Até os anos 1980, muito do que poderíamos dizer sobre ser gay, ou um modo de vida homossexual, estava totalmente atrelada à ideia de underground e de contracultura. Com a massificação dos anos 1990 do que é ser homossexual, criou-se (para o bem e para o mal) uma poderosa imagem de uma figura musculosa, apolínea, sem barriga e apreciador da música que chamamos de bate-cabelo. Com o intuito de discutir que esta não é a única imagem dos homossexuais e evidenciar outras possibilidades de ser dentro de sua orientação sexual, o Festival Outcasts – A Contracultura Gay Jovem desembarca em São Paulo nesta sexta-feira, 03, e sábado 04, no clube Dynamite, na Bela Vista.
“A ideia surgiu da necessidade por fazermos parte de um mundo underground e querer expressá-lo. Não somos e nem queremos ser mainstream” , disse um dos organizadores do evento Marcello Nicolussi para o Blogay. Ele, junto com Peete Netto, Rafael Cocchini e Cairo Braga querem mostrar algo além dos estereótipos montados em relação aos gays.
Nicolussi responde ao ser questionado o que é mainstream no conceito do festival: “É a cultura homossexual que é mostrada pela mídia, por exemplo, como eles veem uma boate gay, isto é, uma pré-concepção que retira toda uma gama de atitudes por exemplo que podem significar uma boate gay, fioca apenas aquela imagem impressa pela mídia. Queremos mostrar o outro lado da moeda”.
Confira a programação:
Dia 3 de agosto -
Frenéticos, Molhados & Croquettes: O grupo se inspira em grandes momentos da cultura LGBT brasileira dos anos 60 a 80. As principais referências deles são os Dzi Croquettes, os Secos & Molhados e As Frenéticas. Daí o nome do grupo: “Frenéticos, Molhados & Croquettes”.
Alisson Gothz: Artista performático, multimidiático, conhecido por seus números ousados e um pouco agressivos. Convidado para participar do projeto pela contribuição na cena underground LGBT.
Xerxes: Host, DJ, e Performer da noite paulistana LGBT, uma das promessas da nova geração de artistas underground.
+ Djs: Felipe Abe + Gah Junqueira, Pandex, Attrack Queens, Equipe Outcasts.
Dia 4 de agosto -
Elisa Ares: Cantora, musicista, e suas composições mesclam pop, rock, soul, folk e jazz, sendo uma revelação do mundo musical LGBT.
César Munhoz: Cantor, compositor, artista performático e multimídia. Já expoz fora do Brasil e é considerado um dos grandes representantes da cultura LGBT no ambiente artístico.
Apêndice Urbano: Grupo de teatro idealizado por Caio Nasser e Priscila Labronici, que faz apresentações em ambientes alternativos.
Debates: O ambiente familiar de um LGBT. A cultura underground gay. A política Arco-íris.
+ Exposições midiáticas e microfone aberto.
Serviço:
Festival Projeto Outcasts
Dias 3 e de 4 agosto de 2012
Dynamite Pub
Rua 13 de maio, 363 – Bixiga (Bela Vista) – São Paulo -SP
Preços e horários:
Dia 3 de agosto, sexta-feira das 23h30 as 6h00 – Entrada R$ 5
Dia 4 de agosto, sábado das 15h00 as 21h00 – Entrada Franca


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Essa caracterização de “ser gay” com a idéia de “underground e de contracultura” não tem nada a ver. Em Recife, a “realidade” era outra. Os bares gays em REcife nos anos 80 estavam lá para quem quisesse ver e entrar e participar. Não havia nada de underground, nada de segredo. Havia vários bares gays, para todas as tendências gays, gays discretos ou menos discretos, pobres ou menos pobres. Havia até certas boates gays que eram preferidas dos heteros, porque o ambiente sem violência e a qualidade do espaço e da música eram muito melhor. E a oferta cultural dos bares gays era imbatível com os shows dos Travestis. Essa idéia de underground ou contracultura é totalmente furada, porque os gays em Recife vivam à luz do dia, quer dizer, andavam nas ruas, rindo, conversando, dando pinta, paquerando, cantando, dançando, participando do que a cidade oferecia. Tentar caracterizar a vida gay no Brasil com “conceitos” como contracultura e underground significa uma certa preguiça de pensar, uma falta de curiosidade intelectual da vida dos gays no anos 80.
Ah tá! Porque nos anos 80 a homossexualidade era assistida pela gde imprensa e pelos gdes canais de comunicação. Era feita um tipo de publicidade que atendia esse público em primeiro lugar. Os gays não sofriam q tipo de repressão nessa época. Tanto q como resultado do anos 80 temos leis q amparam os homossexuais, garantindo-lhes direitos básicos do cidadão, como casamento. Graças aos anos 80, gays não sofrem crimes de violência hoje. Se você não entendeu, eu fui irônico! Ou seja, ERA UNDERGROUND SIM! ERA CONTRACULTURA SIM!
