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Sobre a censura de vídeo gay no Ministério da Saúde, o equívoco foi do Governo

Por Vitor Angelo

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Já vimos essas cenas em muitas novelas da Globo, casais gays se abraçando, sem beijo – é claro – , como nesse vídeo. Nada de novo no front.

O que pega é a desculpa do Ministério da Saúde e de seu ministro Alexandre Padilha – o mesmo que teve enfrentamento em janeiro desse ano com as feministas que eram contra o cadastro das grávidas e Dilma (só depois de muita pressão e porque iria ficar bem mal para sua imagem de defensora das mulheres) voltou atrás e vetou –  que decidiram retirar o vídeo no site do ministério e da publicidade em TV aberta.

Segundo a Folha, o ministério acredita que a postagem do vídeo no portal foi “um equívoco”. Mas o grande equívoco é assistirmos a mais uma atitude hipócrita de um Governo em relação aos homossexuais desse país. Mais uma negligência de uma esquerda que diz ter compromisso com os Direitos Humanos, mas na verdade está muito mais comprometido com o que há de mais asqueroso no poder: a falta de fibra pra realmente mudar o estado de coisas de uma minoria que é agredida constantemente nas ruas.

Nesta quinta-feira, 09, foi noticiado que um gay foi agredido gravemente em Porto Alegre, não me resta outra reação que não culpar o Governo, um governo fraco que cede às pressões de alas ultraconservadoras, mas se esquece que se elegeu com os milhares de votos de muitos homossexuais, lésbicas, transexuais, travestis e bissexuais que acreditaram que uma mulher faria a diferença. Que uma mulher, vítima de misoginia e – por ser masculina, independente de sua orientação sexual – talvez vítima de homofobia como a que recebeu em silêncio absoluto as provocações de Jair Bolsonaro, poderia pelo menos tornar os gays verdadeiros cidadãos desse país.

“Dilma Rousseff, pare de mentir. Se gosta de homossexual, assume. Se o teu negócio é amor com homossexual, assuma”, disse o deputado federal homofóbico ao vento pois nunca recebeu um réplica da presidente. E eu digo: Dilma Rousseff, pare de mentir. Assuma logo que nada fará pelos homossexuais e nem por minoria nenhuma. E que tanto Maria do Rosário e Eleonora Menicucci são – infelizmente – peças decorativas pra dar um ar progressista em um governo cada mais obscurantista.

Já dá para sentir nas redes sociais que muitos gays se arrependem do voto que depositaram no Governo de Dilma Rousseff. Por isso, esse é o grande equívoco que este Ministério da Saúde e esse Governo Federal estão cometendo. Um equívoco que vai ser muito mais difícil de ser reparado mais pra frente, nas urnas.

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