultura aqui é de Calvin, o protestante, a esfera privada é absolutamente intocável. Até nos meios sociais, você perguntar se tens namorada/do, isso não existe aqui e você ouvirá um reprovação de alguém. O ambiente de trabalho aqui é muito pragmático. Você foi contratado para fazer uma tarefa ou várias. Você vai ser julgado e promovido com + salário dependendo dos seus resultados profissionais(o que incluem também a sua relação com os seus companheiros de trabalho no sentido de que esta relação aumenta a produtividade e não atrapalha em nada, claro). Entrar na vida privada de uma pessoa no ambiente de trabalho, fazendo perguntas privadas e maliciosas, VOCÊ VAI PERDER O EMPREGO CEDO OU TARDE, PRINCIPALMENTE SE OUTRO FIZER UMa QUEIXA. Isso é um babado aqui, ninguém mexe com isso, dá processo, dá polícia, dá desemprego e você NUNCA MAIS NA SUA VIDA VAI ENCONTRAR UM TRABALHO AQUI. É o fim da picada profissional para você. Aqui a expressão: “das ist privat” ou “das ist nicht deine Sache”, ou seja, isso é privado, isso não é tua coisa, são expressões correntes. E ninguém ousa contestar. Nesse sentido, eu jamais poderia trabalhar no Brasil, porque eu iria dar um fora para o primeiro(ou primeira) pé-rapado que perguntasse qual era o meu estado civil. Agora, como sou uma pessoa extremamente irreverente, fora-da-norma-social, é muito 1.000 por cento provável que iria jogar na cara: SOU BICHA. Então Aí, no Brasil, não apenas o departamento, mas parece que A EMPRESA TODA IRIA SE VOLTAR CONTRA MIM.

          • Luis comentou em 27/04/12 at 18:15

            Eu morei por 20 anos fora do Brasil e a gente perde o contato com a realidade brasileira, as coisas aqui não evoluíram ficaram piores que antes, em certas empresas se souberem que vc é ateu vc sera perseguido e demitido ha uma paranoia qto a religião aqui. E aqui diferente daí as pessoas se metem na sua vida! É regra ! Adoram fuçar, bisbilhotar, fofocar. Manter a privacidade aqui é muito difícil.

          • Bruno da Silva comentou em 27/04/12 at 18:46

            Luis, leia esse artigo que saiu agora no The New York Times, você vai adorar. Um estudo revela que Persnalidades políticas ou religiosas que fazem campanha contra os direitos dos gays, se encontram frequentemente implicadas em relações homossexuais:

            Homophobic? Maybe You’re Gay
            By RICHARD M. RYAN and WILLIAM S. RYAN

            WHY are political and religious figures who campaign against gay rights so often implicated in sexual encounters with same-sex partners?
            In recent years, Ted Haggard, an evangelical leader who preached that homosexuality was a sin, resigned after a scandal involving a former male prostitute; Larry Craig, a United States senator who opposed including sexual orientation in hate-crime legislation, was arrested on suspicion of lewd conduct in a men’s bathroom; and Glenn Murphy Jr., a leader of the Young Republican National Convention and an opponent of same-sex marriage, pleaded guilty to a lesser charge after being accused of sexually assaulting another man.

            One theory is that homosexual urges, when repressed out of shame or fear, can be expressed as homophobia. Freud famously called this process a “reaction formation” — the angry battle against the outward symbol of feelings that are inwardly being stifled. Even Mr. Haggard seemed to endorse this idea when, apologizing after his scandal for his anti-gay rhetoric, he said, “I think I was partially so vehement because of my own war.”

            It’s a compelling theory — and now there is scientific reason to believe it. In this month’s issue of the Journal of Personality and Social Psychology, we and our fellow researchers provide empirical evidence that homophobia can result, at least in part, from the suppression of same-sex desire.

            Our paper describes six studies conducted in the United States and Germany involving 784 university students. Participants rated their sexual orientation on a 10-point scale, ranging from gay to straight. Then they took a computer-administered test designed to measure their implicit sexual orientation. In the test, the participants were shown images and words indicative of hetero- and homosexuality (pictures of same-sex and straight couples, words like “homosexual” and “gay”) and were asked to sort them into the appropriate category, gay or straight, as quickly as possible. The computer measured their reaction times.

            The twist was that before each word and image appeared, the word “me” or “other” was flashed on the screen for 35 milliseconds — long enough for participants to subliminally process the word but short enough that they could not consciously see it. The theory here, known as semantic association, is that when “me” precedes words or images that reflect your sexual orientation (for example, heterosexual images for a straight person), you will sort these images into the correct category faster than when “me” precedes words or images that are incongruent with your sexual orientation (for example, homosexual images for a straight person). This technique, adapted from similar tests used to assess attitudes like subconscious racial bias, reliably distinguishes between self-identified straight individuals and those who self-identify as lesbian, gay or bisexual.

