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A contribuição dos gays, lésbicas e travestis para o mundo

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Blogay é editado pelo jornalista e roteirista Vitor Angelo

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Governo da Malásia faz lista para identificar se uma criança é homossexual

Por Vitor Angelo
Malásia (Reprodiução/Google Map)

As relações homossexuais são ilegais na Malásia (o sexo oral também é proibido entre casais héteros). A ilegalidade da homossexualidade se deve à permanência de um antigo código penal da época colonial criada pelos britânicos e a um forte segmento mais fundamentalista do islamismo presente atualmente na população malaia. Então, a “caça às bruxas” começa logo cedo, como prova uma série de seminários – organizados pelo governo – que estão sendo realizados recentemente por todo o país. “Familiares no Tratamento da Questão dos LGBTs”, presidida pelo vice-ministro da Educação, Mohd Puad Zarkashi, lista alguns itens para pais identificarem a homossexualidade nas crianças e também nos jovens e assim aplicar “medidas severas.”

Os sintomas de alguém que é gay:

– Ter um corpo musculoso e gostar de mostra-lo, vestindo camisetas com gola   em V e sem mangas;

– Preferir roupas apertadas e de cores claras;

– Sentir atração por homens;

– Gostar de usar bolsas grandes, semelhantes as utilizados pelas mulheres.

Os sintomas de alguém que é lésbica:

– Sentir atração por mulheres;

– Elas irão se distanciar de outras mulheres e só ficaram próximas de suas companheiras;

– Gostar de sair, fazer refeições e dormir na companhia de mulheres;

– Não ter afeição por homens.

Ao tomar conhecimento da lista, o chefe da juventude do partido Umno da Malásia tuítou a mensagem: “Eu visto roupas justas e camisetas com gola em V. E eu estou ok.”

É claro que, em um primeiro momento, é engraçado zombarmos de um povo distante que faz uma lista bizarra como esta, alertando que alguém é gay se sentir atração por homens – o óbvio ululante diria Nelson Rodrigues. Mas como alertou o colunista do jornal inglês “The Guardian”, Matthew Todd,  nesta sexta-feira, 14, será que não temos telhados de vidro (no caso de Todd, o Reino Unido e sua falta de uma política sobre a sexualidade das crianças, e no nosso, o atual governo brasileiro e sua política antipática e nada inclusiva com a população LGBT)?

No Brasil, o fato de a homossexualidade ter se tornado visível, falante, se expandido, mas ainda não ter conquistado a plenitude de seus direitos civis, e sua militância ter deixado de ser do domínio majoritário de um só partido – exatamente aquele que está no poder – e que ainda tenta através de uma parcela cada vez menor de militantes ligados a este partido encobrir os descalabros do atual governo com os homossexuais, bissexuais e transgêneros, faz com que qualquer zombaria da nossa parte pareça um ato leviano.

Enquanto não tiver um programa de apoio para que a criança LGBT não sofra e se torture por não entender porque prefere alguém do mesmo sexo – algo que logo cedo ela aprende pelo bullying que é algo “ruim” – ou não se sente confortável no gênero que nasceu, não podemos falar mal de nenhum país.  Como encerra Todd em seu artigo: “A verdade que se destaca sobre as crianças LGBTs em todo o mundo: Não é que você pode vê-las a uma milha de distância, mas que, para os pais, professores e toda a sociedade, seu sofrimento é invisível.”

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