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A contribuição dos gays, lésbicas e travestis para o mundo

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Blogay é editado pelo jornalista e roteirista Vitor Angelo

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A polêmica e a complexidade de Léo Áquilla

Por Vitor Angelo
Léo Áquilla (Divulgação/Edu Moraes - TV Record)

Léo Áquilla está na “A Fazenda 5”, até aí tudo bem. Mas está no grupo masculino. A partir deste fato, as redes sociais desde a noite de estreia do programa, na terça-feira, 29, não pararam de especular o porquê.

Será a rede Record? Fato desmentido logo em seguida. Foi o próprio Léo Áquilla que disse na estreia: “Eu sou um menino que adora parecer uma menina. Sou menina e também sou menino”. Pronto, mais arsenal pras discussões.

Nas redes sociais, muitos tentam definir se Léo é travesti, drag queen ou transexual? Outros, mas simplistas afirmam que se tem pênis é homem.

O que podemos afirmar com certeza é que a postura  de Leo Áquilla é um excelente exemplo para demonstrar a complexidade dos  chamados LGBTs e das liberdades individuais onde o movimento gay está inserido.

Sim, a colocação de Léo é um desastre no sentido coletivo para as transgêneros. A luta pela mudança de registro do nome nas certidões tem sido uma das duras e árduas batalhas de travestis e transexuais. Muitas sofrem preconceito desde a escola até quando precisam fazer uma ficha de um simples requerimento. O nome não condizer com a imagem é o reflexo perturbador do que elas vivenciam por dentro, quando o sexo não reflete sua identidade.

Existe todo um esforço das trans e dos trans de que o gênero corresponda à imagem. Ao mesmo tempo, os intolerantes/ignorantes fazem questão de criar ruído negando este direito a esta população. O direito do gênero.

Mas sim, a colocação de Léo é um grito de liberação no campo das liberdades individuais.  Ao dizer que não se preocupa com o gênero, ele quer avançar a questão – pelo menos para ele/ela, pois tanto faz se ele é ele ou ela, o que importa é que é Léo Áquilla. O direito do indivíduo.

De fundo, as lutas das minorias é também a luta pelas liberdades individuais. Que cada um viva sua vida, que cada um faça sexo com quem quiser, que case com quem desejar, que use o artigo masculino ou feminino quando bem entender.

No clássico filme de Glauber Rocha, “Terra em Transe”, o poeta Paulo diz algo que sintetiza esta discussão. “No meio da massa tem o indivíduo e este é muito mais difícil de domar”.

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