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Estado de São Paulo condena Club Athletico Paulistano por não aceitar casal gay

Por Vitor Angelo

Um clube serve para reunir pessoas com certas afinidades, alguns interesses em comum, é assim que funciona por exemplo um clube da poesia ou da matemática. Outras vezes, ele serve para ser um ponto de encontro de pessoas da mesma comunidade.

Porém, o clube também pode ser o local da exclusão do que é diferente, ou da soberba de classe. Negros, na Salvador dos anos 50 (a capital da negritude do país), eram proibidos de entrar em certos clubes. A nova rica Vera Loyola não foi aceita no “aristocrático” Country Club da orgulhosa zona sul, por representar outra área. outra mentalidade. Neste caso como no outro acima, o clube serve como gueto, lugar de identificação mas também de segregação.

O médico patologista Ricardo Tapajós, 46, é sócio do tradicional Club Athletico Paulistano. Ele tem uma filha e é casado com outro médico, o cirurgião plástico Mario Warde Filho, 40.

Tapajós tenta desde 2009 associar sua filha e seu marido no clube em vão. Para além da excelente piada de Groucho Marx que diz: “Eu nunca faria parte de um clube que me aceitasse como sócio”, a situação era claramente discriminatória pois o estatuto do Paulistano entende união estável apenas a relação entre homem e mulher.

Mas os tempos são outros. Então, Tapajós acabou entrando na justiça que deu parecer favorável ao médico. O entendimento foi que o sexo das pessoas “não se presta como fator de desigualação jurídica”.

No dia 28 de junho, o Diário Oficial do Estado condenou o clube com uma advertência. Na quinta-feira, 5, o clube disse que não tinha maiores informações, Mario ainda não é sócio, mas  as mudanças do estatuto estão sendo discutidas pelos membros da diretoria do clube.

Isto é, da segregação, que não corresponde aos novos tempos, o clube caminha para a identificação de uma nova família.

Mário Warde (à esquerda) e Ricardo Tapajós (à direita); casal de médicos homossexuais acusa clube de discriminação (Arquivo Pessoal)

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