Repito, no anos 80 em Recife, nós, Bichas, vivíamos como qualquer outra pessoa. Nós não vivíamos como rato no porão, não éramos underground em nenhum momento. Sei que há muitos Veados que gostam do gueto, do porão mas, sinto muito, não era o nosso caso em Recife. Até a violência naquela época era menor. Recife nos anos 80 era mais livre, mais natural. Certo, não havia Gay Pride mas também não havia essa histeria de fundamentalismo religioso com essa tele-religião que emburrece as pessoas. Quem quiser saber mais sobre Ser GAy em Recife deve ler Devassos no Paraíso para ler, aprender e parar de escrever besteiras aqui. O livro mais escandaloso sobre Ser Gay foi escrito em REcife nos anos 60 por Tulio Carella. Ser Gay em Recife sempre foi Cultura, Contracultura é um termo para Bicha que gosta de Etiqueta.
Interessante, Bruno, você vir falar de Recife pra criticar e desqualificar um evento que tão somente quer abarcar o que acontece na cidade de São Paulo, que no momento é até onde vai o nosso foco temático.
Sorte de vocês em Recife que gozam de tamanha liberdade há tanto tempo. Aqui em São Paulo, local e tema do evento, não foi e não é igual ao que você descreveu.
Sobre contracultura ou underground ser coisa de “Bicha que gosta de Etiqueta”, eu recomendo a você ler sobre Indústria Cultural e Processo da Arte, principalmente os autores Walter Benjamin e Theodor W. Adorno.
Obrigado ao Vitor Angelo pelo espaço e pelo ótimo texto sobre nosso Projeto, a todos que foram ao Festival pela presença e participação e a todos que comentaram aqui, seja pra criticar construtivamente ou pra simplesmente falar mal.
BJOS
CB
Cairo, eu não critiquei o evento que, aliás, desejo muito boa sorte. Sempre é bem vindo um debate (num país que tenta se modernizar) sobre ser Diferente: seja Bicha, Veado, Gay ou Homossexual, Mulher, Travesti, etc.
O que critico é essa mania de relacionar os Veados com conceitos velhos, mastigados e importados como é o caso dessa idéia de Contracultura e/ou Underground.
Hoje em dia, dizer que ser gay é contracultura é uma mentira descabida.
Ser Gay é cultura, é produção e evolução cultural e dos costumes. Ouso quase dizer que não existe Cultura Sem os Homossexuais. Não adianta citar autores estrangeiros para tentar explicar a nossa “realidade”, o que revela nossa falta de criatividade e subserviência às ideias importadas.
Outro conceito absurdo é esse de Underground que NÃO dá conta de maneira nenhuma da vida cotidiana das Bichas no Brasil. Os veados vivem à luz do dia, trabalham, namoram, compram, vão cinema e ao restaurante como todos os mortais.
Tentar relacionar esses conceitos acima citados à ideia de Homossexualidade significa nos dar uma aura de “especial” que não temos.
Nós, Bichas, somos mortais como outro ser humano qualquer. Certo, somos diferentes no sentido que o Homem é diferente da Mulher, mas não somos seres “especiais”, não temos uma “especialidade”. Afinal, Mulher, como os Gays, também gosta de Homem.
Poxa não sabia que o Recife era o berço da civilidade, onde os gays andam livremente pelos bares da vida, se beijando sem chocar ninguém. Onde não há homofobia nem ninguém apanha por gostar do mesmo sexo. Alice nos país das maravilhas perde. Bora se mudar pra lá, gente! (cara de sarcasmo)
Eu não sei como é essa realidade, porque não faz parte do meu mundo.
Mas, no ambiente em que eu vivo, olhando para os poucos amigos gays que eu tenho, todos eles são iguais aos meus amigos héteros. Vão para os mesmos lugares, fazem as mesmas coisas, trabalham do mesmo jeito… nada de cultura underground. Mas eu sei que existem pessoas que gostam de certos tipos de música e ambiente e isso independentemente de orientação sexual.
“Underground” não é chique, e mainstream não é cafona. E ser gay não é obrigatoriamente underground. Isso é só mais uma maneira de ganhar um troco… nada contra, mas acima de tudo, nada a favor.
A questão é de ter opção e não à padronização.
Quer coisa mais padronizada que underground de sp??? Acorda a casa caiu! Isso tá mais com cara de feira de artesanato da Pça da República
Ai gente é só um estilo.. pra atrair um público. Não tem nada de conceitual ou incrível nisso
Primeiro, realmente não dá pra entender esse amigo do Recife. Dizer que tudo era abertíssimo parece meio míope. Talvez uma parcela dos gays vivesse como bem entendia, mas duvido que não houvesse muitos enrustidos, casados que pegavam garoto de programa por medo de assumir, gays que nunca contaram pra família, xingamentos na rua quando casais andavam de mãos dadas.
Segundo, bichas, esse recorte do underground e da contracultura é um dos recortes possíveis. Existe, sim, um estereótipo do que é ser gay e o que os caras querem mostrar é que nem todo gay vive como imagina a sua avó ou aquele cara coxinha do escritório. Louvável a ideia do festival!