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Blogay é editado pelo jornalista e roteirista Vitor Angelo

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O rosa: a cor das passarelas e dos protestos

Por Vitor Angelo

Foi-se o tempo que se um cara aparecesse com uma camisa rosa, algum engraçadinho diria: Onde você comprou tem pra homem? Identificada como uma cor feminina desde os anos 1930/40 e também associada aos gays, era ela também motivo de preconceito.

De cor de “mulherzinha” no sentido mais pejorativo, ela tem conquistado as passarelas masculinas e as ruas – cada vez mais homens usam camisa deste tom.  “Acho que o preconceito com o rosa entre os homens já era, sim. Mas apenas para os tons mais lavados, como o bebê. Apesar do pink estar em alta entre as mulheres – reflexo da onda esportiva que assola as coleções há duas temporadas – , dificilmente um homem brasileiro, hétero, assumirá o tom no seu guarda-roupa. Por todos os motivos que, antes, ‘proibiam’ qualquer outro tom da cor”, diz para o Blogay o editor de moda masculina da “Harper’s Bazaar Brasil”, Sylvain Justum.

O que Justum coloca como os motivos proibidos do rosa choque é o medo que muitos homens têm de perder sua masculinidade vestindo este tom. Como se uma cor garantisse a heterossexualidade de alguém.

Detalhe da coleção da Prada verão 2013 (Filippo Monteforte/France Presse)

Se os homens cada vez mais se liberam de medos infundados, as mulheres resolveram apostar naquilo que é pejorativo como uma força afirmativa e o rosa apareceu em coleções importantes da temporada internacional de moda. A Prada foi uma delas. A jornalista da Folha Vivian Whiteman disse ao blog: “O rosa está sendo usado como uma cor de massa. Referência às massas dos mercados orientais sim, mas também uma ideia de massa feminina, de rever em que circunstância o rosa é ‘de menina’”.

A ideia de o rosa como algo das massas reflete-se em evento que acontece nesta sexta, 5, em São Paulo. É um ato contra e não a favor, o que tira o caráter adocicado de uma imagem cristalizada sobre a cor. É uma manifestação contra o candidato à prefeitura de São Paulo Celso Russomanno (PRB)

O crítico de música, escritor e jornalista Alex Antunes, próximo aos organizadores do movimento explica: “São Paulo é uma cidade muito ligada numa percepção ying-yang, que é aquela excessivamente masculina: poder do poder, a lei da lei, a religião da religião, o ‘quem não reagiu está vivo’. Mas isso deixa o arquétipo complementar exaltado. São Paulo também é uma mulher brava, um gay contundente. o ‘rosa choque’ é rosa… e é choque. O rosa é uma cor importante nos sistemas simbólicos orientais, como o indiano, e que está quase excluído da nossa vida cotidiano, identificado como um ‘excesso de exuberância’. um yang do yin. isso é exatamente do que precisamos. Além de um detalhe mais materialista sobre o rosa choque: nenhum partido no país usa, nem teria a coragem de usar”.

Então, think pink – pense rosa e pise forte.

Cartaz do evento (Divulgação)

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