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Revista lista entre os 10 motivos para não votar em Soninha o fato dela apoiar os homossexuais

Por Vitor Angelo

(Reprodução)

Em uma matéria publicada nesta quinta-feira, 6, na revista “Free SP”, que é distribuída semanalmente próxima aos pontos de partida e chegada de meios de transporte da capital paulista e ABC, foram listada dez razões para não votar nos seis candidatos mais bem colocados nas pesquisas para as eleições municipais 2012 em São Paulo. Uma das razões, indicadas pela publicação, para o eleitor não votar em Soninha Francine (PPS) é porque ela “sempre se mostrou defensora dos direitos dos homossexuais”.

(Reprodução)

O guia avisa que isto não reflete a posição da revista e nem é um juízo de valores da publicação. Mas ao colocar esta questão sobre a defesa dos homossexuais como algo negativo, pensando no voto dos homofóbicos, a Free SP deveria fazer um contraponto com o candidato Celso Russomano (PPR) que é fortemente apoiado pelos religiosos fundamentalistas – como foi noticiado pela Folha -, estes últimos conhecidos como fortes opositores dos direitos da população LGBT. Oras, existe também o voto de quem não quer compactuar com a forte intromissão da religião na política e são pela laicidade do Estado, além daqueles que querem votar em candidatos que defendam a bandeira gay. Infelizmente nenhuma linha consta sobre esta relação de Russomano com os fundamentalistas, os grandes inimigos dos direitos LGBT.

A questão gay volta nas negativas da revista. Também em um dos motivos para não votar em Fernando Haddad (PT) está o fato de em sua “gestão, o MEC gastou R$1,8 milhão nos kits anti-homofobia. As cartilhas traziam termos considerados inadequados e até preconceituosos”.

(Reprodução)

A revista acerta ao chamar o projeto de forma correta e não do modo pejorativa que os reacionários alcunharam o projeto: kit-gay. Mas confunde ao dizer que o conteúdo era preconceituoso, o que aconteceu foi o inverso. Em uma campanha de difamação, chegou-se ao absurdo de difundir que o projeto era para transformar as crianças em homossexuais, quando a finalidade era a tolerância dos alunos para com a diferença, o diferente, incluindo aqui os colegas gays e/ou transgêneros.

***

Esta semana, os homossexuais estiveram no alvo da mídia de forma muito obscurantista. Primeiro na campanha do Fórum Pernambucano Permanente Pró Vida (FPPPV) no “Diário de Pernambuco” dizendo que o estado não quer homossexualismo (sic). Depois o editor do “Jornal da Cidade”, João Francisco da Silva, chamou o beijo entre dois homens de “nojento” e “tão asqueroso quanto alguém defecar em público ou assoar o nariz à mesa”. E agora a revista Free SP coloca, sem um contraponto do outro lado, razões para você não votar em tais candidatos pois eles têm preocupações e defendem os direitos da população LGBT.

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