            Using this methodology we identified a subgroup of participants who, despite self-identifying as highly straight, indicated some level of same-sex attraction (that is, they associated “me” with gay-related words and pictures faster than they associated “me” with straight-related words and pictures). Over 20 percent of self-described highly straight individuals showed this discrepancy.

            Notably, these “discrepant” individuals were also significantly more likely than other participants to favor anti-gay policies; to be willing to assign significantly harsher punishments to perpetrators of petty crimes if they were presumed to be homosexual; and to express greater implicit hostility toward gay subjects (also measured with the help of subliminal priming). Thus our research suggests that some who oppose homosexuality do tacitly harbor same-sex attraction.

            What leads to this repression? We found that participants who reported having supportive and accepting parents were more in touch with their implicit sexual orientation and less susceptible to homophobia. Individuals whose sexual identity was at odds with their implicit sexual attraction were much more frequently raised by parents perceived to be controlling, less accepting and more prejudiced against homosexuals.

            It’s important to stress the obvious: Not all those who campaign against gay men and lesbians secretly feel same-sex attractions. But at least some who oppose homosexuality are likely to be individuals struggling against parts of themselves, having themselves been victims of oppression and lack of acceptance. The costs are great, not only for the targets of anti-gay efforts but also often for the perpetrators. We would do well to remember that all involved deserve our compassion.

            Richard M. Ryan is a professor of psychology, psychiatry and education at the University of Rochester. William S. Ryan is a doctoral student in psychology at the University of California, Santa Barbara.

        • Marcos Paulo comentou em 02/05/12 at 14:20

          Nessas horas dou graças pelo local onde trabalho…. aqui a sexualidade está em último plano e, o fato de eu ser gay, não muda em nada…

          Todos sabem, sim… todos convivem com isso…. festa da empresa, fui de mãos dadas com um namorado…. apresentei aos colegas, as esposas, aos filhos, aos patrões e afins….

          Na verdade, qd fui perguntar (há uns 4 anos), meio sem jeito, se podia levar meu namorado na festa da empresa (q dura 3 dias, num resort), o meu diretor achou super estranho….. estranho o fato de eu perguntar… pelas palavras dele “é pra levar namorado(a) e conjuges… se ele é seu namorado vc deve leva-lo, afinal, ele q aguenta o seu stress durante o ano por causa da empresa”….

          Infelizmente, minha empresa é 1 em um zilhão….

  5. Tata comentou em 27/04/12 at 12:00

    entendo o seu ponto de vista, mas a unica forma de sermos respeitados um dia é sermos visto, enquanto nos escondermos, as pessoas vão nos ignorar, não falo de exposição ruim, se expor na rua , exagero firulas, mas de poder andar de mão dada tranquilo, não podemos esquecer a luta que os negros travaram e ainda travam no nosso País.

  6. Luis comentou em 27/04/12 at 17:13

    Depois de ver o video E sabendo que a muita gente ficou indignada eu imagino que vocês queiram protestar contra esses cultos cristãos na Câmara Federal…Vamos enviar a seguinte mensagem à Câmara dos Deputados, na sessão “Fale com a Ouvidoria”: http://www2.camara.gov.br/participe/fale-conosco/ouvidoria

    ” Boa noite. Acredito que já seja do conhecimento dos responsáveis por esta Ouvidoria o vídeo (http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=zVE5zJNALZ0), em que a Deputada Lauriete (PSC-ES) canta um hino religioso durante uma das Sessões da Câmara. Não há dúvidas de que a interrupção, mesmo que momentânea, das atividades da Câmara dos Deputados para que seja cantada qualquer canção que seja vai totalmente de encontro aos interesses da sociedade brasileira (representada pelo seus deputados eleitos). Além da manifestação infeliz de fé da referida Deputada, observa-se no vídeo em questão que diversos deputados acompanham a Deputada em sinal de aprovação de tal atitude. Ressalta-se, apesar de ser notório, que o Brasil é um Estado LAICO, não devendo ser admitida expressões religiosas nos assuntos pertinentes ao Estado. A fé é individual, sendo o direito de culto garantido pela nossa Carta Magna, mas a manifestação de fé em uma Sessão que deveria ser solene e que buscasse o interesse público não pode ser admitida.
    Por fim, peço e espero que as devidas providências sejam tomadas a fim de que tal ato não venha a ser repetido em nenhuma oportunidade em que o interesse pública esteja em pauta e deva prevalecer sobre a fé individual de um ou outro deputado.”.,,,,,,

