Blogay

A contribuição dos gays, lésbicas e travestis para o mundo

 -

Blogay é editado pelo jornalista e roteirista Vitor Angelo

Perfil completo

Publicidade
Publicidade
Publicidade
Publicidade

Filme mostra que as relações homossexuais podem ser semelhantes as héteros

Por Vitor Angelo
Cartaz do filme "Verão em L.A." (Divulgação)

Existe duas perspectivas do que é ser (ter uma vivência) gay que muitas vezes se confundem, se opõem e dialogam. Uma é de rebeldia contra o sistema binário masculino-feminino, contra a ideia de monogamia, o casamento e o modo de vida normativo. A outra é de inserção, a favor da extensão dos direitos civis aos homossexuais, de uma reafirmação do sistema binário masculino-feminino em uma chave mais liberal e uma aproximação ao modo de vida heterossexual.

Neste sentido, o filme “Verão em L.A.” (“August”), do diretor israelense Eldar Rapaport, encaixa-se mais no segundo caso e traz, principalmente para uma plateia heterossexual, a ideia que as diferenças entre o relacionamento entre pessoas do mesmo sexo podem não ser muito diferentes das relações entre homem e mulher.

A começar pela ideia de triângulo amoroso, uma estratégia clássica da literatura romântica, transposta para o personagen Troy (Murray Bartlett), que volta para Los Angeles e reencontra com seu antigo namorado Jonathan (Daniel Dugan), agora se relacionando com Raul (Adrian Gonzalez). Neste sentido, coloca-se uma espécie de universalização dos relacionamentos, tanto homos como héteros podem cair nestas “armadilhas de Vênus”. Assim como a crise de Troy é muito conhecida de todos – tanto héteros como homos – que ao sentir que a vida amorosa parece sem muito sentido, volta-se às lembranças da última e mais forte paixão.

Dentro do contexto de  aparar as diferenças entre as relações héteros e gays, o filme é muito eficaz e até didático.  Ao mostrar em uma cena – aliás a única que explicita os papeis sexuais na cama dos personagens –  Jonathan transando como passivo, podemos enxergar aí também a reafirmação do sistema binário masculino-feminino. Ele é o apaixonado, o frágil, o confuso, enfim, no esquemático sistema binário, ele seria a mulher, enquanto Troy é o masculino que mesmo confuso é quem conduz a história. Mas como disse, é um sistema binário mais liberal e essa função cabe ao personagem Raul, que cumpre um importante papel para o desenlace do triângulo.

Ao mostrar que os relacionamentos homossexuais podem ser muito parecidos com os heterossexuais, “Verão em L.A.” ajuda a desmontar um pouco o medo de audiências mais conservadoras em relação ao amor gay e isto é um grande mérito.

[youtube XX5bn6U7DuM nolink]

Blogs da Folha