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A contribuição dos gays, lésbicas e travestis para o mundo

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Blogay é editado pelo jornalista e roteirista Vitor Angelo

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A urgência da Parada perante o conservadorismo

Por Vitor Angelo

Todo ano é quase tudo meio sempre igual em relação à Parada LGBT de São Paulo. Tem os carros de som, as montadas, os boys sem camisa, muito beijo, pessoas bêbadas, pessoas felizes, pessoas felizes e bêbadas, alguns discursos, uma multidão-mar-de-gente que sempre gera polêmica na contagem, gente que critica versus gente que adora (eu mesmo já fiz e faço parte das duas turmas). Porém, este ano parecia que havia uma urgência no ar que faria tudo, apesar de aparentemente igual, ser diferente. A onda de conservadorismo que assola o país levou a uma resposta, esta a favor da diversidade, das liberdades individuais, do estado laico que se fez presente de forma decisiva na 19ª Parada do Orgulho LGBT de São Paulo, que aconteceu neste domingo, 7.

Percebia-se isto já no início da manifestação. No carro oficial da Parada, uma faixa dizia: ”Fora Cunha”. Foi um grito repetido algumas vezes, assim como as vaias para Malafaia e companhia. Mas mais importante que a faixa, o grito, foi a ação presencial do grupo Mães pela Diversidade abrindo todo o babado de forma tão alva e imponente. Pais e mães, ouro de mina!

O Grupo Mães pela Diversidade abre a Parada LGBT de São Paulo (Vitor Angelo)
O Grupo Mães pela Diversidade abre a Parada LGBT de São Paulo (Vitor Angelo)

Um dos ativistas , Luís Arruda, disse ao Blogay: “O grupo Mães pela Diversidade é um movimento político independente, laico e suprapartidário de mães e pais de todo o país que cobram do estado a criminalização da homotransfobia, o casamento igualitário, a lei de identidade de gênero João Nery, políticas públicas para LGBTs e celeridade da justiça em casos de LGBTfobia. Além disso damos apoio às famílias com filhos LGBTs. Esse ano essas Mães e Pais com suas filhas e filhos, amigos e familiares abrirão a Parada LGBT de São Paulo. Queremos deixar claro que LGBT tem família sim e que essa família também sofre com a violência física e psicológica à qual suas filhas e filhos estão expostas diariamente”.

Um pouco à frente, antes do início da parada, religiosos de dois grupos distintos de vertente evangélica faziam campanha contra a homofobia e com seus cartazes diziam que Jesus não era homofóbico e pediam desculpas pela barbárie de certos pastores. Cristão verdadeiros estavam na nossa frente naquele momento.

Na Parada, sempre tem alguém travestido de religioso ou mesmo de Jesus, isto não é novidade. Mas a presença magnânima da transexual Viviany Beleboni em uma cruz no carro da Ong ABCD’s chocou os fundamentalistas, que pela rede começaram a ruminar que era blasfêmia e pediam respeito. Acho engraçado, quando é pra falar mal dos gays, eles alegam liberdade de expressão, agora quando é com eles, é insulto. Queridinhos, a liberdade de expressão é uma rua de duas mãos: quem diz o que quer, também pode ouvir o que não quer. Ficaadika!

Momento polêmico: a transexual Viviany Beleboni crucificada (Reprodução/Facebook)
Momento polêmico: a transexual Viviany Beleboni crucificada (Reprodução/Facebook)

Porém, logo surgiram muitos memes explicativos sobre este caso, apontando o quanto os fundamentalistas agem na irracionalidade.

(Reprodução/Facebook)
(Reprodução/Facebook)

 

(Reprodução/Facebook)
(Reprodução/Facebook)
No final da Parada, já na praça Roosevelt, acontecia, ao cair da noite, a 11ª sessão da Comissão Extraordinária dos Direitos Humanos e Minorias. Houve um debate aberto sobre cidadania, direitos humanos e LGBTs com Renata Peron, Ysani Kalapalo, Daniela Andrade, Esther Solano, Juninho Jjr, Henny Freitas, Luciano Ibrat Palhano, Paulo Iotti, Isa Penna, Leandro Cunha, Kiu Bio e Maria Angelica Lemos.

Para o Blogay, o organizador do evento, Todd Tomorrow, explicou: “O espaço da CXDHM é justamente pra criar pontes de empatia entre movimentos. Achamos pertinente essa sessão no dia da Parada do Orgulho LGBT, construída de forma independente, justamente pra combater o senso comum de que a Parada é despolitizada. É um espaço de solidariedade, generosidade e união contra o discurso desqualificante dos ultraconservadores.”

Mesa da 11ª sessão da CXDHM  que aconteceu no final da Parada, na Praça Roosevelt (Reprodução/Facebook)
Mesa da 11ª sessão da CXDHM que aconteceu no final da Parada, na Praça Roosevelt (Reprodução/Facebook)

Agora, o grande ato político foi mesmo a presença das pessoas, abertamente mostrando que querem ser o que são, pela liberdade dos desejos, seja ele hétero ou homo ou bi, pelo respeito às trans, pela individualidade. O número de jovens foi impressionante. Marcar presença, dizer “não, não voltaremos pro armário”. Era uma mistura de tudo, mas principalmente a urgência de ser quem se é nas ruas. E não existe nada mais político que isto!

19º Parada do Orgulho LGBT de São Paulo ( Reprodução/Facebook - foto de Celso Reeks)
19º Parada do Orgulho LGBT de São Paulo ( Reprodução/Facebook – foto de Celso Reeks)

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