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A contribuição dos gays, lésbicas e travestis para o mundo

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Enem, homofobia e transfobia

Por Vitor Angelo

O Enem 2013 foi um reflexo de um embate que acontece na sociedade brasileira nos últimos anos. De um lado, a vontade civilizatória de reconhecer os direitos dos LGBTs e, de outro, a força que quer tirar qualquer cidadania deste grupo tão heterogêneo.

O professor Robson Silva avisou este blog que a questão 41 da prova branca de Ciências Humanas e Suas Tecnologias no dia 26 de outubro abordava a homofobia

“’Tenho 44 anos e presenciei uma transformação impressionante na condição de homens e mulheres homossexuais nos Estados Unidos. Quando nasci relações homossexuais eram ilegais em todos os Estados Unidos, menos Illinois. Gays e lésbicas não podiam trabalhar no governo federal. Não haviam nenhum politico abertamente gay. Alguns homossexuais não assumidos ocupavam posições de poder, mas a tendência era eles tornarem as coisas ainda piores para seus semelhantes.’

Roos. A. Na maquina do tempo. Época, ed. 766 28 jan 2013.

A dimensão política de transformação sugerida no texto teve como condição necessária a: 

A) ampliação da noção de cidadania

B} reformulação de concepções religiosas

C) manutenção de ideologias conservadoras

D) implantação de cotas nas listas partidárias

E) alteração da composição étnica da população

Reposta: Alternativa A”

Uma questão deste nível demonstra a lucidez da instituição que a criou e de como ela percebe que os direitos gays estão intrisecamente vinculado à noção de cidadania.

Por outro lado, relatos mostraram que em inúmeros lugares do país, transexuais sofreram constrangimento.  Em reportagem do Uol, por exemplo, a transexual Beatriz Trindade, 19, relatou que tinha pedido para que o nome civil não fosse dito alto. “Na entrada, tinha uma pessoa que pegava os documentos e mandava para o lugar. Ele pegou meu documento e gritou meu nome civil no meio de todo mundo. Foi bem constrangedor”, contou.

A transexual Beatriz Trindade (Arquivo Pessoal)

E na mesma reportagem, Helena Brito, 25, disse: “Os sabatistas são respeitados, quem está no hospital também, pessoas que estão em reclusão também, mas as pessoas transexuais não são. Se você está em uma situação de vulnerabilidade e o nome pode causar constrangimento na hora da prova, isso tem que ser respeitado para que nós possamos estar em situação de igualdade no exame”.

Situações semelhantes ocorreram no ano passado, o Ministério da Educação prometeu averiguar tanto no ano passado como neste. Mas o que se percebe é o descompasso entre o ideário da instituição e a situação real onde funcionários mal treinados ainda ladram sua transfobia sem menor problema.

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