“Weekend”, longa-metragem britânico, dirigido por Andrew Haigh, em cartaz em diversas cidades brasileiras, é um filme que vai além do que poderíamos chamar de um relacionamento homossexual, ele tem todos os ingredientes das relações amorosas contemporâneas.
Estão ali a questão da velocidade, da diferença e da frugalidade. Os romances hoje parecem mais velozes e fugazes que os que idealizamos como “os de antigamente”. Também parecem mais complexos, pois com a individualidade mais desenvolvida, as diferenças entre as pessoas soam mais estridentes.
Uma coisa porém universaliza todas as relações em todos os tempos, a ideia de fim, seja por separação ou a morte de um dos companheiros (o que não deixa de ser uma separação também).
Esta ideia de fim, que é a amargura e é a beleza de todas as relações (“Que não seja imortal, posto que é chama. Mas que seja infinito enquanto dure”, como poetizou Vinicius de Moraes) é algo dado no filme, aliás o título em inglês, que significa fim de semana em português é a sua primeira pista.
No melhor estilo cinema falado, o cinema das ideias, temos a caracterização dos excelentes atores Tom Cullen (Russell) e Chris New (Glen) dadas em pequenas gestos. Se Russell é a pessoa que tem o mundo separado e compartimentado em caixas de tênis – não existe organicidade entre seus amigos héteros, seus colegas de trabalho e o fato de ser gay, Glen é a pessoa que tem dificuldade olhar pra trás quando ocorre uma despedida, apesar do passado ter um peso, ele tenta relegar – nem sempre com sucesso – a segundo plano as memórias, aquilo que foi vivido, talvez por isto gravar em um gravador as impressões de suas transas.
Mas apesar de tudo isto, há o encontro, aquilo que a gente nem entende que faz parte da magia da vida. Mas como todo encontro há também as despedidas e como lidar com cada uma delas é um dos pontos altos do filme. A profundidade e a frugalidade de todas as relações – sejam elas hétero, homo ou bi – se encontram neste filme.
Porém, sem perder a especificidade de ser uma relação homossexual dentro de um contexto histórico e geográfico. Conseguir este encontro entre dialogar sobre todas as relações e ao mesmo tempo ser muito claro sobre um relacionamento gay hoje faz com que seja difícil nos despedirmos do filme. Ele está na minha cabeça por dias.
embedded by Embedded Video

E-mail
Achei o filme um tanto quanto cansativo embora totalmente verossímil; muitas cenas de uso de entorpecentes, muita discussão estéril. O melhor filme com temática gay que vi ainda continua sendo “All The Rage” seguido por “Les Nuits Fauves”.
Vi alguns dias atrás e indiquei a várias pessoas. O filme é sensacional, mas o desempenho dos atores consegue ser perfeito.
Poi sé, completamente de saco cheio dessa coisa de amor gay impossível, de filme gay sem final feliz. Que saco isso. Os gays já estão casando adotando filhos e ainda continuando com esse imaginário da impossibilidade de uma relação inteira, integral e com amor.
SPOILER
Mas eles não ficarem juntos nessa história não tem nada a ver com o fato de serem gays. Essa parte da história é universal. Eles não ficam juntos por azar do destino. Se conhecerem em épocas erradas, em momentos distintos da vida. Achei bom e justo o final. Seria muito irreal, talvez menos perturbador, eles terem ficados juntos. Mas ninguém em sã consciencia no lugar do Glen faria essa troca.
Filme presunçoso e chatérrimo, apesar dos excelentes atores. É tão chato que parece francês. Só poucos mestres do cinema, como Bergman, conseguem tratar de temas profundos da psicologia humana sem essa chatice, porque propõem algo estético. Vale lembrar que, no Brasil, o tédio e os abismos entre os casais gays são resolvidos 99% das vezes à base de muita traição, promiscuidade e mentiras…
Francamente, não gostei. O filme teria tudo pra dar certo, marcante. Mas se perde em muitos momentos. Se perde em uma profundidade prometida pelos personagens, mas que não se sustentam. Se perde, mais uma vez, na higienização gay, quando evidencia um ideal específico de valorização de masculinidade. O salva vidas, bonito, másculo, pau grande, ativo e ao mesmo tempo bem resolvido. Do outro lado o afetado, fútil e vazio. Não existe meio termo, não há um espectro maior de possibilidades? E outra coisa: um modelo de afetividade hegemônico, pautado na conjugalidade, monogamia, como forma de recompensarmos o ônus de sermos gays. Enfim, esperava muito do filme, talvez por isso tanta frustração. Acho que outras histórias dão conta de discutir amor e relacionamentos contemporâneos de forma muito mais sutil e plural. Exemplo, felizes juntos de wong kar wai. Famosos e os duendes da morte, de Esmir Filho. Quemar las naves, de Francisco Franco.