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O gay feminino: Homossexual que inspirou o personagem Crô em “Fina Estampa” é agredido

Por Vitor Angelo
David Alvarez depois da agressão (Reprodução/Instagram)

Foi assim que ficou o cantor David Alvarez depois que apanhou de seguranças na boate Fosfobox, em Copacabana, Rio de Janeiro, na manhã de terça-feira, 1º. Ele inspirou o ator Marcelo Serrado na composição do personagem Crô, na novela Fina Estampa de Aguinaldo Silva.

A situação de uma violência gratuita ganha contornos mais sombrios quando pensamos que a agressão aos homossexuais afeminados é encorajada e bem pouco condenada por uma certa parcela da sociedade.

Há pouco tempo, um deputado federal pedia para pais baterem em seus filhos ao perceberem algum sinal de homossexualidade neles. Oras o que pode ser visto como o tal “traço gay” seria uma certa feminilidade do garoto ou masculinidade da menina, o que não necessariamente os tornariam homossexuais. Aliás, existem muitos gays que não apresentam qualquer conotação feminina, assim como lésbicas nem um pouco masculinizadas.

O que fica claro é que quanto o homem for mais feminino, isto é, com mais símbolos culturais das mulheres, mais ele merece uma surra, pois assim é que no fundo devem ser tratadas as mulheres para os vivenciam esta mentalidade. No caso das mulheres, ao serem mais masculinas, elas entram em uma zona de confronto com o próprio homem e o estupro corretivo muitas verzes é a resposta para os que não suportam a diversidade.

No caso de David Alvarez, – mesmo o motivo sendo torpe e não ter aparentemente relação com homofobia – o fato dele ser montado, dar pinta com um topete imenso e cheio de laquê deve ser pelo menos um dispositivo para que a agressão possa ser feita de maneira mais enfática como a que vendo o rosto do cantor não podemos nos deixar de questionar:  Tudo isso por causa de um cigarro?

Os homossexuais afeminados, os que se montam e atravessam a fronteira da masculinidade estão muito mais na linha de fogo dos homofóbicos que os chamados “discretos”. Aliás, estão também na mira de outros gays que os condenam por sua feminilidade (muitas vezes não percebendo a sua própria afetação).

Eles são em si bandeiras ambulantes contra o machismo. O ator Marcelo Serrado – que compôs intuitivamente de forma fantástica o mordomo Crô – não conseguiu entender a dimensão de seu personagem, maior até do que o ator, ao afirmar que Crô não levantava bandeiras.  Ser Crô ou Daniel Alvarez é levantar bandeiras.

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