  7. Luciano comentou em 27/04/12 at 19:03

    Eu entendo o Loner, pois passo pela mesma situação dele.
    Sou considerado um estranho, anti-social no meu trabalho, pois não misturo a minha vida pessoal com o ambiente de trabalho, porém isso no Brasil é muito mal visto, ressoando até como falta de educação. Sigo levando dessa maneira, pois prefiro omitir do que ter de mentir.
    Ocorre que tal situação é extremamente desgastante pelo fato de me silenciar sobre mim mesmo apenas pelo fato de não me adequar ao padrão social. Por isso, volta e meia avalio a possibilidade de me expor para todos no trabalho.
    Contudo, sempre fica aquele dilema: sou sincero e tiro um peso da consciência com o porém de fatalmente ser discriminado e prejudicado na vida profissional ou sigo sendo considerado um anti-social mas sem maiores implicações no meu dia a dia profissional?
    Creio que mais cedo ou mais tarde eu venha a seguir a primeira opção, até para contribuir no sentido de fazer alguma diferença em prol de nossa afirmação e na luta por direitos, mas ainda busco coragem e sustentação psicológica para tanto.

  8. Loner Segundo comentou em 28/04/12 at 11:07

    Brunão, e olha que eu to morando em uma cidade que é tida pelos Brasileiros como de pessoas ”frias e fechadas” que é Curitiba.

    Mas de fato o ”nível de intromissão” é muito menor do que o que eu sofria em uma cidade que morei no Norte (é norte mesmo, pois aqui o povo tem mania de chamar os estados do nordeste de norte).

    Foi meu primeiro concurso, passei e fui morar lá, a cidade apesar de ser uma capital de estado tinha menos estrutura que Campina Grande e Caruaru (que creio que devas conhecer). Lá o meu chefe ficava insistentemente ve convidando para happy hours para eu ”arranjar mulher” por que todo homem de fora, assim como os nativos tinha que se relacionar com pelo menos 4 mulheres ao mesmo tempo (era esse o conceito dos homens de lá).

    Creio que minhas negativas e evasões meio que ”denunciaram” e as pessoas começaram a me tratar de forma diferente, pois eu era o chato, o certinho, o caxias e o anti-social. Depois de um ano e meio nesse ritmo, eu n aguentei e voltei pra minha cidade natal para estudar para outro concurso.

    Mas não sei se tenho chances de ir pra lá, é que meu companheiro é meio arredio (acho que completamente) a idéia, pois pra ele a liberdade que está tendo hoje já era algo inimaginavel, pois ele ja foi casado e muito mais armarista e enrustido, então pra ele só em ter a possibilidade de viver junto, ele já se sente completamente satisfeito. Mas vou tentar conversar com ele num momento bem tranquilo…

    Com relação a ir na cara e coragem eu não teria, mas n teria mesmo, rsrsrsr. Só iria de fato por esse processo que é mais dificil mas é garantido.

  9. PICA-FLOR comentou em 28/04/12 at 16:56

    Nossa BRUNO da SILVA!!!!!já disse e REPITO!sua ”FLOR” é SOBRENATURAL!!!pois com tantas ferradas,ainda SOBREVIVE para contar as historias.PARABENS pela SUPER-FLOR!!!!!rsrsrsrsrs

  10. eddy comentou em 30/04/12 at 12:59

    Afirmar que Deus é gay, depende de uma unica dedução: Se for o Deus de qualquer outra religião como budismo, shintoismo, espiritismo, ateismo, ou qualquer outros ismos, talvez seja ele gay. Mas se for o Deus Criador dos céus e da terra, como afirma a Bíblia, então esse Deus não pode ser e nunca será gay. Como pode alguem ser o que condena veementemente?

    • Luis comentou em 01/05/12 at 13:39

      TAPADO ! VOLTA PRO BURACO DE ONDE VC SAIU !

  11. Pickachu comentou em 03/05/12 at 7:41

    Gataaaaam… Deus é gay sim e samba na cara da sociedade rs…

    Alias… samba na avenida e dá show!

    uuuuuuuuuuuui…

  12. KlevOLiv comentou em 06/05/12 at 10:04

    É para rir….Mas vejamos, é claro que Deus criou as PESSOAS, que se declaram GAYS! Nisso não há dúvidas, o que ocorre é que essas pessoas por causa de problemas decorrentes de sabe-se la o que DESVIARAM-SE dos propósitos da criação e a subverteram! Explico: Deus criou o homem e a mulher para que através desse dois sexos a humanidade pude-se multiplicar-se. Para isso deu ao homem um pênis e para a mulher uma vagina, os dois encaixam-se perfeitamente, inclusive dando ao ato sexual o prazer que satisfaz plenamente a maior parte da humanidade. Para suprir as necessidades fisiológicas do homem e da mulher DEUS lhes deu o anus final do intestino grosso e que só serve para uma coisa DEFECAR (por isso é local de concentração de todo tipo de vírus e bactérias), na mulher igualmente. Então leio um texto desse onde o autor procura afirmar sua “crença” dizendo que o próprio Deus é gay, e me ponho a pensar: ENTÃO DEUS PREGOU UMA PEÇA MUITO SEM GRAÇA EM UM DE SEUS GENEROS SEXUAIS.

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