Blogay

A contribuição dos gays, lésbicas e travestis para o mundo

 -

Blogay é editado pelo jornalista e roteirista Vitor Angelo

Perfil completo

Publicidade
Publicidade
Publicidade
Publicidade

Escolha de Claudia Leitte para madrinha da Parada de Salvador cria polêmica entre gays

Por Vitor Angelo

A notícia caiu como uma bomba no meio LGBT. O combativo GGB (Grupo Gay da Bahia) escolheu a cantora Claudia Leitte para madrinha da Parada Gay de Salvador. Para uma boa parte da militância, a escolha soa equivocada já que a cantora de axé nunca esclareceu de forma assertiva seu depoimento sobre ter um filho gay feito em uma entrevista para a transexual Léo Áquila e também nunca teve um posicionamento claro na defesa dos direitos homossexuais.

Em resposta a isso, um abaixo assinado já começa a circular pela internet pedindo para o GGB reconsiderar o convite feito a Claudia Leitte. “Neste ato, nós militantes em defesa da plena cidadania e igualdade de direitos LGBTs, envolvidos na luta pelo combate a homofobia e a transfobia, solicitamos ao prof. dr. Luiz Mott e demais representantes do GGB (Grupo Gay da Bahia), pessoas com admirável histórico de luta, de reconhecido esforço e incansáveis na defesa dos direitos humanos dos homossexuais no Brasil, que repensem a escolha da cantora Claudia Leite para ser a madrinha da 11ª Parada LGBT da Bahia”, começa o texto.

“Como muitos sabem e podem verificar em vídeo amplamente divulgado durante uma entrevista concedida a um programa de TV em rede nacional, Claudia Leitte e seu marido declararam que NÃO gostariam que o filho fosse gay , mas que fosse MACHO (sic)”, prossegue.

[youtube MPSlSnS9NYk nolink]

“E embora a cantora tenha buscado retratar-se em seu blog, retratação apenas reafirmou sua posição diante da questão LGBT, o que nos faz ficar certos de que a cantora não tem nenhum envolvimento com a causa LGBT. […] Solicitamos que elejam como madrinha da 11ª Parada LGBT da Bahia uma pessoa que de fato represente este movimento, cuja figura pública seja agregadora na luta contra o preconceito e a discriminação que tanto sofremos, que seja um ícone para darmos visibilidade a causa na defesa e garantia de direitos civis LGBT, que seja a figura pública solidária do respeito a vida. E se eu ainda pudesse ter um filho, eu só iria desejar que ele fosse feliz!”, finaliza o texto do abaixo-assinado.

Esmiuçando o texto de esclarecimento de Claudia Leitte podemos perceber que não é clara sua posição e ainda parece conter, além de homofobia, uma certa transfobia, ao descrever a repórter transexual. “O que você deveria dizer a Leo Áquila, vestido de rosa, rindo bastante, insinuando coisas que poderiam ser depreciativas do seu trabalho e do seu caráter, caso ele te fizesse essa pergunta? O quê? Aquilo não era uma piada?”, inicia o texto da cantora depreciando sim o trabalho de Áquila como algo sem seriedade por vestir rosa e fazer piadas. Ela porém também coloca: “Se eu errei, ou magoei alguém, lamento, e em nome do meu marido também. Essa jamais foi a nossa intenção”.

Essa dubiedade do texto ainda traz algo sedimentado em uma sociedade machista e misógina: que é uma desgraça ter um filho gay, fato que ela não se desculpa, nem desconstrói pois se o fizesse seria oportunista como ela assume no título do texto.

O antropólogo e fundador do GGB Luiz Mott, ao ver em sua página do Facebook inúmeros ataques e questionamentos por parte dos homossexuais, postou: “Acordem para a realidade. Perguntem para sua irmã grávida, pra sua vizinha grávida, pra qualquer grávida do mundo: Você gostaria que seu filho fosse gay? Qual é a resposta? Sem hipocrisia, please!”

A militante Juliana Novais, que deve conhecer o movimento Mães Pela Igualdade – mães de homossexuais que perderam filhos em atos homofóbicos e/ou se orgulham de ter filhos homossexuais – , questionou Luiz Mott: “Eu lamento muito você só conhecer grávidas homofóbicas, e lamento mais ainda você justificar o comentário de Claudia Leitte baseado na ignorância alheia. Mãe que é mãe de verdade, consciente do seu papel, consciente do significado da maternidade e do seu amor incondicional, NUNCA responderia uma pergunta no sentido do quer que o filho seja, porque NÃO importa. Não importa se ele vai nascer mais moreno ou mais branco, não importa se ele vai nascer menino ou menina, assim como não importa se ele vai nascer gay ou hétero. O que importa é que venha com saúde. Pelo menos são assim as mães que eu conheço, e posso te apresentar, já que pelo visto você não conhece nenhuma que pense assim”.

Aos inúmeros comentários negativos, Luiz Mott novamente interveio: “Para os que continuam jogando pedras em Claudia Leitte e criticando o GGB por tê-la escolhido como madrinha da próxima Parada Gay, no dia 9 de setembro, sugiro que consultem bons marqueteiros, experts em midia, marketing, oscambau e todos dirão que nossa escolha é um golpe de mestre, usar uma ex opositora para se tornar nossa garota propaganda. Serão milhões de fãs de Claudinha que ouvirão ela dizer que é contra a homofobia! Acorde gente intolerante. Abra teu bestunto para incluir quem nos apoia”.

Não satisfeitos, logo veio uma resposta para Mott: “Consultei amigos formados em publicidade e marketing e todos disseram que a escolha é um golpe de mestre sim, para Claudia Leitte, e não para a manifestação do movimento gay, que não precisa dela para nada. E só para deixar claro, o problema não é o convite para ela participar da parada, mas ela ser eleita madrinha? Com tantas pessoas que participam ativamente do movimento de combate a homofobia, famosas e não famosas que merecem ser madrinha, e ela é a escolhida? Uma artista que teve um comentário homofóbico jamais deveria ser madrinha e ter lugar de destaque em um evento gay. Isso não acontece em lugar nenhum do mundo!”

E a discussão só está começando… E você, o que acha de Claudia Leitte ser madrinha da Parada Gay de Salvador?

Danilo Verpa / Folhapress

Blogs da Folha